sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O princípio da escassez e a liberdade desdenhados

Por Mr MacColin

Ultimamente venho escutando de diversas pessoas, renomadas ou desconhecidas, planos de um futuro econômico e social melhor. Muito bonito isso tudo. A proposta básica é erradicar o consumo de bens de luxo e de supérfluos, garantir a renda mínima de cada cidadão, e reverter o fluxo de pagamentos de dívidas públicas para o bem-estar geral da população.

Analisemos então os óbices. Como selecionar os bens supérfluos? Qual seria o mecanismo de escolha do que é supérfluo sem desconsiderar a preferência de cada consumidor? Este importante ponto da proposta ninguém tem coragem de responder, pois é muito fácil porpor o Éden econômico sem se preocupar com a sua funcionalidade.

Outra questão que esbarra na liberdade de escolhas do consumidor é a renda mínima. Como chegar à conclusão definitiva sobre o que é mínimo à existência do ser humano? Como forçar alguém a viver com aquilo que outro julga ser o suficiente?

Por fim, chegamos à questão mais radical de todas. A proposta de interromper os pagamentos das dívidas interna e externa para que parte da arrecadação possa ser aplicada em educação, saúde, transporte, etc. O grande mistério que fica sutilmente soterrado pela falsa correção e ingenuidade desta proposta politicamente correta é o modo pelo qual serão atingidos os objetivos e suas consequências.

Basicamente, a proposição de reverter os pagamentos das dívidas para o bem estar do povo pede o não cumprimento de contratos e o rompimento com o sistema econômico vigente em todo o mundo (com raras exceções). Como consequência há a quebra da confiança no país e a retração do fluxo de capitais externos e do comércio exterior. Inflação, queda da produção interna, moratórias e desemprego seriam normais em uma situação como esta, o que difere completamente dos objetivos primeiros da proposta.

Portanto, quando me veem falar da beleza de idéias maravilhosas sobre um futuro pleno de paz e prosperidade eu me recordo de um axioma basilar das Ciências Econômicas: o princípio da escassez. E também penso no desdém às individualidade e diversidade humanas nescessário para se formular tais teorias utópicas. Que presunção acharem-se ungidos de divina sabedoria para aplacarem as enfermidades sócio-econômicas deste país! Mas não os culpo pela ânsia de acabar com os sofrimentos do corpo, só fico perplexo com o preço imposto para tentar alcançar este objetivo: o totalitarismo.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Crianças de 7 a 10 anos serão incentivadas ao homossexualismo pelo Governo do PT



Este vídeo está postado aqui em homenagem aos meus amigos que votam no PT, no PSol, no PC do B, no PCB, no PCO, no PSTU, no PSB , no PDT e no PMDB. É uma homenagem também àqueles amigos que me acham conspiracionista, conservador, careta, causador de tumulto, capitalista, preconceituoso, burguês.

A todos vocês caros amigos, que apóiam estes desenvolvimentistas, esquerdistas, progressistas, aquecimentistas, minoristas e etc, muito obrigado!

Obrigado a todos vocês que acreditaram e acreditam nas mentiras de políticos esquerdistas, seja por desacordo ideológico, lavagem cerebral, ou o que quer que seja.

Obrigado por acreditarem neste maniqueísmo criado pela cultura do ódio, por cederem às vontades das "minorias", por acharem que todos os problemas sociais são criados por entidades malvadas tal qual o capitalismo e que estes podem ser resolvidos pelo totalitarismo esquerdista.

Por fim, muito obrigado por não terem escutado o que os muitos conservadores e conspiracionistas já vinham alertando há anos!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O Estado social-democrata sueco contra a família

Por Hilary White

KARLSTAD, Suécia, 30 de novembro de 2010 (Notícias Pró-Família) - Um tribunal regional da Suécia sentenciou um casal a nove meses de cadeia para cada um e os multou o equivalente a 10.650 dólares depois que eles confessaram que batiam em três de seus quatro filhos como parte normal de seus métodos de educar e disciplinar filhos. Em 1979, a Suécia tornou crime os pais aplicarem castigo físico nos filhos, uma medida que foi o primeiro passo, de acordo com um advogado de direitos dos pais nos EUA, para o Estado sueco praticamente se apoderar de toda a autoridade e direitos dos pais.


Documentos do tribunal, citados pela Televisão Sveriges, disseram que os pais, cujos nomes não foram divulgados na imprensa, "explicaram que haviam usado o que eles mesmos descreviam como bater e castigo físico como parte de seus métodos de criar os filhos".

Os documentos disponibilizados não dão nenhuma indicação de que os pais cometiam abusos, e o tribunal ainda comenta que os pais "tinham um relacionamento de amor e cuidado com os filhos".

Apesar disso, os pais foram mandados para a prisão e multados em 25.000 coroas suecas para cada um dos "filhos afetados". Os filhos foram enviados para um orfanato sustentado pelo Estado, onde estão desde junho deste ano, e Mike Donnelly, diretor de relações internacionais da Associação de Defesa Legal da Educação Escolar em Casa (ADLEEC), que tem sede nos EUA, disse para LifeSiteNews.com que é "extremamente improvável" que os filhos sejam devolvidos para sua família.

Donnelly disse que esse caso é típico dos casos de muitas famílias com valores tradicionais na Suécia: "Na área de direitos da família na Suécia, as coisas realmente não estão indo bem ali".

Embora a ADLEEC não defenda uma posição oficial sobre o uso de castigo físico, Donnelly disse que claramente cabe aos pais decidirem se o castigo físico é uma forma apropriada de disciplina.

"Os pais se tornaram meros funcionários do governo, tendo o Estado sueco se apossado diretamente da função deles", Donnelly disse. "E esses pais foram presos por fazerem o que nos EUA seria perfeitamente normal".

Noventa por cento das crianças suecas estão em creches financiadas pelo governo desde idades bem novas, até mesmo bebês de um ano e meio, disse ele. É a posição do Estado que os pais sejam dominados pelo Estado em áreas de criação de crianças, disse ele.

Donnelly disse, porém, que os melhores interesses das crianças não são a prioridade mais elevada do Estado. "Daí, eles pegam essas crianças que têm um relacionamento de amor e carinho com seus pais e as mandam para orfanatos, e jogam os pais na cadeia por nove meses".

Donnelly citou o caso agora famoso de Domenic Johansson, o menino que foi arrancado dos pais por funcionários do governo porque seus pais estavam lhe dando aulas escolares em casa, um ato que também é ilegal na Suécia.

"Moral da história: não vá para a Suécia. Não mude para lá, se quiser ter uma família normal".


Informações de contato:


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SES, Avenida das Nações, Qd 807, Lt 29
70419-900, Brasília - DFTel:+55-61-3442 52 00
Tel emergência:+55- 61-8127 42 69
Fax:+55-61-3443 11 87Email: ambassaden.brasilia@foreign.ministry.se Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.


Embaixada da Suécia em Portugal
Rua Miguel Lupi 12-2°-Dto
1249-077 LisboaTelefone:+351-213 942 260
Fax:+351-213 942 261Email: ambassaden.lissabon@foreign.ministry.se Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.


Tradução:Julio Severo


Título original: Pais suecos são presos por aplicar disciplina. Governo lhes tira os filhos



Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/news/swedish-parents-jailed-for-spanking-children-seized



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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Descaso no Maracanã, guerra fajuta e hipocrisia no mundo da Dança

Por Mr MacColin

"Quem é vivo sempre aparece". Este é um daqueles velhos ditados que pode ser aplicado à ovelha desgarrada e sumida há quase um mês.

Ausente por força maior, voltei apenas para, de maneira sucinta, publicar algumas coisas vistas por mim durante estes dias. São coisas polêmicas e por vezes conspiracionistas, bem do jeito que a ovelha gosta!

Primeiramente, comentarei uma situação disfarçada sob a fumaça da guerra civil no Rio. As obras do Estádio Mário Filho, o Maracanã, já começaram. Podem ser vistos muros metálicos no entorno do Estádio e placas indicando que há homens trabalhando naquele local. No entanto, no cruzamento da Radial Oeste com Mata Machado, bem em frente ao falido ex-Museu do Indio, algumas coisas estão saindo erradas.

Era de se esperar que o prédio do antigo museu e sua calçada fossem reformados por estarem ocupando um importante local de possivel estacionamento e por ficarem em desacordo com a beleza do novo estádio. Isto entretanto, não parece ser prioridade à prefeitura e ao governo do Estado. Os muros metálicos da obra impedem a passagem dos corredores que usam o estádio para se exercitarem, e para que possam passar para o outro lado fazendo a volta em torno Maracanã, teem que seguir ao longo da calçada irregular e elameada em frente ao museu indígena. Se as obras incluem aquela calçada, por que não a fazer primeiro para que o resto das obras no estádio não atrapalhe os cidadãos? Ao que me parece esta Copa do Mundo já demonstrou sua preocupação com a população carioca. E ainda há aqueles que acreditam que a vinda da Copa do Mundo, o Coliseu contemporâneo, seja a inauguração de um era de prosperidade para o Brasil.

Outra coisa que me chamou a atenção foi a grande operação militar montada no combate ao tráfico carioca. Dois dias após o inicio dos atentados à propriedade privada dos moradores da cidade, a policia anunciou a apreensão de umas duas dezenas de armas e umas cinco dezenas de marginais. Quando vi a foto dos espólios surpreendi-me com o armamento usado pela malandragem: metade das armas eram fuzis do século XIX, armas usadas para treinamento de ordem-unida dos alunos dos colégios militares. Talvez isto explique o fato de metade dos presos estarem com armamento algum no momento da prisão: eles agiam em dupla, um era o atirador e o outro preenchia o "pau-de-fogo" com pólvora, socava, colocava uma bola de chumbo e acendia o pavio.

Agora deixo algumas questões para reflexão sobre esta patuscada que é a "guerra" no Rio. Por que os marginais não agiram durante as eleições de forma a desestruturar o governo da situação? Por que os traficantes não "armadilharam" as vias de acesso às favelas do Cruzeiro e do Alemão? Por que o periodo dado pela PMERJ para a rendição foi tão longo, dando chance assim aos malandros de fugirem, uma vez que estratégicamente a polícia não cercou todos os acessos à favela? Por que tanto melindre em usar o poder de fogo das Forças Armadas se é comum do combate a baixa de civis inocentes a fim de alcançar o aniquilamento completo do inimigo? Ah, são tantas as questões... fora aquelas que se referem á ocupação irregular e ilegal de área pública, mais conhecidas como "comunidade". 

Por fim, a última estocada na minha paciência. Participando como ouvinte de um seminário sobre a Economia da Dança no BNDES, tive o desprazer de ouvir dos palestrantes e de alguns artistas e produtores da platéia que era intenção deles esvaziar o tal seminário da presença de economistas pois estes não entendem nada de arte e das suas necessidades e intenções. Após terem falado absurdos, assassinando diversos conceitos econômicos como valor de uso, retorno financeiro, macroeconomia e capitais autônomos, conseguiram o  que queriam desde o inicio do primeiro seminário em 2008, retiraram sutilmente o último economista da sala. Não é a toa que o setor da Dança é tão importante e acrescenta tanto ao PIB brasileiro!

E como atualização para aqueles que acompanham minha pesquisa sobre o mercado de trabalho dos bailarinos cariocas bacharéis em Dança, digo que, vergonhosamente, não há nada de novo no front. Apenas quatro Companhias de dança responderam os questionários, de um total de mais de vinte companhias contactadas (foram de duas a três tentativas para cada uma!). E por volta de quinze bacharéis em dança responderam os questionários, de um total de mais de setenta pessoas contactadas. O mercado deve estar fervendo pois estão todos ocupados demais para responderem um questionário com respostas de múltipla escolha e sem necessidade de identificação.

Hipócritamente, consta nas diretrizes do MinC sobre o setor cultural da Dança a importância de se incentivar a pesquisa acadêmica sobre o setor. E mais hipócritamente, esta diretriz foi comentada durante o enfadonho seminário no BNDES e as cabecinhas de diversos responsáveis por Companhias contactadas que se negaram a responder estavam lá balançando para cima e para baixo em concordância.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O conceito de neoliberalismo

Por Thiago Beserra Gomes

 
1. Um conceito marxista

Neoliberalismo sempre foi um conceito confuso. Em quase todas as situações é citado de forma negativa: trata-se de um mau sistema. Isso ocorre porque o neoliberalismo é visto como representação ideológica máxima do capitalismo. E o sistema capitalista é dividido em duas classes: capitalistas e explorados. Os primeiros exploram os segundos através da mais-valia. Essa linha de pensamento é tipicamente marxista. O neoliberalismo então implica no livre mercado: desmantelamento do Estado de Bem-Estar Social, desregulamentação de mercados, proteção da propriedade capitalista, entre outras ações. E o governo cuidando das pessoas é uma forma de amenizar o mal que o sistema capitalista causa nas pessoas.
Se aceitarmos tais termos estamos caindo num debate claramente marxista. E aceitar o marxismo é cair numa discussão apenas ideológica. Apesar de já estar provado por vários autores que existe uma ciência positiva e outra normativa, os marxistas insistem em atribuir conteúdo ideológico em tudo. É fácil entender isso, porque o próprio marxismo nasceu assim. Caso os marxistas rejeitem a ideologia em outras escolas econômicas, estariam negando sua própria base. Então esse caminho é impossível. Ludwig von Mises e Friedrich von Hayek provaram que a economia planificada, ou marxismo, é impossível. Mises vai além e diz que Karl Marx confundiu classe com casta.

Para Marx, a sociedade é composta por classes separadas, e as que estão no poder não permitem mobilidade. Mises demonstrou que no capitalismo não existem castas econômicas: os que conseguirem atingir a demanda das massas ganharão dinheiro, não importando sua origem ou escolhas pessoais.

Na prática nenhuma das profecias de Marx se cumpriu: a revolução nos países capitalistas, quedas na taxa de lucro, aumento da classe operária etc. Mesmo assim, os marxistas criaram desculpas para tais falhas, como, por exemplo, uma teoria do imperialismo. O filósofo Imre Lakatos chamou o marxismo de programa degenerativo justamente por, no lugar de abandonar as bases erradas da teoria, tentou proteger as ideias originais de Marx. Todavia, não é intenção deste artigo se estender sobre esse debate. Apenas gostaríamos de deixar claro que o neoliberalismo é um conceito tipicamente marxista. Quaisquer autores que se pegue para ler sobre esse conceito, seja Perry Anderson, Atílio Bóron etc, no final se chega a mesma conclusão: o neoliberalismo é o representante ideológico máximo da economia de mercado e dos capitalistas e seu programa político é a desregulamentação dos mercados.

2. O programa político: Consenso de Washington

Em 1990, John Williamson publica What Washington Means by Policy Reform, artigo que daria origem ao Consenso de Washington. O artigo contém dez propostas para a América Latina que tinham dado certo em outros países. As propostas consistiam numa tentativa de modernização do Estado visando substituir o de Bem-Estar. Defendia-se o equilíbrio fiscal e a prioridade na eficiência nos gastos públicos. Ou seja, seria saudável se os países não mais incorressem em altos déficits. Também era preciso visar a eficiência dos gastos públicos, não necessariamente diminuindo-os, mas criando uma máquina burocrática mais limpa e que atendesse os anseios dos cidadãos. Uma reforma tributária também seria necessária, pois altos impostos indiretos acabam pesando mais no bolso do pobre, e a base do imposto de renda deveria ser ampla com alíquotas marginais reduzidas.

A taxa de juros e a de câmbio deveriam, segundo o CW, ser estabelecidas pelo mercado, e não controlada pelo governo. Os direitos de propriedade também deveriam ser amplamente defendidos pelos governos, pois sua fraqueza jurídica afasta investimentos. Na América Latina da década de 80 os setores da economia eram amplamente cartelizados e existiam diversas estatais. Assim, o CW propôs que se privatizassem estatais ineficientes (não necessariamente todas) e que se desregulamentassem os setores privilegiados, pois tal estado inibia a concorrência. Para finalizar, o país deveria abrir seu mercado para o Investimento Estrangeiro Direto.
Esse é um resumo das propostas do CW. Mais detalhes ver o artigo do Paulo Roberto de Almeida, O Mito do Consenso de Washington, e o próprio artigo do Williamson.

3. O que é livre mercado?

Notamos acima que o Consenso de Washington com certeza defendia um programa com mais liberdade econômica que o velho Estado de Bem-Estar. Contudo, concluir que por isso o CW é pró-mercado é um equívoco. Na verdade, o CW propõe melhorar o arranjo institucional do Estado. Ou seja, é um modelo que defende uma melhor eficiência do governo nos assuntos econômicos. Mesmo o Estado de Bem-Estar considerava a economia de mercado importante, mas bem menos do que o modelo do CW.

Para clarificar o assunto para o leitor, vamos utilizar a distinção defendida pelo economista Fábio Barbieri. Para o autor brasileiro as economias são mistas, possuindo características de economia de mercado e de planificação. Hong Kong é considerada a economia mais livre do mundo, mas não se pode dizer que lá exista uma economia de mercado plena. Há um grau de planificação econômica por parte do governo, mesmo que mínimo. Um leitor sagaz já pode imaginar então que algumas linhas de pensamento econômico acham que certo grau de planificação é necessário para alcançar a eficiência econômica. É o que acontece, por exemplo, com a Escola de Chicago, que defende a existência de uma entidade monopolista da moeda, apesar de defender também várias desregulamentações. Na Escola Austríaca se encontra economistas que defendem a economia de mercado plena, como Murray Rothbard, e outros que defendem uma pequena intervenção governamental, como Ludwig von Mises.

Para Rothbard, o Estado é desnecessário e sempre causa distorções nas ações dos indivíduos, então a máxima eficiência econômica só é alcançada com um arranjo institucional apenas com agentes privados.

Outros economistas defendem a total planificação da economia, que é o caso dos socialistas. Qualquer arranjo de mercado é ruim, então o governo deve controlar toda a economia. Tal política é típica de regimes socialistas, como a Alemanha Nazista e a União Soviética. Mas, no geral, os economistas atuais defendem a economia mista. E o Consenso de Washington é apenas uma reforma das intervenções do governo, buscando mais eficiência, e abertura controlada para o comércio internacional. Se for perguntado a um socialista o que ele acha das propostas do CW, provavelmente ouviremos que tem "mercado demais". Se for perguntado para um rothbardiano, provavelmente ouviremos que há intervenção demais. Ou seja, o CW não defende planificação econômica e tampouco economia de mercado, é apenas reforma do velho intervencionista estatal. É o que chamamos de Novo Intervencionismo (ou neo-intervencionismo). Se defendesse o livre mercado ou economia de mercado, o chamado "neoliberalismo" defenderia apenas soluções de mercado (ou seja, com instituições e agentes privados), sem nenhum tipo de arranjo governamental.

4. Debate teórico: uma refutação

A sessão anterior serviu para mostrar que as propostas ditas neoliberais do CW são na verdade neo-intervencionistas. Nesta mostraremos como as propostas deveriam ser caso quisessem defender a economia de mercado. A primeira parte das propostas trata da busca de eficiência do estado através do equilíbrio fiscal, melhor gasto público e reforma tributária. Essa também é a parte mais fácil de esclarecer: são todas medidas de arranjo governamental, ou seja, de controle de mercado. Então, essas propostas vão de encontro à economia de mercado, não a favor. O CW também defende reformas tímidas sobre a privatização e desregulamentação, pois uma visão de mercado defenderia simplesmente a extinção das estatais e todo tipo de regulamentação governamental.
A taxa de juros e de câmbio, a princípio, parece ser dois pontos de paz entre a economia de mercado e o CW.

Entretanto, um olhar mais cuidadoso nos trabalhos de Mises e Hayek revela o que seria um sistema financeiro de mercado: bancos privados emitindo moeda. Ou seja, num sistema financeiro de mercado não existiria banco central. Mais uma vez, o CW não defende a economia de mercado. A defesa dos direitos de propriedade e a abertura aos investimentos estrangeiros parecem ser o único ponto de comum acordo entre o CW e uma economia de mercado.

O debate aqui não é tentar descobrir se um arranjo só com instituições de mercado é bom ou possível, e sim que o CW não defende tal idéia. O correto significado dos conceitos é um pressuposto importante para qualquer debate e, infelizmente, na atualidade se tem usado o termo "neoliberalismo" associado ao livre mercado com intensa irresponsabilidade.

5. Evidência empírica: uma refutação

Devo confessar para os leitores que tenho pena de Fernando Henrique Cardoso. Apesar de ele ter se esforçado ao máximo para interferir no mercado, não foi o bastante: acabou sendo conhecido como pró-mercado (e como se sabe, isso necessariamente quer dizer uma coisa ruim no Brasil). E o que fez FHC para merecer tais títulos?

Como se sabe, até a década de 1980, era lugar-comum que o Estado de Bem-Estar Social era superior. Nessa década, essa idéia (na política prática, na teórica já era questionada) começou a perder força e líderes como Reagan e Thatcher desregulamentaram alguns mercados em seus países. Na década de 1990, no Brasil, Collor iniciou o programa de desestatização, onde, entre outras coisas, algumas empresas estatais seriam passadas para a iniciativa privada. Inclusive, Collor também é acusado de neoliberal, apesar de ter confiscado a poupança de toda a nação. Algumas outras inovações também foram trazidas: como a tentativa de se alcançar um equilíbrio fiscal, o estabelecimento de metas inflacionárias, independência do banco central, abertura do mercado financeiro etc. Com certeza foi uma mudança forte na política econômica. E quem mais a aprofundou foi FHC. E por isso ele é acusado de neoliberal. Aqui entra a parte mais interessante do artigo: o presidente-sociológo aumentou impostos, gastos públicos, criou 10 agências reguladoras, privatizou 8 empresas com participação do Estado (!) e grupos com influência política (fundos de pensão) e no começo do governo fixou o câmbio. Mesmo assim, é taxado de pró-mercado. Tem mais: segundo o índice de liberdade do Fraser Institute as leis de propriedade privada pioraram no Brasil na época de FHC. A área que mais teve melhora em relação à desregulamentação foi o mercado financeiro.

Durante a década de 90 o Brasil se tornou mais livre em relação à década de 80. Contudo, os índices de liberdade (tanto o do Fraser Institute como o da Heritage Foundation) mostram que o país passou longe de alguma reforma pelo livre mercado, se mantendo numa das economias mais intervencionistas do mundo. Não é preciso estudar o índice de todos os anos do Brasil (como o autor do presente artigo fez), basta apenas ler os feitos de FHC no parágrafo anterior e raciocinar se isso tem alguma relação com o livre mercado.

Então, dizer que FHC foi pró-mercado por privatizar algumas estatais é puro desconhecimento dos dados. É falta de estudo e necessidade de repetir jargões da esquerda. O que houve na verdade foi uma mudança no modelo de intervenção, mais leve, na verdade. E isso irritou os pensadores radicais pró-estado. E, para eles, a saída foi acusar os neo-intervencionistas (como Collor e FHC) de serem entreguistas. É isso o que acontece quando se mistura o debate acadêmico com o debate político: falácias, mentiras, manipulações e jogos sujos. Essa é a essência da política, e ela contaminou o debate nas academias.

6. Novo Intervencionismo

O leitor pode indagar que no artigo apenas tentou-se demonstrar que o termo neo-intervencionismo é mais correto que neoliberalismo. Todavia, a questão vai além. Quando se associa o liberalismo de alguma forma às propostas do CW ou do livre mercado, está se cometendo uma falácia, pois de nenhuma forma as ditas propostas (no conjunto, como vimos) neoliberais representam propostas de uma economia de mercado. Então a questão é mais profunda que pura lingüística. É questão de não cometer erros conceituais na investigação sobre o grau de intervenção e liberdade na economia. Neoliberalismo não existe. O Consenso de Washington possui propostas neo-intervencionistas. Os países que reformaram sua política econômica nos anos 1990 buscaram o neo-intervencionismo. O período pelo qual passamos na década passada e continuamos até hoje pode se chamar a Era do Novo Intervencionismo.




Thiago Beserra Gomes é estudante de Economia da Universidade Federal de Pernambuco - Centro Acadêmico do Agreste (UFPE - CAA).

Texto retirado do site Midia Sem Mascara

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Cultura do ódio e divisão social



Este video está disponível no youtube e navegando por e-mail pela internet. No entanto, não tem realção alguma com as eleições de 2010, uma vez que ocorreu há dois anos, pelo que é informado em alguns blogs. De qualquer forma, serve bem como mais um exemplo da propagada cultura do ódio que divide o povo em castas e classes e impede a evolução educacional e financeira por meio de assistências anestesiantes.

O manifesto repudiando o deputado Indio da Costa na favela da Rocinha poderia ter sido válido caso os manifestantes tivessem urbanidade e respeito ao tratar com a figura opositora. Os argumentos usados pelo suposto morador da favela são verdadeiros, realmente o Indio da Costa como vereador não foi autor de nenhuma lei aprovada em favor da localidade. No entanto, este perde a razão e inclusive a atenção dos microfones dos repórteres, pela sua falta de educação e pela atitude de dono do morro, impedindo o deputado de subir rumo ao Centro Comunitário.

A gritaria incessante e as acusações sem aguardo para resposta, assim como a má interpretação das poucas palavras que o deputado pôde proferir no momento, são por si só suficientes para anular qualquer conclusão apartidária que poderia ter sido extraida do encontro.

O raciocínio torto e mal formulado dos manifestantes também enfraqueceu a importância do embate, uma vez que foi considerado o mérito da simples autoria de leis municipais em detrimento do apoio legislativo para sua aprovação (a referida lei municipal da vereadora Liliam Sá foi vetada em um primeiro momento por falta de apoio dos colegas vereadores).

Na realidade, o que se pôde perceber no embate foi a disseminação da cultura do ódio e seus resultados em parte da população carioca. Em certo trecho do video, um individuo acusa a "burguesia" -termo até então sem conceito econômico e sociológico bem definido- e os moradores dos bairros de ipanema e leblon, em total acordo com o pensamento marxista da "luta de classes". O responsável por tais palavras esquece que um vereador não é responsável somente por um bairro ou localidade, mas sim por todo e qualquer lugar da cidade do Municipio que representa. O fato de haver grande diferença de renda entre os bairros citados não denigre ou desmerece de forma alguma seus residentes, apenas indica o mérito de alguns e as possíveis falhas de política pública que dificulta a ascensão de outros.

O ódio pelas classes média e alta é tão grande no discurso de um dos individuos não identificados no video, que este chega a chamar os integrantes destas classes, de forma ofensiva ou jocosa, de "playboyzinhos". Tais dizeres se proferidos por algum morador da Zona Sul seria logo considerado pela "opinião pública" como uma transgressão gravíssima, um preconceito, algo passível de punição a chibatadas na Praça Tiradentes.

Por fim, com este video pode-se perceber que o compromisso de parte do eleitorado da favela da Rocinha não é com o municipio do Rio de Janeiro como um todo, mas somente com parte da população carioca (os de renda nominal supostamente baixa) e com o bairro onde residem. Não estão preocupados com soluções estruturais e duradouras, pois para tais são necessários planos de longo prazo e muita dedicação da parte necessitada. Estão preocupados tão somente com politicas assistencialistas, com a manutenção da vitimização dos favelados, e com a continuidade das sonegações dos serviços prestados pelos setores público e privado. Por isso, desprezam o valor da boa educação e da ascenção econômica por via do esforço individual honesto, afinal de contas conseguem o que querem pelo número de votos que oferecem de quatro em quatro anos.



Fontes:
Leis de autoria da vereadora Liliam Sá:
http://mail.camara.rj.gov.br/APL/Legislativos/contlei.nsf/b73be0774cd18b8e03257727006a9bdc?CreateDocument

Leis de autoria do vereador Indio da Costa:
http://mail.camara.rj.gov.br/APL/Legislativos/contlei.nsf/b73be0774cd18b8e03257727006a9bdc?CreateDocument

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Grande descoberta

Por Olavo de Carvalho

De repente, parece que todas as mentes iluminadas do País descobriram aquilo que os documentos internos do PT, as atas do Foro de São Paulo e centenas de artigos que escrevi a respeito lhes teriam revelado dez ou vinte anos atrás, se consentissem em lê-los e se, malgrado suas profissões nominalmente letradas, não padecessem da obstinada insensibilidade brasileira à palavra escrita. Brasileiro só acredita no que vê. Não no que vê com os seus próprios olhos (a capacidade de inteligir diretamente da experiência é desconhecida na nossa cultura), mas naquilo que vê na televisão; ou naquilo que ouve da boca das "pessoas maravilhosas", cujas palavras dão visibilidade até ao inefável.


Enquanto uma coisa não aparece no Jornal Nacional ou não é confirmada pelo testemunho de meia dúzia de pop stars, ela não existe, ainda que pose ante os olhares do mundo desde o alto do Corcovado ou no meio da Praça da Sé. Nélson Rodrigues falava do "óbvio ululante", mas em vão ululam os fatos mais espalhafatosos na Terra do "Eu não sabia!. Sem o nihil obstat apropriado, até um King Kong político como o Foro de São Paulo permanece abstrato e inacessível como uma hipótese metafísica escrita num papiro desaparecido.

Mas recentemente até Caetano Veloso, Arnaldo Jabor, Hélio Bicudo, Carlos Vereza e Fernando Gabeira saíram gritando - e então as mentes iluminadas se abriram à revelação: descobriram que o PT não é um partido normal, feito para alternar-se no poder com os demais partidos, e sim uma organização revolucionária criada para absorver em si o Estado e remoldá-lo à sua imagem e semelhança.

Grande descoberta.Teria sido ótimo fazê-la quando o PT ainda tinha quinze por cento do eleitorado. Hoje ela soa como o verso de Manoel Bandeira, o mais triste do idioma pátrio: "A vida inteira que poderia ter sido e que não foi."

Almas desencantadas com o esquerdismo revolucionário nunca faltaram no mundo, pelo menos desde a década de 30 do século passado. Uma delas, Ignazio Silone, chegou até a dizer que a batalha política final não seria entre comunistas e anticomunistas, mas entre comunistas e ex-comunistas.

A diferença é que no Brasil de hoje essas almas, ao mudar de partido, não percebem que o fizeram: falam de seus desafetos de agora como se estes não fossem os seus ídolos de ontem. Acusam com a inocência de quem não se lembra de ter sido cúmplice nem mesmo por um minuto.

É fenômeno inédito no universo. Por toda parte são célebres os depoimentos de comunistas e "companheiros de viagem" arrependidos: Arthur Koestler, André Gide, David Horowitz, Guillermo Cabrera Infante, Victor Kravchenco, Louis Budenz, Emma Goldmann, Victor Serge - a lista não acaba mais. Em cada um desses casos a decepção política trouxe consigo o impulso de uma revisão do passado, de uma aferição de responsabilidades. Na mais lacônica das hipóteses, vinha a confissão de Humphrey Bogart, que se tornou clássica ao resumir tão bem a vida de milhões de ex-militantes e simpatizantes: "Eu não era comunista. Era apenas idiota."

No Brasil também se fazia assim. Da legião dos desiludidos com o PCB nos anos 50 - Oswaldo Peralva, Paulo Mercadante, Antonio Paim e tantos outros - nenhum se esquivou, que eu saiba, de pesar sua parcela de colaboracionismo na construção da engenhoca stalinista.

É que naquela época havia intelectuais, pessoas que a aquisição de uma cultura internacional havia libertado dos vícios do meio imediato. Hoje, esses requintes de consciência são coisas do passado. Só o que interessa agora é ficar bem na fita.

Os fulanos dão tudo de si para consagrar o mito da santidade da esquerda, acendem mil velas a São Lulinha, aplaudem, lisonjeiam, babam de devoção, e depois, quando o ídolo falha às suas expectativas, saem esbravejando como se fossem vítimas e não coautores do embuste. Nunca foi tão barato virar herói da noite para o dia.

Não condeno essa gente do ponto de vista moral. Digo apenas que não há política séria onde as opiniões sobre o curso geral das coisas vêm amputadas de toda consciência autobiográfica. Só entendemos a História desde a nossa própria história.

Quando o desejo de parecer bonito sobrepuja a necessidade de compreender a vida pessoal no contexto da História e vice-versa, é que, definitivamente, o apego às falsas aparências do momento se tornou uma obsessão psicótica, extirpando das almas o último resíduo de senso da realidade.

Mas, para piorar, não foi esse mesmo culto que consagrou o mito "Lulinha Paz e Amor"? Não foi a ânsia de enxergar virtudes imaginárias numa personalidade mesquinha, oca e vaidosa que levou tantos brasileiros a tapar os olhos ante um passado político no qual o futuro se anunciava da maneira mais clara e evidente? Não foi esse apetite de automistificação que induziu a classe letrada praticamente inteira a crer mais em alegações publicitárias e desconversas interesseiras do que em milhares de páginas de documentos e provas?

De que adianta, agora, repetir o mesmo erro com signo partidário invertido? Ninguém pode tomar uma posição madura ante os fatos da História quando rejeita e encobre os da sua própria vida. Não há futuro para quem foge do passado.

No entanto, ainda que do modo errado, essas pessoas estão do lado certo. Espero que esse lado vença, mas é claro que ele teria mais força se trocasse o bom-mocismo por um pouco de virilidade intelectual.

Texto retirado do site Midia sem Mascara: http://www.midiasemmascara.org/artigos/movimento-revolucionario/11564-grande-descoberta.html

sábado, 30 de outubro de 2010

A grande farsa do aquecimento global pelo IPCC\ONU e Al Gore: alguns videos

Série de reportagens feitas por Lord Christofer Monckton com membros do Greenpeace durante a COP 15.


 





O caso Climategate e as perguntas incovenientes à ONU e a Al Gore.







O Canal 4 britânico produziu um documentário devastador intitulado "A Grande Fraude do Aquecimento Global". Ele não foi, ao que parece, exibido por nenhuma das redes de televisão nos EUA. Mas, felizmente, ele está disponível na Internet.

PARTE 1


PARTE 2


PARTE 3
 

PARTE 4


PARTE 5
 

PARTE 6


PARTE 7


PARTE 8


PARTE 9

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Comunismo, a ótima ferramenta do totalitarismo

Por Mr MacColin

Ah, a doce visão de mundo criada pela esquerda! E como é fácil sucumbir ao belo canto da sereia comunista. Todos os males econômicos  e sociais do mundo teem responsáveis identificáveis. Existem pobres porque existem ricos; faltam recursos porque alguém os possui em excesso; os juros são altos pois os banqueiros lucram e os politicos se financiam; há fome pois há agroexportação; falta terra para índios e desabrigados pois há latifundiários; há desigualdade social pois existem o capital e o capitalismo; os impostos são insuficientes aos projetos sociais porque o imperialismo yankee nos impõe a dívida externa; o trabalhador é explorado pois o sistema capitalista favorece os detentores da propriedade e do capital.

A última vez que me deparei com tamanha asneira foi em um ponto de ônibus da Tijuca. Lá estavam pendurados alguns panfletos intitulados "Não Votar!", com a tão conhecida foice-e-martelo impressa a um canto e assinados pelo Comitê Popular Revolucionário Clandestino. Bem que eu tentei resistir e não pegar um exemplar de papel-de-bunda, mas o desejo pelo auto flagelo foi maior. Peguei a maldita folhinha e a levei para casa.


Transcreverei alguns trechos do manifesto e os comentarei com base nas seguintes considerações. A organização econômica a que estamos vinculados é o capitalismo, ou seja, obedecemos aos princípios da propriedade privada, da livre competição e da liberdade. Qualquer revolução que nos mova deste alinhamento nos isolará do resto do mundo capitalista e nos alinhará à Coréia do Norte, Venezuela , Cuba e China. Dessa forma, é essencial que não misturemos as duas organizações ao discutirmos suas propostas; irei comentar as criticas feitas ao capitalismo, usando o contexto capitalista e comentarei as propostas comunistas em um novo cenário, o socialismo. Por falta de critérios pré determinados, certos termos como ricos, pobres, riqueza e burguesia, são interpretados por cada leitor de forma diferente de acordo com sua condição econômica e seu alinhamento ideológico. Estas palavras genéricas servem bem à intenção dos manifestantes comunistas pois adapta os anseios do leitor à sua corrente de pensamento, mesmo que estes sejam divergentes em sua essência. Para evitar esta armadilha, desconsiderarei a "luta de classes", esta simplificação das dinâmicas social e econômica existentes que propõe duas classes opostas,confundindo casta com classe, e considerarei o conceito de classes econômicas usado pela FGV*, assim como considerarei também o princípio econômico da escassez de recursos ao discorrer sobre riqueza. Em palavras mais competentes, corroboro minha posição citando Ludwig von Mises:

"As pessoas aceitam o socialismo do ponto de vista de suas próprias idéias. Elas estão inteiramente convencidas de que um sistema socialista irá proceder precisamente no modo pelo qual elas mesmas gostariam de proceder. Elas estão inteiramente convencidas que todas as outras pessoas deveriam ser forçadas a adaptarem-se a este sistema, o qual certamente elas consideram como o melhor e o único sistema possível. Quando falamos sobre o Socialismo nós assumimos, se estamos a favor dele, que o sistema socialista irá funcionar precisamente no modo pelo qual o indivíduo socialista quer que ele funcione. Nós então assumimos que este sistema, este método, irá trazer precisamente aqueles resultados e aquelas situações que este indivíduo apoiador da idéia socialista quer que sejam obtidos."

Dito isto, passemos aos trechos do manifesto:

1) "(...)votar é apoiar as classes exploradoras e seu velho Estado que há séculos oprimem e mantêm o povo na miséria, entregando as riquezas de nosso país para as potências estrangeiras."

Nesta parte o Comitê dá a entender que a escolha democrática dos representantes do povo por meio das eleições é necessariamente apoiar um sistema de exploração. Desconsidera desta maneira a diversidade de correntes políticas e introduz disfarçadamente em seu cerne o germe do totalitarismo e da intransigência política. De forma simples e taxativa anuncia que qualquer representante que não seja ele, o autor do manifesto, é um explorador.  


Por classe exploradora consideram aqueles que possuem os meios de produção e qualquer forma de poder, de controle social. Não é explicado como o partido único comunista seria diferente neste ponto, no caso de vigorar um governo socialista.

A manutenção do povo na miséria é dita por Marx como fruto dos salários de subsistência do sistema capitalista, que levariam por fim ao empobrecimento geral dos operários e por conseguinte à falência do capitalismo. Contudo, na verdade, o que se vê é o aumento ininterrupto dos salários reais e a ascensão das classes econômicas mais baixas, exceto nos casos de hiperinflação, corrupção, regime ditatorial e monopólio. Os casos em que ocorrem o empobrecimento geral da população em detrimento dos esforços meritocráticos da sociedade, são tratados como desajustes do sistema capitalista e tratados como tal, seja por políticas econômicas, seja pelo próprio mercado.

A entrega de riquezas aos estrangeiros pode ser vista de forma simplista como um atentado à nação. Primeiramente devemos identificar o que é riqueza. Um conceito ultrapassado de riqueza é o do metalismo, no qual são consideradas as reservas de metais preciosos para contabilizar a riqueza de um país. O conceito mais usado hoje considera os bens e serviços produzidos e pode ser contabilizado pelo PIB. Há outras formas de se considerar riqueza, como pela visão da economia solidária que mostra como a solidariedade pode diminuir o PIB e como algumas catástrofes podem aumentá-lo. Irei usar o conceito mais comum, que equivale o PIB à riqueza de um país. Neste trecho, vemos claramente a intensão de mal interpretar as ações nacionais, transformando o comércio exterior fruto das vontades individuais, em escambo colonial sendo a parte perdedora a pseudo colônia (o Brasil). Evitam desta forma, mostrar as benfeitoras produzidas na indústria nacional e nos lares das familias, por meio de oferta de bens inexistentes no mercado doméstico e essenciais à produção industrial nacional, e de bens de consumo mais competitivos e, muitas vezes, de maior qualidade ou diversidade. Negar portanto o comércio exterior é, mais uma vez, negar a liberdade individual em prol de uma planificação das condições economico-sociais niveladas por baixo e mantidas nos patamares de origem por força maior.
   

2) "Votar é consentir esta vergonhosa situação que aí está, que em verdade é a ditadura da burguesia e dos latifundiários, serviçais do imperialismo, principalmente ianque (norte-americano). Sistema de privilégios absolutos dos ricos e de injustiças e engano para os pobres."

Sem apontar quem são os representantes da burguesia a fim de incluir a maior parte dos leitores possivel, o Comitê cria o inimigo nacional, responsável por toda e qualquer mazela existente a qualquer momento da história do país, sendo comum a imputação de responsabilidade histórica, ou seja, retroativa e até pré-parto. A criação do inimigo nacional apela inclusive para o perigo da defesa nacional e acende no íntimo do leitor o ufanismo xenofóbico de seus antepassados. Típico de uma teoria da conspiração, o culpado pela traição à pátria é ligado aos interesses do dono do Dólar. Não lembram no entanto, que o fascínio pelo dólar e pelos Estados Unidos vem da vaga lembrança do sistema no qual estamos incluidos e que faz desta moeda estrangeira uma importante ferramenta estabilizadora da economia. Por fim, o inimigo é taxado como traidor e ditador (mesmo estando de acordo com as leis vigentes no país e respeitando a regra do jogo econômico), e as entrelinhas deixam escapar deste trecho que o mérito individual, a labuta e a justa remuneração em forma de lucro somente fazem parte da vida dos ditadores burgueses.

3) "Essa democracia burguesa-burocrática é um sistema de 'partido único', do partido dos exploradores, dos bilionários e sanguessugas."

Para não repetir a mim mesmo, replicarei este trecho com questionamentos diretos à ideologia comunista. O partido único socialista seria melhor em que do tal "partido único" burguês? A falta de opções e de liberdade de escolha não seria infligida da mesma forma? O que impede a formação do verdadeiro partido comunista em uma sociedade livre e democrática, como esta em que vivemos? Qual a falta de mérito na acumulação pecuniária bilionária de um individuo que o faz por seu esforço e por sua herança, de maneira honesta segundo os principios e as leis vigentes? Como uma sociedade comunista seria menos burocrática do que a tão dita democracia burguesa, sendo ela por si só a encarnação do Estado soberano? Como pode um governo liberal de estado mínimo ser mais burocrático do que o governo socialista de partido único?

Citando novamente o mestre Ludwig von Mises: "Marx foi incapaz de levar em consideração o fato de que a evolução das grandes empresas e suas unidades comerciais não necessariamente envolve a concentração de riqueza em poucas mãos. As grandes empresas são, quase que sem exceção, corporações — precisamente porque elas são grandes demais para que poucos indivíduos sejam inteiramente os proprietários delas. O crescimento das unidades comerciais ultrapassou em muito o crescimento das fortunas individuais. Os ativos de uma corporação não são idênticos à riqueza de seus acionistas. Uma parte considerável desses ativos, o equivalente a ações preferenciais, títulos corporativos emitidos e empréstimos levantados, pertence virtualmente, senão no sentido do conceito legal de propriedade, a outras pessoas — a saber, os donos dos títulos, das ações preferenciais e os credores das dívidas. Onde essas ações e obrigações são mantidas por bancos e companhias de seguro, e esses empréstimos foram concedidos por esses bancos e companhias, os virtuais proprietários são as pessoas clientes dessas instituições. Da mesma forma, as ações ordinárias de uma corporação não estão, via de regra, concentradas nas mãos de um homem. Quanto maior a corporação, mais amplamente distribuídas estão suas ações."

4) "Qualquer manifestação popular em defesa dos mais elementares direitos é brutalmente reprimida. Os aparatos policiais já não se contentam mais em espancar o povo com cassetetes e gás lacrimogêneo, agora a ordem é atirar. Nunca a polícia matou tanta gente pobre na cidade e no campo. A matança de jovens tornou-se rotina."

Com esta afirmativa, percebe-se o engodo maior que o manifesto poderia lançar mão: a mentira. Há muito não se vê tal afronta às liberdades individuais neste nível tão baixo. Talvez a ação da polícia a que tenha se referido o autor seja consequência da inobservância dos manifestantes comunistas às regras vigentes. Talvez não tenham eles notificado a Guarda Municipal com antecipação a fim de organizar melhor o trânsito e assim não causar transtornos maiores àqueles que nada querem ter com o manifesto. Ou talvez, os manifestantes inebriados pelo furor juvenil característico das massas de manobra estudantis tenham excedido as suas manifestações e tentado invadir algum local privado.

5) "Os preços dos alimentos, remédios e outros bens de primeira necessidade não param de disparar, a inflação corrói a economia popular e as absurdas taxas de juros continuam sendo as maiores do mundo."

Em completo desacordo com as regras econômicas tanto de esquerda como de direita, o autor afirma que a inflação corrói o poder de compra da população como se isto fosse gerado por má intenção do inimigo da nação, e não por uma lógica econômica. 
Outro absurdo tipico da falta do saber e do interesse pelo mesmo é afirmar que os juros altos só os são desta forma para o maior lucro dos banqueiros. Mais uma vez, ignoram a isenção do Copom e do Bacen frente às politicagens, assim como a meta da manutenção das taxas de inflação baixas e a manutenção de reservas internacionais contra intempéries econômicas externas. Nada é feito sem motivo ou cálculo prévio, caros comunistas!   
Para elucidar mais um pouco cito exaustivamente Ludwig von Mises:''Na execução dessa tarefa, ele iniciou seu raciocínio pela espúria 'lei de ferro dos salários' — de acordo com a qual o salário médio é aquela quantidade específica dos meios de subsistência absolutamente necessários para permitir, de maneira escassa, que o trabalhador possa sobreviver e criar sua prole. Essa suposta lei já foi, desde então, inteiramente desacreditada, e até mesmo os mais fanáticos marxistas já a abandonaram. Porém, mesmo que alguém estivesse disposto, pelo bem da argumentação, a dizer que tal lei é correta, é óbvio que ela não poderia de maneira alguma servir como base para uma demonstração de que a evolução do capitalismo leva ao empobrecimento progressivo dos assalariados.

Se, sob o capitalismo, os salários são sempre tão baixos a ponto de, por razões psicológicas, não poderem cair ainda mais sem que isso extermine toda a classe de assalariados, é impossível manter a tese apresentada pelo Manifesto Comunista de que o trabalhador "se afunda mais e mais" com o progresso da indústria. Como todos os outros argumentos de Marx, essa demonstração é contraditória e autodestrutiva.  Marx jactava-se de ter descoberto as leis imanentes da evolução capitalista. A mais importante dessas leis, segundo ele próprio, era a lei do empobrecimento progressivo das massas assalariadas. É o funcionamento dessa lei que ocasionaria o colapso final do capitalismo e a emergência do socialismo. Quando essa lei for entendida como totalmente espúria, as bases tanto do sistema econômico de Marx quanto de sua teoria da evolução capitalista estarão acabadas."


6) "As doenças antes eliminadas voltam em ondas de epidemias matando centenas de crianças e adultos em todo país. O sistema educacional e de saúde públicas tem sua estrutura material sucateada (...), decai a qualidade dos serviços e se definham bombardeados pelas políticas ditadas pelo Banco Mundial."

Desta parte, não me confrontarei com as trombetas apocalípticas do Comitê que responsabilizam a ditadura burguesa pela insistência das doenças em flagelar a raça humana. Falarei apenas que desde o fim do periodo FHC e o inicio do governo Lula, o Brasil conseguiu se desprender dos desmandos do BIRD, do BID, do Eximbank, do FMI e de tantos outros. Portanto, creio que o Comitê precisa se atualizar, sair um pouco de casa, respirar o ar puro e enxergar o mundo pós século vinte.


7) "Acabar com este velho Estado, esta verdadeira máquina de corrupção, varrer o atraso e a secular pilhagem estrangeira sobre a Nação."

Não me recordo de uma só nação comunista que sirva de exemplo de progresso científico e tecnológico. Mesmo aqueles pequenos progressos feitos na antiga URSS, foram alcançados por meio da força da ditadura comunista e portanto não recebe os méritos do esforço honesto de um verdadeiro cientista.

8) "Só a revolução dirigida pela classe operária através de seu autêntico Partido Comunista, apoiando-se na Frente Única das classes oprimidas e revolucionárias (operários, camponeses, estudantes e intelectuais honestos, pequenos e médios proprietários), baseada na aliança operário-camponesa e no Exército Popular para levar a luta armada revolucionária da Guerra Popular Prolongada, poderá destruir o podre e velho Estado de grandes burgueses e latifundiários, serviçais do imperialismo e todo seu corrupto sistema de governo e estabelecer a República Popular de Nova Democracia e passar ininterruptamente ao Socialismo."

Por fim, deixo este último trecho sem comentários, afinal quem poderia defender uma guerra civil em pleno ano 2010, seja por qual motivo for?



*Classes Econômicas:
Classe AB -> população com renda domiciliar per capita acima de R$ 4807.
Classe C -> população com renda domiciliar entre R$ 1115 e R$ 4807.
Classe D -> população com renda domiciliar entre R$ 804 e R$ 1115.
Classe E -> população com renda domiciliar até R$ 804.


Fontes:
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=750

http://libertatum.blogspot.com/2006/01/socialismo-vs-economia-de-mercado.html

http://www.sinprorp.org.br/clipping/2008/081.htm

Papa Bento XVI contra o perigo das políticas abortistas no Brasil

VISITA "AD LIMINA APOSTOLORUM" DEGLI ECC. MI PRESULI DELLA CONFERENZA EPISCOPALE DEL BRASILE (REGIONE NORDESTE V)

Alle ore 11 di questa mattina, il Santo Padre Benedetto XVI incontra i Vescovi della Conferenza Episcopale del Brasile (Regione NORDESTE V), in occasione della Visita "ad Limina Apostolorum".

Pubblichiamo di seguito il discorso che il Papa rivolge loro:

DISCORSO DEL SANTO PADRE: 

Amados Irmãos no Episcopado,

«Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Lendo os vossos relatórios, pude dar-me conta dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente má e incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o "Compêndio da Doutrina Social da Igreja"» (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baía da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade.

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.


Fonte: http://press.catholica.va/news_services/bulletin/news/26281.php?index=26281&lang=po

sábado, 23 de outubro de 2010

Pluralismo, Multiculturalismo e tolerância

Por Percival Puggina

Dias atrás, durante entrevista a uma emissora de rádio sobre meu novo livro "Pombas e Gaviões", perguntaram-me se eu era contra o pluralismo, o multiculturalismo e a tolerância. A resposta foi um triplo "não". Não, não e não. Cada qual com o seu devido "mas".


O pluralismo é um dado da realidade. Ser contra o pluralismo é negar a liberdade humana e recusar o fato de que as pessoas veem a realidade desde diferentes pontos de vista e a escrutinam segundo critérios distintos. Mas... isso não significa adotar uma atitude passiva no contexto do pluralismo, como se todas as ideias fossem igualmente corretas. Não são. O pluralismo adquire valor na exata proporção em que as várias correntes de opinião conhecem seus próprios fundamentos e as marcas deixadas pelas respectivas experiências ao longo do processo histórico. Ou seja, caro leitor: pluralismo é coisa séria, não se confunde com somatório de palpites, pressupõe honestidade intelectual, firmeza de convicções, sentido de história e possibilidade de confronto retórico e político. O que no Brasil chamamos de pluralismo é uma coisa volátil como fumaça - os achismos de cada dia - soprados por meia dúzia de plantonistas da tal opinião pública. Coloque-se um microfone na boca do transeunte para ouvir o que ele pensa e pronto: parece entrevista com a Dilma. Dificilmente se recolhe uma sequência congruente de ideias. Sabem-no muito bem os pesquisadores. Não se introduza num questionário perguntas em que qualquer resposta deva guardar coerência com a precedente. O trabalho resultará perdido por inconsistência das informações obtidas.

Isso acontece por deficiência educacional e cultural, é claro, mas sob o ponto de vista político, também ocorre porque o sistema adotado pelo país serve para qualquer coisa, menos para formar e organizar correntes de opinião. Os partidos e suas condutas erráticas em torno das lamparinas do poder são a imagem mais visível desse pluralismo anarquizado que caracteriza o pensamento nacional (se é que existe algo que mereça esse nome).

O multiculturalismo é outro dado da realidade, transversal à história humana. Mas ... reconhecer que convivemos com diversidades culturais, não equivale a afirmar que todas as culturas têm o mesmo valor e conferem a mesma dignidade à pessoa humana. Não! Existem culturais desrespeitosas a essa dignidade, que violentam valores fundamentais. Os relatos de Ayaan Irsi Ali, no livro "Infiel", retratam bem o que afirmo. Essa somali, após passar por todas as violências e mutilações a que são submetidas as mulheres naquela região da África, fugiu para a Europa quando pretenderam casá-la contra sua vontade. Foi parar na Holanda, onde se destacou no grupo dos refugiados. Convivendo com eles, na condição de tradutora, percebeu que as mulheres continuavam submetidas às práticas brutais e indignas de suas clãs originais e que as autoridades holandesas, em respeito ao multiculturalismo, toleravam a situação. Ayaan reagiu contra isso, mobilizou a opinião pública e acabou tornando evidente ser intolerável que seres humanos de qualquer grupo cultural, acolhidos em território holandês, fossem submetidos a violências condenadas pela legislação do país. Foi tão bem sucedida em sua mobilização que acabou deputada. Bastaria esse exemplo, e eles se contam aos milhões, para mostrar que existem práticas culturais deploráveis, que diferentes culturas não costumam ser moralmente equivalentes e que algumas, inclusive, precisariam ser retificadas pelo muito que afrontam a vida e a dignidade da pessoa humana. Só uma percepção miserável dessa dignidade, associada a uma completa cegueira moral pode obstruir a percepção dos terríveis dramas associados a determinadas práticas culturais. Como disse um amigo meu, professor universitário para a aluna que o procurou afirmando não haver relações de superioridade ou inferioridade entre diferentes culturas: "É, minha filha, gilete no clitóris das outras é refresco".

A tolerância, por fim, é um importante valor social. O convívio fraterno e solidário entre os diferentes é sua principal consequência e a igual dignidade de todos, seu maior fundamento. Mas... a tolerância não se confunde com a permissividade que costuma andar associada à sua atual concepção entre nós. A tolerância com o intolerável, a tolerância para com quem se vale dela com vistas ao seu próprio agir intolerante, deixa de ser uma virtude social para se tornar um comportamento irresponsável e condenável. É muito comum que, em nome da tolerância, a sociedade contemple de modo passivo a violência que pisa no jardim do vizinho, que invade sua casa, que o prende e o leva. Ou, no viés político, é intolerável a tolerância para com os partidos que pregam e estimulam a violência, valendo-se da democracia para agir contra a democracia.

"Pombas e gaviões" ( pombasegavioes@puggina.org Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ), o livro que debatíamos naquele programa a que me referi inicialmente, é uma obra que se dedica a promover tais advertências, prestando um serviço ao verdadeiro pluralismo (consciente e esclarecido), ao verdadeiro multiculturalismo (que recusa toda agressão à dignidade natural da pessoa humana ainda que fundada em tradições de base cultural) e à verdadeira tolerância (que sabe discernir o que pode e o que não pode ser tolerado).



Texto retirado do site Midia Sem Mascara:  http://www.midiasemmascara.org/artigos/conservadorismo/11541-pluralismo-multiculturalismo-e-tolerancia.html

Hora de acordar

Por Arthur Dutra

Chega de brincadeira, vamos falar a verdade!


Todos os dias somos bombardeados com as notícias das mais escabrosas sobre estas eleições. A última foi a agressão sofrida pelo candidato José Serra no Rio de Janeiro, perpetrada por militantes do PT.

Às favas aqueles que votam em Dilma, em Lula e no PT porque no país está circulando um dinheirinho a mais, e porque tem concursos públicos pra quem quer uma boquinha estatal!

Será que ainda não deu pra perceber que esse PT não está aí pra respeitar as regras do jogo democrático? A dissimulação desta gente beira o inacreditável e desestabiliza até os mais tranquilos. Usam e abusam impunemente da velha máxima leninista de acusar o adversário daquilo que eles mesmos fazem.

Eleger essa gente para mais 4 anos de governo é premiar a deslealdade, a truculência, o total desapego à verdade e à democracia e dar o aval para a implantação de um regime socialista nos moldes de Cuba e Venezuela.

Estou cansado de ouvir sobre os "grandes feitos" do Governo Lula, e me dói nos ouvidos quando dizem que esse sujeito já pode ser considerado o maior presidente que o país já teve.

Vejam que eles já se apropriaram de tudo de bom que foi feito no passado, retroagindo até a época de Getúlio Vargas. Não se assustem se aparecer algum petista atribuindo a independência do Brasil a algum antepassado distante do Lula... Tudo é possível na cabeça desse pessoal. Para eles a verdade não tem nenhuma importância, desde que ela esteja do seu lado. São capazes de transformar uma mentira em verdade só pra justificar seus atos criminosos. Pior: todos os atos criminosos por eles praticados são, na cabeça deles, justificáveis porque o fim (implantação de um regime socialista/comunista) é mais importante do que os meios utilizados para tanto.

Vou ser bem claro agora: prefiro muito mais um político que "somente" desvia uma verbinha de uma obra qualquer do que essa gente criminosa que tomou de assalto o Brasil. Justifico.

Eles não pretendem somente enriquecer às custas do Estado. O que eles querem é o poder total sobre todo o país, porque se acham capacitados para dizer o que é bom e o que é ruim para todo mundo. É a tal mentalidade revolucionária, que, levada ao paroxismo, produziu as maiores catástrofes humanas que se têm notícia, tais como a Revolução Francesa, o Nazismo, e o horrendo Comunismo na Rússia, China, Cambodja, Cuba e outros. Somando as pessoas mortas por esta gente que se diz defensora de uma ideia, chegamos à impressionante marca de 100 milhões de pessoas! Sendo 40 milhões na Rússia e 70 milhões na "democrática" China, que ainda conserva este regime genocida até os dias de hoje.

Além do mais, o político tradicional ainda é sensível à voz da sociedade, enquanto o petista só se submete às ordens do Partido e age, sempre com violência, por meio de sua raivosa militância (http://www.midiasemmascara.org/artigos/movimento-revolucionario/10670.html).

Repito: não me interessa tanto que o país esteja bem economicamente. Quero mais um país em que um cidadão possa ir e vir sem ser interpelado por um policial por portar um panfleto com mensagens anti-Dilma. (http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/alemanha-de-hitler-ou-cuba-dos-irmaos-castro/)

Quero mais um país em que o cidadão tenha respeitada a sua privacidade e não seja acusado por denunciar uma violência por ele sofrida. (http://coturnonoturno.blogspot.com/2010/10/pf-anuncia-o-obvio-ululante-campanha-da.html)

Quero um pais em que o Estado não interfira em tudo na vida do cidadão (http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2010/07/projeto-de-lei-livra-criancas-de-palmadas-e-beliscoes.html).

Quero um país em que as pessoas se preocupem, pelo menos um pouco, com a situação da nação e não só com os ganhos pessoais que terão em caso de vitória deste ou daquele candidato.

Quero um país em que o Estado respeite a propriedade privada e que não financie "movimentos sociais" que têm como bandeira o ataque à propriedade rural (http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u634093.shtml).

Quero um país em que o Presidente da República não seja contumaz em pregar o ódio entre ricos e pobres (Bolsa Família), brancos e negros (Cotas Raciais), homens e mulheres (defesa do aborto), homossexuais e heterossexuais (criminalização da homofobia), situação e oposição etc.

Parece que estamos no país imaginário do clássico livro "1984" de George Orwell, onde a regra era o "duplipensar", ou seja, falar uma coisa para dizer exatamente o contrário! "Fala-se em liberdade para matá-la, em democracia para destruí-la, em legalidade para negá-la na sua própria essência", para usar as palavras de Carlos Lacerda. Recomendo esta leitura como de primeira necessidade para os dias atuais.

Já são vários os "manifestos" em favor da candidata do PT (universitários, advogados, servidores públicos, "intelectuais" etc). A única constante em todos eles é que são assinados por pessoas/categorias que sempre defendem a candidatura Dilma porque tiveram ou terão algum benefício direto com sua eleição ou são dominadas pela militância petista. Ou seja, a maioria das pessoas votará nela por mero interesse pessoal ou determinação do partido, mandando para as calendas a manutenção da ordem democrática, o respeito aos valores fundantes da sociedade e a brutalidade usada por esta gente para nao abrir mão do poder.

Temos que botar na cabeça que uma ditadura não existe só quando um Militar dá um golpe de estado e passa a governar com uma chibata na mão para perseguir os opositores. Hoje as ditaduras são bem mais sutis e nos pegam nos pequenos atos...

Entendo, por fim, que caso Dilma e o PT vençam, será a vitória do oportunismo, do clientelismo, do ódio e do autoritarismo, em detrimento dos valores, da democracia e do desapego dos interesses pessoais em favor da manutenção de um ambiente de paz na nação.

Depois não reclamem...
 
 
Texto retirado do site Midia Sem Mascara: http://www.midiasemmascara.org/artigos/eleicoes-2010/11537-hora-de-acordar-tirando-a-pele-de-cordeiro-do-lobo.html#comments

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Recolhendo-se à Casa Verde

Por Mr MacColin

Eu não estou mais de acordo com o meu mundo. Vivo em um lugar que não se reflete em meus olhos como o é na realidade objetiva. E, apesar desta discrepância, não consigo admitir minha inabilidade como observador; não consigo enxergar a realidade como ela de fato é mesmo ciente da distorção ocular ocorrida em meus sensores defeituosos. É como viver em uma Matrix, consciente de sua falsidade, e no entanto incapaz de se desprender da fantasia.

Exemplificarei meus sintomas para esclarecer a gravidade da minha situação.

É de conhecimento geral que as operações de Choque de Ordem em conjunto com a PMERJ e a Guarda Municipal são responsáveis pela organização da cidade do Rio de Janeiro. São elas que retiram os ambulantes ilegais das ruas, apreendem os automóveis estacionados de forma irregular, multam os motoristas bêbados, recolhem os táxis em desacordo com as normas da SMTR, reprimem os ilegais pontos de mototáxi, e tantas mais ações.

O que antes era um caos fruto do descaso, após a eleição do governador Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes tornou-se uma cidade limpa e organizada, digna de ser chamada novamente de Cidade Maravilhosa.

Ora, disso todos sabem. Está noticiado pelos principais jornais e telejornais, é observado rotineiramente pelos cidadãos cariocas e sul-fluminenses, e já deve estar até nos livros mais fundamentais das escolas públicas e privadas.

Como que, apesar de todas as provas tão palpáveis anteriormente apresentadas, ainda posso não reconhecer o que se passa a minha volta? Que ilusão de ótica é esta que me aflige, capaz de me fazer ver o que não existe!

Quando saio de casa vejo cenas incríveis que somente os olhos nublados pela insanidade são capazes de imprimir na mente das pessoas. Vejo, por exemplo, um ponto de mototáxi na minha rua, acompanhado por pelo menos cinco ambulantes não autorizados pela prefeitura. Vejo também, a quase cinquenta metros, um posto do 6º BPM habitado por um policial militar deste mesmo batalhão que apesar da proximidade das infrações vistas por mim, nada faz. Para não ser injusto, corrijo-me dizendo que ele por vezes até faz algo, consome um cachorro quente ou um churrasquinho no espeto e bate papo com os mototaxistas.

Alguns bairros a frente, vejo coisas ainda piores! Imaginem que posso enxergar em meus devaneios mais bizarros alguns guardas municipais, que deveriam coordenar o trânsito matinal, impedindo o acúmulo de carros e ônibus nos cruzamentos das principais avenidas (como a Av. Presidente Vargas), de costas para o dever funcional ou falando ao telefone. Estão coordenando verdadeiros engarrafamentos e parecem estar se especializando com maestria no que fazem.

E não para por aí. Por todo lugar do centro da cidade aos bairros da zona sul e da zona norte posso ver guardadores de carros (flanelinhas) "organizando" o estacionamento de automóveis em áreas livres de cobrança ou em locais proibidos para estacionamento. E qual meu espanto quando vejo que estes "profissionais" cobram uma taxa aos seus "clientes", agindo como donos de propriedade pública, e agem desta forma também na frente das viaturas militares que rondam a cidade.

Poderia seguir narrando as minhas visões, mas creio ter-me feito entendido com estas breves exemplificações. Afinal, não é propósito do blog criar uma série de relatos em formato de novela-sem-fim como um Bernard Cornwell senil.

Sendo assim, por ser parte de uma minoria que enxerga na mesma paisagem aspectos diferentes do percebido pela maioria, julgo-me vítima de alienação mental. E como poderia ser outra coisa sem encarcerar a maior parte da população, os maiores jornalistas, os mais capazes intelectuais e os melhores políticos no manicômio mais próximo? Isto só seria possível caso fosse um caso de alienação machadiana; e mesmo que assim fosse, terminaria mal ou bem, por encarcerar-me na Casa Verde.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Mais do mesmo

Negócio chato esse tal de Youtube!

Por Klauber Cristofen Pires

Ludwig von Mises afirmava acertadamente que a história nunca se repete: sempre entra algum ingrediente novo nas circunstâncias, nos motivos ou nos meios. Parece que as esquerdas perderam o seu timing. Ora, ora, que saudades melancólicas daqueles tempos em que se podia fazer uma revolução em paz.


Ano de 2003: passados seis meses de governo sem ter dado sequer uma declaração ou entrevista espontânea à imprensa, o Presidente oriundo do Partido dos Trabalhadores organiza uma entrevista coletiva preparada com todos os rigores do protocolo cubano: apenas uma pergunta por repórter, enviada com antecedência e selecionada previamente pela equipe do Cerimonial. Nada de réplicas. À última e única pergunta que poderia ter significado alguma crítica ou questionamento sobre a qualidade do seu governo, Lula responde cinicamente que o seu único arrependimento foi o de não ter feito tantas coisas boas quantas gostaria de fazer. Lula não queria papo com o Brasil.

Só foi querer quando explodiu o mensalão. Até lá, a imprensa não passava de uma extensão do Diário Oficial ou pior, um apêndice do seu partido.

De lá para cá, mentir tem ficado mais difícil. Até poucos anos atrás, flagrantes de contradição ou de malfeitos dependiam do acesso a arquivos de acesso restrito, que muito bem podiam ser monitorados na fonte, i.e., nas edições das grandes redes de tevê, bem como, por isto mesmo, dependiam também de recursos financeiros elevados para serem divulgados. Os magnicídios cometidos nos regimes comunistas soviético, chinês e cambojano puderam ser acobertados pela simples monitoração de uns poucos diplomatas e jornalistas para lá enviados e convenientemente cercados de cenas pré-fabricadas ou simplesmente subornados.

Entretanto, com a chegada do YouTube e outras facilidades semelhantes, basta um reles aparelho celular na mão de qualquer um para que em pouco tempo a notícia - ou a memória dela - sejam compartilhadas por milhares ou milhões de pessoas. É esta imensamente disseminada liberdade criada pelo capitalismo o que assusta o PT e o que faz propugnar pelo que chama de "controle social" dos meios de comunicação.

Não fosse por isto, de que outro modo poderíamos comprovar com os nossos próprios olhos a fala de Lula a se declarar contrariamente aos benefícios que deram origem ao bolsa-família, acusando os pobres de votarem "com o estômago", e logo em seguida confrontar o mesmo protagonista em outra situação, desta vez como Presidente, a afirmar que tem gente que tem "raiva de pobre" e que chamam o benefício de esmola?

Será que, com a tevê pautada pelo partido hegemônico, teríamos o largo acesso às imagens de Dilma Roussef afirmando categoricamente ser favorável à legalização do aborto e logo em seguida confrontar tais imagens com as gravações recentes em que se finge de pia cristã devota do santo-do-pau-oco?

Como teríamos tido conhecimento da íntegra dos pronunciamentos do Pastor Piragine Jr, do Arcebispo da Paraíba, e das homilias dos Padres Paulo Ricardo e José Augusto? Só para constar, juntos, estes vídeos já ultrapassaram milhões de acessos, enquanto que absolutamente nenhuma rede de tevê os divulgou até o presente momento.

Tenho que o PT perdeu o timing para fazer a revolução tão esperada. Entrou um fator novo, a demonstrar por imagens auto-evidentes o que mil palavras não bastariam. Em 2002 e 2006, este fator novidadeiro já existia, mas não na profusão dos dias atuais.

Cuidado, ó jornalistas engajados e vendidos! Cuidado, ó jornalistas negligentes! Agora vocêm devem mostrar seus serviços, pois a falta deles...pode não fazer falta! Cuidado, enfim, ó brasileiros, eis que nunca tiveram tantos instrumentos à disposição para enxergar as mentiras, falcatruas e iniquidades perpetradas pelo Partido dos Trabalhadores e suas siglas congêneres.



Texto retirado de: http://www.midiasemmascara.org/artigos/eleicoes-2010/11518-negocio-chato-esse-tal-de-youtube.html

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Governo Totalitário

Por Ipojuca Pontes

Com a possível ascensão de Dilma Rousseff à presidência da República neste segundo turno, ainda indefinido, mas tendo como certa a conquista da maioria parlamentar, pelo atual governo, nas duas Casas do Congresso Nacional, a pergunta que se torna obrigatória é a seguinte: quanto tempo vai levar para que se estabeleça no Brasil, sem disfarces, a prolongada ditadura da esquerda - radical ou não?


De início, convém lembrar que antes mesmo de saber se o PT e os partidos da base aliada comporiam a maioria no Congresso, tanto na Câmara quanto no Senado, o vosso Lula da Silva já tinha como certa a fusão das legendas do PT, PCdoB, PSB, PDT (e outros que tais) para formar uma Frente Ampla ideológica com o objetivo de não apenas dar sustentação política ao futuro governo, mas, em especial, mudar a Constituição ora vigente no país.

(No histórico, a formação de um partido único somando todas as forças e agremiações políticas de esquerda para afunilar as oposições e, depois, liquidar a democracia, foi sempre um velho programa leninista).

Na ordem prática das coisas, segundo o ex-blogueiro César Maia, um entendido em contas eleitorais e candidato derrotado a Senador pelo DEM-RJ, a partir de 2011 os partidos do bloco governista controlarão (no mínimo) 73% das cadeiras da Câmara e do Senado Federal - um percentual mais que suficiente para aprovar sem dificuldades, a partir da articulação da Frente Ampla de esquerda, uma reforma constitucional.

Como a confirmar os prognósticos da formação da Frente Ampla esquerdista, corolário do partido único, Carlos Lupi, antigo puxa-saco de Brizola e atual presidente nacional do PDT, deu a conhecer, no jornal "Estado de São Paulo", o empenho de Lula em articular a unívoca máquina parlamentar, a ser acionada em 2011: "O presidente é um líder nato e, independentemente de ser presidente da República, terá forte influência entre todas as forças populares e democráticas de esquerda".

Mais afoito, Eduardo Campos, sobrinho do comunista Miguel Arraes e atual presidente nacional do PSB, abre o jogo: "O presidente, em conversa ao longo de muitos anos, sempre falou que não compreendia porque a gente não era um partido só. Se a gente se reúne na eleição em torno de candidaturas e programas, por que não podemos discutir um programa, uma agenda de desenvolvimento sustentável e as reformas importantes que precisam ser operadas no país"?

E aqui chegamos ao cerne da questão.Definidas as pretensões hegemônicas pelos principais interessados, resta apenas especular sobre quais seriam as "reformas importantes" propostas à nação pelo futuro Congresso Nacional dominado pela Frente Ampla Esquerdista de Lula, Dilma et caterva.

Bem, se não fosse repetir o óbvio, elas simplesmente traduziriam, no âmbito de uma reforma constitucional manobrada pelas esquerdas dentro do Congresso, a inteira adoção do Programa Nacional dos Direitos Humanos - o famigerado PNDH-3, já repudiado em gênero, número e grau pelo grosso (e o fino) da sociedade brasileira.

(Como é mais do que sabido, o PNHH-3 incorpora uma série de medidas subversivas traçadas no seio do Foro de São Paulo, uma Internacional comunista da América Latina que objetiva abrir pela via parlamentar os "caminhos legais" (constitucionais) para se instaurar um governo totalitário no mais importante país do Hemisfério Sul).

Sim, amigos, é fato: para controlar constitucionalmente a nação e estabelecer o império vermelho durante longos anos, o projeto comunista da Frente Ampla parlamentar, tendo por base o PNDH-3, prevê, entre outras preciosidades, o seguinte: 1) o abastardamento das Forças Armadas, única instituição organizada capaz de enfrentar o projeto totalitário; 2) o "controle social" dos meios de comunicação a partir da instalação de comitês e conselhos para classificar, conceder canais e emissoras públicas, distribuir incentivos e punir os recalcitrantes faltosos 3) a supressão do direito de propriedade a partir da criação de comitês especiais para julgar, antes do Judiciário, a invasão de terras por parte dos chamados "movimentos sociais", notadamente pelo MST - Movimento dos Sem Terra -, de caráter maoísta.

Ademais, a reforma constitucional a ser laborada pelas esquerdas compreende, no plano educacional, a revisão dos livros escolares, efetivando uma "nova leitura" de valores e símbolos nacionais a partir de uma exclusiva visão revolucionária; a intensificação do regime de "cotas" nas universidades federais, declarado instrumento de fomento ao racismo; a liberalização do aborto, do casamento homossexual e das drogas, especialmente da maconha; a ampla estatização da cultura, com financiamento prioritário para o artefato "audiovisual", eficaz para a manipulação das massas - para não falar na entrega das terras amazônicas às ONGs internacionais, no aumento da carga tributária para ricos e pobres e no financiamento público dos fundos de campanhas eleitorais.

Os comentaristas políticos da grande mídia acreditam que o PMDB, o maior partido da base aliada do governo, não integrando as hostes da Frente Ampla esquerdista de Lula, poderia representar um forte obstáculo à formação de um governo que pretendesse atuar a partir de uma reforma radical da Constituição.

Não deixa de ser uma perversa ironia que o PMDB, partido tido como "de aluguel", mas de face mais "liberal", pudesse se tornar um obstáculo no avanço de um governo totalitário a se implantar no país.

O problema todo é que fica sempre difícil, ou quando não impossível, acreditar que o PMDB - manobrado por Zé Sarney, Michel Temer e Renan Calheiros e habituado a usufruir nacos do poder - se transforme num efetivo partido de oposição e reaja ao furor do totalitarismo vermelho

Texto retirado do site Midia Sem Mascara: http://www.midiasemmascara.org/artigos/movimento-revolucionario/11505-governo-totalitario.html

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Faça o que eu desdigo, não faça o que eu finjo que digo

Por Mr MacColin


É hora de assuntos polêmicos na mídia e nas ruas. E a legalização do aborto, com certeza, é o tema mais quente em voga no momento. Quais os prós, quais os contras, quais os empecilhos éticos, quais as consequências da legalização, quais instituições estão envolvidas na contenda, e qual a importância deste assunto, são ou deveriam ser algumas das questões a serem verificadas em uma discussão séria acerca do tema. No entanto, o que mais se vê e ouve são críticas às pessoas, suas doutrinas e suas crenças religiosas, julgando os outros à luz dos próprios conceitos éticos e transformando assim o debate em um pólo de cisão da coesão nacional em prol de um fascismo contemporâneo repleto de ódio à diversidade de pensamentos e da liberdade de expressão dos mesmos.

Diversos comentaristas, escritores, politicos, intelectuais de diversas áreas e candidatos à presidente do Brasil já declararam apoio às politicas de saúde pública da mulher abortista. Estariam eles errados ao afirmarem suas posições publicamente e justificarem a decisão seja de que forma for? É claro que em um país democrático e livre não há porquê da pessoa defensora do aborto sentir-se envergonhada, humilhada ou reprimida por declarar-se como tal uma vez que não há, nesta situação, coação de qualquer natureza, exceto a coação íntima, qual seja sua própria consciência (ou inconsciência, de acordo com a doutrina cristã). Dessa forma, não é correto afirmar que alguém está errado por defender o aborto, assim como também não se faz possível dizer que quem quer que seja está ou não errado por ter uma determinada posição sobre a legalização do aborto, de um modo geral.

Esquecendo-se desta liberdade maior, a do pensamento, alguns contendores acusam-se constantemente de forma vazia e fascista. Estes indivíduos desejam, na verdade, a uniformidade de pensamento da população e para tal usam do maniqueísmo baseado nas suas próprias crenças e juízos de valor. Não defendem uma ideia com argumentos, mas atacam aqueles que os fazem oposição transformando-os em representantes do Mal, constrangendo assim os indecisos a aceitarem sua forma de pensar. A última declaração deste tipo foi feita pela candidata do PT, Dilma Roussef, em que afirmou que defender a proibição da prática abortiva é hipocrisia.

Uma pessoa será hipócrita por crer que a vida já habita o feto desde os primeiros momentos da concepção, somente quando praticar ou incentivar a prática do aborto. Vê-se portanto que a quase-ex-abortista Dilma Roussef tenta colar a imagem de “santo-de-pau-oco” nos seus opositores de forma generalizante. Inverte e torce as palavras para mostrar que a "divergência" de pensamentos é fruto de terrorismo eleitoral da oposição quando na verdade é originado da liberdade de expressão e do livre arbítrio individual. E quando, por acaso, recebe alguma repreensão por fazer este jogo politico, vitimiza-se invertendo os papéis de ofensor e ofendido.

Assim como é feito à classe média, bombardeando-a com a responsabilidade sobre a pobreza das camadas sócio econômicas inferiores e gerando o sentimento de culpa por gerar renda para si, a candidata despeja supostas responsabilidades sobre os defensores da criminalização do aborto. Ao desconsiderar a vida do feto, a candidata trata as mulheres que realizam o aborto ilegal e falecem ou teem sequelas devido à intervenção, não como contraventoras mas como vítimas. As isenta da responsabilidade pela escolha de realizar o procedimento abortivo, mesmo sendo este proibido, e transfere a culpa e a responsabilidade para a classe média, que supostamente pode abortar com "segurança" em clinicas privadas, e para a parcela da população que desaprova o aborto.

Com esta úlltima declaração, Dilma provou que é sim a favor do aborto e pretende como presidente do Brasil apoiar o assassínio de vidas indefesas intrauterinas em favor do livre arbítrio das mães abortistas. Não haveria problema algum com esta posição da candidata se junto a ela não imputasse responsabilidade sobre a oposição de maneira generalizante e mentirosa acerca da morte de mulheres abortistas. Afirmar que é hipocrisia não reconhecer a prática ilicita do ato e suas consequências é um esforço por distorcer a realidade e o sentido da palavra hipocrisia.

É antes de tudo, hipócrita, quem acusa os outros daquilo que ele mesmo faz, quem não assume claramente suas ideias e muda de discurso dependendo da plateia. 

Consulta em:
 
http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias/0,,OI4726238-EI15315,00-Dilma+acusa+Serra+de+hipocrisia+no+debate+sobre+o+aborto.html
 
http://www.febnet.org.br/site/movimento_brasil.php?SecPad=24&Sec=570

http://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2010/10/09/dilma-cita-a-biblia-ao-falar-de-aborto-e-ve-hipocrisia-em-quem-finge-que-nao-acontece.jhtm