Por Mr MacColin
Após bastante tempo afastado do blog devido ao intensivo curso de acesso ao mestrado, sinto-me impelido a postar novamente. Desta vez, entretanto, não o faço de maneira confortável - típica de quem escreve como observador de fatos que ocorrem a sua frente - mas como partícipe direto da situação que se delineia.
Em janeiro deste ano comecei a juntar fotos e videos sobre uma denúncia que fiz ao 6º BPM, por meio de email da 5ª seção e do fórum "Polícia do Bairro" da PMERJ. A denúncia era sobre a existência de um ponto de mototáxi em frente à garagem de um prédio em Vila Isabel, e como já escrito aqui por mim, mototaxistas não são permitidos pela prefeitura e sua remoção é obrigação da PM.
Após mais de 5 meses de feita a denúncia, nada ocorreu para que o ponto fosse retirado e o número de motos só aumentou desde então. Eles ocupam parte da calçada, da ciclovia e da rua. O 6º Batalhão da PM não respondeu nenhuma das minhas mensagens, da mesma forma como também não trabalhou como deveria ao receber uma denúncia.
Pois bem, hoje enviei um email para o 6º BPM com uma das fotos (uma das piores, por sinal) em que aparece uma viatura da PM oriunda deste batalhão, parada no ponto de mototáxi, com um dos militares conversando com um dos mototaxistas. Enviei também uma pergunta no fórum da "Policia do Bairro", questionando-os se aquilo que eu via na rua faz parte de uma ação de repreensão aos mototaxistas.
Como eles teem o meu endereço e meu telefone cadastrados acredito que posso ser vítima de retaliação, caso existam realmente corruptos e não somente preguiçosos naquele batalhão. Portanto, deixo registrado no meu blog o que ocorreu, assim como minha intenção de reagir caso seja abordado agressivamente por pilantras mal intencionados.
domingo, 26 de junho de 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
A proibição do 31 de março pela ditadura do "proletariado"
Por Gen Marco Antonio Felicio da Silva
A recente suspensão das comemorações do 31 de Março mostra que valores perenes da Instituição estão mudando e, com eles, a própria Instituição, a qual é um reflexo da sociedade à qual se integra. Esta mudança é parte da criação de uma nova estória, de fundo ideológico, mentirosa, na qual, hoje, os que se autoproclamam "defensores" da democracia, da justiça e dos direitos humanos eram, em verdade, nas décadas de 60 e 70, a maior parte deles, subversivos e guerrilheiros marxistas de variadas tendências. Buscavam por meios violentos, incluso assassinatos e torturas de inocentes, a "ditadura do proletariado" (aliás, como declararam dois importantes ex-ativistas da esquerda revolucionária: Jacob Gorender e Fernando Gabeira).
A mesma estória mentirosa apresenta, àquela época, as Forças Armadas como golpistas e os militares como torturadores, os mesmos que, então, respondendo à insegurança e ao medo da população de ser submetida à tirania comunista, em comunhão com muitos civis, arriscaram, e alguns perderam, suas vidas em defesa da liberdade, da ordem e da paz social, propiciando, ao longo de quase 20 anos, índices de crescimento econômico e de desenvolvimento, período conhecido em todo o mundo como o "milagre brasileiro".
Como contribuição para o fortalecimento dessa estória mentirosa, foi estabelecido o politicamente correto, isto é, ter qualquer opinião, atitude ou comportamento contrário ao que está sendo imposto pela chamada "esquerda progressista" é inaceitável, é ser contrário à democracia e à liberdade. É ser preconceituoso, autoritário e retrógrado.
Paralelamente, intensa ação psicológica tem sido desencadeada, principalmente, sobre a juventude por meio do ensino e da mídia, e sobre a população em geral, manipulando fatos e situações passadas ( vejam, como exemplos, os livros didáticos distribuídos pelo MEC, os quase 8 milhões de CDs, recentemente distribuídos aos alunos do primeiro grau, as centenas de escolas do ódio do MST, programas de TV e, agora, a novela do SBT, assistida por milhões de pessoas), robustecendo os alicerces do que vai se tornando a realidade, nada mais do que deslavada mentira (como a de que lutavam pela democracia) e tremenda inversão de valores.
Tais ações, aliadas à ignorância da grande massa, aos interesses financeiros de alguns aproveitadores da situação, constroem a nova estória, a qual vem se sobrepondo, a cada dia, com maior intensidade, à verdade, até mesmo com o consentimento de quem tem o dever, perante a Nação, de resguardá-la.
Não passaram desapercebidas as palavras do Gen Heleno, após a proibição de sua palestra sobre a data em tela : "Finalmente, quanto à palestra sobre 31 de março de 1964, não iria ferir os princípios da hierarquia e da disciplina, após 45 anos de serviço e no mais alto posto da carreira. Minhas palavras não iriam modificar os fatos, apenas contar a verdade aos mais jovens". (Gen Augusto Heleno Pereira).
Esse discurso, nessa situação de proibição de uma manifestação em defesa da verdade, em comemoração de feito reconhecidamente épico das nossas Forças Armadas, a única do mundo que derrotou amplamente a subversão e as guerrilhas urbana e rural comunistas, nos leva a refletir sobre o verdadeiro sentido dos dois pilares básicos de qualquer organização que busca o sucesso, principalmente aquela que tem sob sua guarda os meios violentos do Estado, a Instituição Militar: disciplina e hierarquia.
A disciplina e a hierarquia militares podem ser comparadas a um edifício, sustentado por colunas traduzidas pelos valores e virtudes, respectivamente cultuados, em conjunto, pela Instituição e, isoladamente, por seus integrantes. Assim, a disciplina e o respeito à hierarquia têm o seu maior nível quando praticadas de forma consciente e voluntária. Neste caso não há a necessidade de coerção. Elas são aceitas, abraçadas como se aceita ou se abraça a fé religiosa. A diferença é que na Instituição Armada não há dogmas nos quais se crê, embora, sem explicação. Aceitamos e abraçamos uma gama de valores e de virtudes. Cremos nos valores e praticamos as virtudes com convicção, tendo sempre como fito maior o bem servir à Nação, seja na paz ou na guerra.
Juridicamente, a disciplina militar pode ser definida como o cumprimento do dever legal. O respeito e obediência aos superiores consubstanciam a hierarquia, o que se torna também exercício da disciplina e, portanto, um dever legal. Por ser a disciplina o exercício legal do dever, suas bases fundamentais estão definidas por leis, decretos, estatutos, e regulamentos, devidamente aprovados por autoridades legalmente constituídas. E as normas legais, inerentes ao estamento militar, privilegiam, como não poderia deixar de ser, os valores e virtudes acima citados. Como exemplo, podemos citar o Regulamento Disciplinar de qualquer uma das forças militares e veremos que valores e virtudes como a verdade, a lealdade, a honestidade, a coragem, o bem-servir, a camaradagem, o exato cumprimento de ordens, posturas e comportamentos que traduzem o respeito à imagem da Instituição e aos superiores, o devido cuidado com a apresentação pessoal, etc., são motivos de elogios ou de punições, no caso do Regulamento, disciplinares. O Código Penal Militar trata da lesão de forma mais grave a esses valores e virtudes que se traduzem por crimes. Por exemplo, a insubordinação, que fere a hierarquia, se comprovada, é crime, passível de pena.
Do acima exposto, podemos concluir que nenhum militar pode ser obrigado, em nome da disciplina e da hierarquia, a fazer algo ilegal ou ter uma conduta ou postura que o leve a ser omisso em relação à verdade, principalmente frente à disseminação da mentira que macula a imagem da Instituição e dos seus integrantes ou tem intenções, até mesmo, criminosas, pois, desagregadoras da Nação.
Que crime ou indisciplina cometeria o Gen Heleno em contar a verdade sobre os fatos ocorridos no passado, hoje escamoteados por interesses escusos e ideológicos, esclarecendo jovens brasileiros em benefício do futuro da Nação ? Crime, de lesa-pátria foi a proibição de fazê-lo !
Da teoria para a realidade, é assim que vejo a ordem proibindo as comemorações da Contra-Revolução de 31 de Março. Não acredito que a ordem tenha partido de um COMANDANTE MILITAR, o qual não manda, mas comanda e lidera. A ordem partiu de quem manda, coage, desagrega, não respeita as tradições e a imagem da Força e não se porta com a compostura e postura dos militares, pois, não tem a formação e o sentimento da caserna.
Seria uma ótima oportunidade para que a voz dos militares se manifestasse, dando vez à verdade, principalmente no que tange à ação das Forças Armadas, como em tantas outras ocasiões, em defesa da liberdade e da soberania do País.
Infelizmente, cedemos, mais uma vez, convalidando a mentira, por omissão da verdade, alargamos ainda mais a estrada para a chegada e legitimação de uma nova estória que transforma bandidos em heróis e heróis em bandidos, denegrindo o passado, integrantes e caras tradições, bem como a mística, da Instituição Militar, na direção de um revanchismo e socialismo ultrapassados.
Artigo retirado do site Midia Sem Mascara
A recente suspensão das comemorações do 31 de Março mostra que valores perenes da Instituição estão mudando e, com eles, a própria Instituição, a qual é um reflexo da sociedade à qual se integra. Esta mudança é parte da criação de uma nova estória, de fundo ideológico, mentirosa, na qual, hoje, os que se autoproclamam "defensores" da democracia, da justiça e dos direitos humanos eram, em verdade, nas décadas de 60 e 70, a maior parte deles, subversivos e guerrilheiros marxistas de variadas tendências. Buscavam por meios violentos, incluso assassinatos e torturas de inocentes, a "ditadura do proletariado" (aliás, como declararam dois importantes ex-ativistas da esquerda revolucionária: Jacob Gorender e Fernando Gabeira).
A mesma estória mentirosa apresenta, àquela época, as Forças Armadas como golpistas e os militares como torturadores, os mesmos que, então, respondendo à insegurança e ao medo da população de ser submetida à tirania comunista, em comunhão com muitos civis, arriscaram, e alguns perderam, suas vidas em defesa da liberdade, da ordem e da paz social, propiciando, ao longo de quase 20 anos, índices de crescimento econômico e de desenvolvimento, período conhecido em todo o mundo como o "milagre brasileiro".
Como contribuição para o fortalecimento dessa estória mentirosa, foi estabelecido o politicamente correto, isto é, ter qualquer opinião, atitude ou comportamento contrário ao que está sendo imposto pela chamada "esquerda progressista" é inaceitável, é ser contrário à democracia e à liberdade. É ser preconceituoso, autoritário e retrógrado.
Paralelamente, intensa ação psicológica tem sido desencadeada, principalmente, sobre a juventude por meio do ensino e da mídia, e sobre a população em geral, manipulando fatos e situações passadas ( vejam, como exemplos, os livros didáticos distribuídos pelo MEC, os quase 8 milhões de CDs, recentemente distribuídos aos alunos do primeiro grau, as centenas de escolas do ódio do MST, programas de TV e, agora, a novela do SBT, assistida por milhões de pessoas), robustecendo os alicerces do que vai se tornando a realidade, nada mais do que deslavada mentira (como a de que lutavam pela democracia) e tremenda inversão de valores.
Tais ações, aliadas à ignorância da grande massa, aos interesses financeiros de alguns aproveitadores da situação, constroem a nova estória, a qual vem se sobrepondo, a cada dia, com maior intensidade, à verdade, até mesmo com o consentimento de quem tem o dever, perante a Nação, de resguardá-la.
Não passaram desapercebidas as palavras do Gen Heleno, após a proibição de sua palestra sobre a data em tela : "Finalmente, quanto à palestra sobre 31 de março de 1964, não iria ferir os princípios da hierarquia e da disciplina, após 45 anos de serviço e no mais alto posto da carreira. Minhas palavras não iriam modificar os fatos, apenas contar a verdade aos mais jovens". (Gen Augusto Heleno Pereira).
Esse discurso, nessa situação de proibição de uma manifestação em defesa da verdade, em comemoração de feito reconhecidamente épico das nossas Forças Armadas, a única do mundo que derrotou amplamente a subversão e as guerrilhas urbana e rural comunistas, nos leva a refletir sobre o verdadeiro sentido dos dois pilares básicos de qualquer organização que busca o sucesso, principalmente aquela que tem sob sua guarda os meios violentos do Estado, a Instituição Militar: disciplina e hierarquia.
A disciplina e a hierarquia militares podem ser comparadas a um edifício, sustentado por colunas traduzidas pelos valores e virtudes, respectivamente cultuados, em conjunto, pela Instituição e, isoladamente, por seus integrantes. Assim, a disciplina e o respeito à hierarquia têm o seu maior nível quando praticadas de forma consciente e voluntária. Neste caso não há a necessidade de coerção. Elas são aceitas, abraçadas como se aceita ou se abraça a fé religiosa. A diferença é que na Instituição Armada não há dogmas nos quais se crê, embora, sem explicação. Aceitamos e abraçamos uma gama de valores e de virtudes. Cremos nos valores e praticamos as virtudes com convicção, tendo sempre como fito maior o bem servir à Nação, seja na paz ou na guerra.
Juridicamente, a disciplina militar pode ser definida como o cumprimento do dever legal. O respeito e obediência aos superiores consubstanciam a hierarquia, o que se torna também exercício da disciplina e, portanto, um dever legal. Por ser a disciplina o exercício legal do dever, suas bases fundamentais estão definidas por leis, decretos, estatutos, e regulamentos, devidamente aprovados por autoridades legalmente constituídas. E as normas legais, inerentes ao estamento militar, privilegiam, como não poderia deixar de ser, os valores e virtudes acima citados. Como exemplo, podemos citar o Regulamento Disciplinar de qualquer uma das forças militares e veremos que valores e virtudes como a verdade, a lealdade, a honestidade, a coragem, o bem-servir, a camaradagem, o exato cumprimento de ordens, posturas e comportamentos que traduzem o respeito à imagem da Instituição e aos superiores, o devido cuidado com a apresentação pessoal, etc., são motivos de elogios ou de punições, no caso do Regulamento, disciplinares. O Código Penal Militar trata da lesão de forma mais grave a esses valores e virtudes que se traduzem por crimes. Por exemplo, a insubordinação, que fere a hierarquia, se comprovada, é crime, passível de pena.
Do acima exposto, podemos concluir que nenhum militar pode ser obrigado, em nome da disciplina e da hierarquia, a fazer algo ilegal ou ter uma conduta ou postura que o leve a ser omisso em relação à verdade, principalmente frente à disseminação da mentira que macula a imagem da Instituição e dos seus integrantes ou tem intenções, até mesmo, criminosas, pois, desagregadoras da Nação.
Que crime ou indisciplina cometeria o Gen Heleno em contar a verdade sobre os fatos ocorridos no passado, hoje escamoteados por interesses escusos e ideológicos, esclarecendo jovens brasileiros em benefício do futuro da Nação ? Crime, de lesa-pátria foi a proibição de fazê-lo !
Da teoria para a realidade, é assim que vejo a ordem proibindo as comemorações da Contra-Revolução de 31 de Março. Não acredito que a ordem tenha partido de um COMANDANTE MILITAR, o qual não manda, mas comanda e lidera. A ordem partiu de quem manda, coage, desagrega, não respeita as tradições e a imagem da Força e não se porta com a compostura e postura dos militares, pois, não tem a formação e o sentimento da caserna.
Seria uma ótima oportunidade para que a voz dos militares se manifestasse, dando vez à verdade, principalmente no que tange à ação das Forças Armadas, como em tantas outras ocasiões, em defesa da liberdade e da soberania do País.
Infelizmente, cedemos, mais uma vez, convalidando a mentira, por omissão da verdade, alargamos ainda mais a estrada para a chegada e legitimação de uma nova estória que transforma bandidos em heróis e heróis em bandidos, denegrindo o passado, integrantes e caras tradições, bem como a mística, da Instituição Militar, na direção de um revanchismo e socialismo ultrapassados.
Artigo retirado do site Midia Sem Mascara
sexta-feira, 1 de abril de 2011
O porquê do atentado político contra Ricardo Gama
Por Mr MacColin
Morro do Bumba (10-04-2010):
Choque de ordem agride blogueiro (24-12-2009):
A farsa da UPA (20/09/2010):
Maria Bethânia recebe 1,3 milhões para fazer um blog (20-03-2011):
Vovó tricolor é presa por Cabral por terrorismo (22-03-2011):
O golpe da estatística da dengue de Eduardo Paes (23-03-2011)
O lado negro das UPPs (22-03-2011)
A maquiagem na Cidade de Deus (22-03-2011)
Eduardo Paes ganha troféu Pinto no Lixo (22-03-2011)
Armas e drogas nas comunidades "pacificadas"(22-03-2011)
Máfia de postos mata mais um (22-03-2011)
Parcos recursos dos PMs (17-03-2011)
Ditadura do PT (17-03-2011)
Mamata dos vereadores (16-03-2011)
Matérias obtidas do blog: http://ricardo-gama.blogspot.com/
Morro do Bumba (10-04-2010):
Choque de ordem agride blogueiro (24-12-2009):
A farsa da UPA (20/09/2010):
Maria Bethânia recebe 1,3 milhões para fazer um blog (20-03-2011):
Vovó tricolor é presa por Cabral por terrorismo (22-03-2011):
O golpe da estatística da dengue de Eduardo Paes (23-03-2011)
O lado negro das UPPs (22-03-2011)
A maquiagem na Cidade de Deus (22-03-2011)
Eduardo Paes ganha troféu Pinto no Lixo (22-03-2011)
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Máfia de postos mata mais um (22-03-2011)
Parcos recursos dos PMs (17-03-2011)
Ditadura do PT (17-03-2011)
Mamata dos vereadores (16-03-2011)
Matérias obtidas do blog: http://ricardo-gama.blogspot.com/
Enquete do R7 mostra que a maioria está a favor de Bolsonaro!
Por Mr MacColin
Até as 8:10h do dia 1º de abril de 2011, a enquete feita pelo site de notícias R7 sobre a acusação de racismo do deputado federal Jair Bolsonaro mostrava que 61,30% da população aprova o direito de livre opinião do deputado e não vê preconceito no discurso do político. Outro percentual que chama a atenção é o de 49,80% que afirma o seguinte: "Estamos em uma democracia e ele tem todo direito de expressar sua opinião".
O mais estranho nessa polêmica é a mídia ter esquecido por completo o caso de acusação de preconceito racial que outro deputado federal sofreu há alguns anos. O então somente cantor/comediante Tiririca também sofreu acusações deste tipo ao fazer uma música, e depois de esquecida a história tornou-se o deputado mais votado em uma eleição e mais que isso, a própria vítima de preconceito.
Parece que a vontade do povo é mostrada nas urnas e nas enquetes de maneira diferente como a pintam nos canais de notícias...
http://entretenimento.r7.com/famosos-e-tv/noticias/tais-araujo-defende-preta-gil-contra-racismo-20110331.html#enquete
http://asocial-democracia.blogspot.com/2011/03/tiririca-sofre-preconceito-por.html
http://www.jornalfloripa.com.br/artisticasenovelas/index1.php?pg=verjornalfloripa&id=1557
Até as 8:10h do dia 1º de abril de 2011, a enquete feita pelo site de notícias R7 sobre a acusação de racismo do deputado federal Jair Bolsonaro mostrava que 61,30% da população aprova o direito de livre opinião do deputado e não vê preconceito no discurso do político. Outro percentual que chama a atenção é o de 49,80% que afirma o seguinte: "Estamos em uma democracia e ele tem todo direito de expressar sua opinião".
O mais estranho nessa polêmica é a mídia ter esquecido por completo o caso de acusação de preconceito racial que outro deputado federal sofreu há alguns anos. O então somente cantor/comediante Tiririca também sofreu acusações deste tipo ao fazer uma música, e depois de esquecida a história tornou-se o deputado mais votado em uma eleição e mais que isso, a própria vítima de preconceito.
Parece que a vontade do povo é mostrada nas urnas e nas enquetes de maneira diferente como a pintam nos canais de notícias...
http://entretenimento.r7.com/famosos-e-tv/noticias/tais-araujo-defende-preta-gil-contra-racismo-20110331.html#enquete
http://asocial-democracia.blogspot.com/2011/03/tiririca-sofre-preconceito-por.html
http://www.jornalfloripa.com.br/artisticasenovelas/index1.php?pg=verjornalfloripa&id=1557
quinta-feira, 31 de março de 2011
Polêmica acusação de racismo contra o deputado federal Jair Bolsonaro
O deputado federal Jair Bolsonaro, ao responder uma série de perguntas do programa CQC, acabou interpretando mal a última questão feita pela "artista" Preta Gil e assim gerou a polêmica sobre seu suposto racismo. Até o momento já li e ouvi diversos comentários de repúdio a esta atitude do deputado. Duvido que uma pessoa de boa fé e que não seja analfabeto funcional, ao ver o programa integralmente, possa entender a resposta de outra maneira que não um equívoco. Deixo portanto dois vídeos sobre o assunto em apoio ao nobre deputado a fim de que os movimentos dos sonsos, maledicentes e totalitaristas não disseminem o boato sem respaldo. Cabe ressaltar que dentre estes sonsos estão figuras famosas, como o Luciano Huk, Brizola Neto, Jean Willys, e Marcelo Tas, que para grande parte do povo (que não tem capacidade crítica) deteem a voz da sabedoria e o poder de formação de opiniões.
quarta-feira, 30 de março de 2011
A intimidação do ozônio
Por Rod Rojas
Lembra-se de quando a redução da camada de ozônio iria fazer com que todos nós morrêssemos de melanoma maligno, há apenas alguns anos? Essa intimidação do ozônio parece ter saído da pauta do terrorismo ambiental completamente.
Como você deve se lembrar, os clorofluorcarbonetos (CFCs) eram o capeta da época, desempenhando o mesmo papel que o dióxido de carbono (CO2) desempenha hoje no amedrontamento do aquecimento global. Ambientalistas alegavam que o CFC iria, de alguma forma, subir mais de 64 km da superfície da terra até a camada de ozônio, não obstante o fato de os CFCs serem aproximadamente cinco vezes mais pesados que o ar. Sem dúvida alguma, um caso típico de tijolos flutuantes.
Ao banirem os CFCs em 1989, os 196 países que assinaram o Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Empobrecem a Camada de Ozônio perderam uma segura, barata, não-tóxica, quimicamente inerte, não-corrosiva e não-inflamável fonte para componentes de geladeiras, propelentes e sistemas de controle de incêndio.
Como ocorre com a maioria das regulamentações, a proibição do CFC atingiu os mais pobres com bem mais intensidade. Milhões de geladeiras em perfeito estado de funcionamento não mais poderiam ser recarregadas com Freon, de modo que todo mundo foi obrigado a comprar novos eletrodomésticos, agora sem o CFC. Tal medida, obviamente, foi especialmente difícil para aqueles de baixa renda.
Outro grupo que ainda hoje sofre bastante com tal medida é aquele formado por asmáticos. Os inaladores com CFC foram substituídos por inaladores com HFA (hidrofluoroalcano), os quais, segundo os relatos de vários médicos, possuem uma eficácia apenas marginal quando comparados à versão de CFC, a qual propiciava um alívio mais rápido e mais duradouro à agonia da asfixia. Muitos doentes de asma descobriram que, ao passo que os inaladores de CFC faziam com que apenas uma inalada fosse suficiente para reabrir as vias respiratórias, os novos inaladores sem CFC requerem duas ou mesmo três inaladas para funcionar. Isso elevou o custo da medicação devido ao aumento da dosagem. Para aumentar ainda mais os estragos, os inaladores de HFA, por serem uma introdução recente, são protegidos por patentes, ao passo que os inaladores de CFC já eram genéricos (não-patenteados). Os preços por inalador aumentaram sensivelmente. Apenas nos EUA, eles saíram da faixa dos US$ 5 - US$ 25 para a faixa dos US$ 30 - US$ 60.
Desnecessário dizer que os pagadores de impostos ainda estão sendo obrigados a financiar mais pesquisas nessa área fraudulenta, e que a proibição do CFC ainda segue viva e robusta. Como sempre, regulamentações e financiamento público são muito facilmente implementados - especialmente quando o público é manipulado com táticas terroristas - e muito difíceis de serem revertidos. Com efeito, regulamentações quase nunca são revogadas, e as instituições encarregadas de colocá-las em vigor apenas ocasionalmente são desmanteladas.
É importante reconhecer o padrão comportamental de governos, ONGs e cientistas ao analisarmos táticas similares de amedrontamento, como chuva ácida, bug do milênio, doença da vaca louca, gripe suína e agora as mudanças climáticas e o terrorismo. Medo e culpa são as típicas ferramentas utilizadas para roubar a liberdade e o dinheiro dos indivíduos. Essa tática do medo promove uma arquitetura cada vez mais centralizada de nossas escolhas e faz com que haja transferências de poder e riqueza cada vez maiores para os governos.
Intimidações ambientais são particularmente eficazes porque combinam os efeitos do medo e da culpa. Esses cenários do tipo "homem-contra-a-natureza" propiciam infinitas possibilidades para que retirem nossas liberdades mais básicas, a menos que o poder seja completamente retirado dos governos.
Enquanto não entendermos que homem e natureza são a mesma coisa, nunca haverá um grau de subdesenvolvimento baixo o bastante para saciar os ecofanáticos. O suposto filósofo e pensador do movimento ecológico, Derrick Jensen, escreveu que "a civilização não é e nunca poderá ser sustentável". Não devemos nunca subestimar esse tipo de declaração, especialmente vinda de um sujeito como Jensen, que possui uma ampla platéia e que já defendeu aberta e repetidamente o uso da violência militante para se alcançar objetivos ambientais. É preciso estar sempre alerta, não para a possibilidade de ações violentas de grupos ecológicos liderados por Jensen, mas para o talento dos governos em cultivar tais ideias e utilizá-las em proveito próprio.
Assim que o mito da mudança climática começar a perder impacto e a população se cansar dessas táticas terroristas, pode esperar pela invenção de novas intimidações.
Rod Rojas é corretor de seguros e atua como conselheiro financeiro para assuntos pessoais, corporativos e de políticas públicas. É membro do Partido Libertário de Ontário.
Publicado no site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.
Retirado do site Midia sem Mascara.
Lembra-se de quando a redução da camada de ozônio iria fazer com que todos nós morrêssemos de melanoma maligno, há apenas alguns anos? Essa intimidação do ozônio parece ter saído da pauta do terrorismo ambiental completamente.
Como você deve se lembrar, os clorofluorcarbonetos (CFCs) eram o capeta da época, desempenhando o mesmo papel que o dióxido de carbono (CO2) desempenha hoje no amedrontamento do aquecimento global. Ambientalistas alegavam que o CFC iria, de alguma forma, subir mais de 64 km da superfície da terra até a camada de ozônio, não obstante o fato de os CFCs serem aproximadamente cinco vezes mais pesados que o ar. Sem dúvida alguma, um caso típico de tijolos flutuantes.
Ao banirem os CFCs em 1989, os 196 países que assinaram o Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Empobrecem a Camada de Ozônio perderam uma segura, barata, não-tóxica, quimicamente inerte, não-corrosiva e não-inflamável fonte para componentes de geladeiras, propelentes e sistemas de controle de incêndio.
Como ocorre com a maioria das regulamentações, a proibição do CFC atingiu os mais pobres com bem mais intensidade. Milhões de geladeiras em perfeito estado de funcionamento não mais poderiam ser recarregadas com Freon, de modo que todo mundo foi obrigado a comprar novos eletrodomésticos, agora sem o CFC. Tal medida, obviamente, foi especialmente difícil para aqueles de baixa renda.
Outro grupo que ainda hoje sofre bastante com tal medida é aquele formado por asmáticos. Os inaladores com CFC foram substituídos por inaladores com HFA (hidrofluoroalcano), os quais, segundo os relatos de vários médicos, possuem uma eficácia apenas marginal quando comparados à versão de CFC, a qual propiciava um alívio mais rápido e mais duradouro à agonia da asfixia. Muitos doentes de asma descobriram que, ao passo que os inaladores de CFC faziam com que apenas uma inalada fosse suficiente para reabrir as vias respiratórias, os novos inaladores sem CFC requerem duas ou mesmo três inaladas para funcionar. Isso elevou o custo da medicação devido ao aumento da dosagem. Para aumentar ainda mais os estragos, os inaladores de HFA, por serem uma introdução recente, são protegidos por patentes, ao passo que os inaladores de CFC já eram genéricos (não-patenteados). Os preços por inalador aumentaram sensivelmente. Apenas nos EUA, eles saíram da faixa dos US$ 5 - US$ 25 para a faixa dos US$ 30 - US$ 60.
Desnecessário dizer que os pagadores de impostos ainda estão sendo obrigados a financiar mais pesquisas nessa área fraudulenta, e que a proibição do CFC ainda segue viva e robusta. Como sempre, regulamentações e financiamento público são muito facilmente implementados - especialmente quando o público é manipulado com táticas terroristas - e muito difíceis de serem revertidos. Com efeito, regulamentações quase nunca são revogadas, e as instituições encarregadas de colocá-las em vigor apenas ocasionalmente são desmanteladas.
É importante reconhecer o padrão comportamental de governos, ONGs e cientistas ao analisarmos táticas similares de amedrontamento, como chuva ácida, bug do milênio, doença da vaca louca, gripe suína e agora as mudanças climáticas e o terrorismo. Medo e culpa são as típicas ferramentas utilizadas para roubar a liberdade e o dinheiro dos indivíduos. Essa tática do medo promove uma arquitetura cada vez mais centralizada de nossas escolhas e faz com que haja transferências de poder e riqueza cada vez maiores para os governos.
Intimidações ambientais são particularmente eficazes porque combinam os efeitos do medo e da culpa. Esses cenários do tipo "homem-contra-a-natureza" propiciam infinitas possibilidades para que retirem nossas liberdades mais básicas, a menos que o poder seja completamente retirado dos governos.
Enquanto não entendermos que homem e natureza são a mesma coisa, nunca haverá um grau de subdesenvolvimento baixo o bastante para saciar os ecofanáticos. O suposto filósofo e pensador do movimento ecológico, Derrick Jensen, escreveu que "a civilização não é e nunca poderá ser sustentável". Não devemos nunca subestimar esse tipo de declaração, especialmente vinda de um sujeito como Jensen, que possui uma ampla platéia e que já defendeu aberta e repetidamente o uso da violência militante para se alcançar objetivos ambientais. É preciso estar sempre alerta, não para a possibilidade de ações violentas de grupos ecológicos liderados por Jensen, mas para o talento dos governos em cultivar tais ideias e utilizá-las em proveito próprio.
Assim que o mito da mudança climática começar a perder impacto e a população se cansar dessas táticas terroristas, pode esperar pela invenção de novas intimidações.
Rod Rojas é corretor de seguros e atua como conselheiro financeiro para assuntos pessoais, corporativos e de políticas públicas. É membro do Partido Libertário de Ontário.
Publicado no site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.
Retirado do site Midia sem Mascara.
sexta-feira, 11 de março de 2011
A história da Dança - parte 4
Por Mr MacColin
Continuação:
Parte 1, Parte 2, Parte 3
Danças Moderna e Contemporânea
Concomitante à época dos ballets russos, a dança moderna começa a tomar forma por meio de seus pioneiros, Isadora Duncan, François Delsarte, Ruth Saint-Denis, Ted Shawn e Martha Graham.
O responsável pela elaboração dos princípios fundamentais da modern dance foi um cantor prematuramente aposentado devido à perda de sua voz aos 23 anos. Culpando seus mestres de canto pelo fracasso profissional, François Delsarte dedicou-se então a estudar a relação entre gesto e voz. Sua pesquisa culminou na elaboração de uma técnica de expressão corporal que visava aprimorar o rendimento de artistas cênicos pela máxima liberação da emoção e acabou por inspirar diversos artistas na confecção de uma dança vanguardeira.
Alguns destes artistas formaram conceitos liberais da dança, voltados para a contraposição ao academicismo limitante do ballet. Isadora Duncan negou-se a usar sapatilhas, Ted Shawn e Ruth Saint-Denis formaram a escola Denishawn e reuniram nela artistas de diversas áreas como o Nô, o Kabuki e a Ioga, e Martha Graham utilizou-se da dança como um instrumento político de protesto contra os horrores da guerra.
No entanto, este rompimento com o clássico proposto no início do século XIX não significou, em absoluto, a descontinuação do ballet. A evolução da dança, em verdade, não é um encadeamento linear de escolas e tendências, mas um contínuo processo de descobrimento, individual ou coletivo, dos limites da mente e da emoção extravasados em movimentos corporais.
Como prova de tal, a Dança Contemporânea surge não como ferramenta de contraposição de fundamentos de escolas diversas, mas como uma tentativa de reconstrução basilar com maior grau de liberdade, criatividade e amplitude. Este conceito de liberdade, acrescido do fator temporal é defendido por Faro ao afirmar que “para ser contemporâneo, não se precisa forçosamente buscar estradas até então impenetradas. A dança, como arte e como diversão, já se diversificou de tal forma que sua contemporaneidade implica o hoje, mas não necessariamente o novo”. Esta liberdade expõe também outro conceito enaltecido pela dança contemporânea, a individualidade.
Desde sua concepção pré-histórica como uma necessidade fisiológica, passando pela exaltação do divino, da natureza, e do indivíduo, a dança tornou-se parte intrínseca do ser humano. Realizada fosse voluntariamente ou por obrigação, com ou sem regimentos normativos, oriunda de qualquer escola, e em qualquer época histórica, o ato de dançar sempre foi caracterizado pela expressão individual do dançarino. A dança contemporânea, portanto, somente põe em evidência esta característica geral da dança. Segundo Laban, “a essência desta forma contemporânea de movimento da dança é que cada indivíduo tem uma esfera na qual desenvolve seu próprio enfoque e utiliza sua própria interpretação”.
Estes conceitos discorridos até então não formam, no entanto, a definição acadêmica de dança contemporânea, pois esta ainda está em construção. Diversos pesquisadores têm conclusões diferentes acerca do tema, e este impasse é devido, em grande parte, à principal característica da dança contemporânea: não definir a fim de não limitar.
Qualquer que seja a definição correta e completa da Dança Contemporânea, fato é que esta sua abrangência lega à produção artística uma gama enorme de possibilidades. As conseqüências disto podem ser vistas nas diversas formas tomadas pelo bem/serviço da dança contemporânea e a diferenciação do público interessado por ela. As fronteiras da dança contemporânea são ainda desconhecidas, assim como seu potencial como arte e entretenimento. Cabe assim àqueles que presentemente produzem dança, escrever o futuro desta atividade indefinível.
Continuação:
Parte 1, Parte 2, Parte 3
A história da Dança - parte 3
Por Mr MacColin
Continuação:
Parte 1, Parte 2, Parte 4
Renascimento e Antigo Regime
Com o Renascimento, o clero passa a perder importância frente ao fortalecimento da figura do Rei e sua corte. A perda da importância da Igreja torna possível o florescimento das artes e do pensamento baseados em valores anteriores à moral cristã, como por exemplo, o culto à natureza e ao homem típico da Grécia antiga. Este desenvolvimento cultural renascentista ocorre primeiramente na Itália (Quattrocento) e após o término da Guerra dos Cem Anos a França vive seu renascimento cultural (Cinquecento) sendo inspirada por artistas e pensadores italianos.
Durante o Quattrocento, Lourenço de Médicis cria festas nababescas em Florença que duravam dias, chamadas trionfi. O primeiro ballet foi realizado em um destes triunfos em homenagem ao casamento do Duque de Milão com Isabela de Aragão. Um século depois, durante o Cinquecento francês, dois italianos criaram o ballet espetáculo. A bisneta de Lourenço de Médicis, Catarina, casada com o Duque de Orléans, trouxe para sua corte francesa o mestre de dança Baldassarino de Belgiojoso (conhecido na França como Balthasar de Beaujoyeux). Em 15 de outubro de 1581 foi apresentado no Palácio Petit Bourbon um espetáculo em homenagem a um casamento de nobres que inspiraria dois séculos de ballet de cours. Nascia então o Ballet Comunique de la Reine, precursor dos espetáculos vitrine da nobreza e responsável pela solidificação das bases do ballet até seu estabelecimento como ballet clássico, sob o reinado de Luís XIV.
Dessa forma, a dança transformou-se, desde as danças totêmicas e agrárias reverentes aos deuses e aos animais, passando pelas danças de guerra, cívicas e litúrgicas até tornar-se instrumento de propaganda dos reinados absolutistas do ocidente. José F. R. de Souza define este último gênero como “uma ação pantomímica com música e dança, expressando uma atitude de adoração, não a Deus ou às forças da natureza, mas a reis que ocupavam o poder”.
Cabe ressaltar que o ballet de cours, por ser uma representação da corte e sua etiqueta, era apresentado por nobres, reis e rainhas na posição de bailarinos, sendo assim, muitas vezes, precária a qualidade artística da execução dos espetáculos. Este fato só mudaria sob o comando de Luís XIV, responsável pela criação da Académie Royale de la Danse, em 1661.
Com a morte de Luis XIII, o novo déspota conhecido pela alcunha adotada de uma de suas personagens como bailarino, o Rei-Sol, orienta a conservação do tradicionalismo do ballet por meio da profissionalização e do ensino segundo normas bem definidas. Sob a tutela de Luis XIV, o ballet torna-se clássico e distingue-se do teatro e da ópera, sendo apresentado ao público sem restrições de classe, com o único interesse de agradar a plateia e não mais bajular a corte. Livre do enclausuramento dos castelos, a dança pôde então fazer parte do mercado de entretenimento e ampliar assim suas possibilidades como arte, movimentando inclusive parte da economia.
Os espetáculos passaram então a não mais empregar nobres amadores, mas tão somente profissionais da dança capazes de por em prática todo o virtuosismo pregado pela Academia. Após alguns poucos anos, as mulheres também puderam dançar nos espetáculos de ballet juntamente com os bailarinos homens, evoluindo continuamente a arte da dança. Outra evolução, e desta vez um grand jeté evolutivo, foi dada por Jean Georges Noverre, responsável por desprender o ballet de sua época barroca, iniciando assim seu período romântico.
Noverre foi um duro crítico do excesso de virtuosismo e da falta de expressão nos espetáculos, sendo responsável por uma completa revisão de conceitos que levaram à criação do ballet d’action. As reformas pregadas por este artista geraram modificações profundas na forma de ensinar e de dançar o ballet, tendo meio século depois culminado no início do período romântico do ballet.
Romantismo e o ballet russo
No início do século XIX, o Romantismo expressava a sensibilidade aflorada nas belas-artes, as novas descobertas médicas, o crescimento das grandes cidades industriais e o fim do período do ancien régime. O perfil etéreo e a capacitação técnica e científica da época possibilitaram realizações extasiantes como a ascensão de bailarinas por meio de cabos invisíveis à plateia e a invenção da sapatilha de ponta.
Esta exaltação ao sobrenatural, ao pitoresco, ao espiritual teve seu auge no fim do século XIX, quando a guerra e a Comuna fecharam a Ópera de Paris por um ano, o que permitiu o ballet russo ultrapassar em qualidade os ballets italiano e francês. Neste período, na Rússia, foram produzidos ballets de qualidade, até então, excepcional como O Lago dos Cisnes, o Quebra-Nozes e A Bela adormecida, com composições musicais de Tchaikovsky e coreografias de Marius Petipa, entre outros. Os bailarinos homens reconquistaram a importância perdida para as bailarinas francesas desde o advento do romantismo, os espetáculos passaram a demandar maior força física de seus bailarinos e expoentes como Nijinsky puderam surgir nesta época.
Em novembro de 1907, o jovem Vaslav Nijinsky estreou nos Teatros Imperiais o espetáculo Le Pavillon d’Armide, do coreógrafo Fokine, em que trabalharam também o bailarino Gerdt e a bailarina Pavlova. Na plateia encontrava-se Serguei Diaghilev, futuro empresário responsável pela ascensão de Nijinsky a coreógrafo, e que segundo Maribel Portinari possuía o raro “dom de saber juntar as pessoas certas para a produção de obras que fizeram a glória de sua companhia e revolucionaram a concepção da dança. A ele, sem dúvida, se deve a integração do ballet com a música e a pintura modernas”. O próprio Diaghilev definiu sua habilidade ao responder o Rei Afonso XIII em Madri quando este o perguntou qual era sua função visto que não era nem bailarino, nem regente, nem pianista: “Sou igual a Vossa Majestade; não tenho profissão, mas sou indispensável”.
Pelo empreendedorismo arrojado de Diaghilev o ballet russo conquistou a Europa e transformou novamente o ballet clássico, aproximando-o cada vez mais da modernidade. Devido aos estímulos deste empresário, o até então somente bailarino Vaslav Nijinsky deparou-se com o desafio de coreografar uma composição musical de Debussy que viria a escandalizar o mundo acadêmico do ballet. O espetáculo L’Après-midi d’um faune foi aplaudido e criticado pelos gestos obscenos que incluíam uma masturbação animalesca, tendo seu instantâneo sucesso junto ao público causado uma ruptura entre o outro coreógrafo da companhia, Fokine, e Diaghilev. Mais tarde também Nijinsky romperia com Diaghilev devido a ciúmes deste último.
Continuação:
Parte 1, Parte 2, Parte 4
A história da Dança - parte 2
Por Mr MacColin
Continuação:
Parte 1, Parte 3, Parte 4
Grandes Impérios
Os egípcios praticavam a dança em rituais fúnebres, em solenidades imperiais, e em homenagem a deuses e aos fenômenos naturais. Durante o tempo deste império a Dança foi praticada na sua forma sagrada, litúrgica e, por fim como recreação. Diversas pinturas mostram as coreografias, em detalhes, dos muitos ritos que marcaram aquela sociedade, sendo perceptível, inclusive, a existência de um deus dançarino, Bés. Outras características marcantes do império egípcio é o gosto pelas acrobacias e o intercâmbio de movimentos com civilizações vizinhas, como o gesto dos braços flexionados e em oposição, com a palma das mãos voltadas uma para o céu e a outra para a terra.
Apesar deste intercâmbio de danças, não se pode afirmar que a motivação da prática da mesma era igual em todas as civilizações. Percebe-se isto opondo a dança estritamente religiosa dos Hebreus com a dança na Grécia antiga, onde esta era realizada em ritos religiosos (Dionisíaca), em cerimônias cívicas, em apresentações recreativas (Ditirambo e outros), e até em treinamentos militares (Pírrica). Paul Bourcier afirma que “para os gregos, a dança era de essência religiosa, dom dos imortais e meio de comunicação com eles”. Dentre todos os antigos impérios, nenhum tratou a dança de forma tão completa e bem integrada à vida do indivíduo como os gregos. Sócrates considerava que a dança formava o cidadão completo, já Platão afirmava que a dança era a melhor maneira de honrar os deuses assim como de se preparar para o combate. Para os pitagóricos a dança expulsava “os maus humores da cabeça” e ajudava a conservar a sanidade. Inspiradas nas danças gregas permanecem até os dias atuais passos e movimentos importantes para o ballet, como o en dehours e seu oposto en dedans.
Tal importância não era dada à dança pelos romanos. No início do império, a dança de origem agrária foi introduzida pelos etruscos e praticada em cerimônias de exaltação a deuses como Marte. Aos poucos a dança romana perdeu seu sentido religioso e tornou-se uma arte de recreação, realizada nos jogos de circo e em banquetes. A presença de dançarinos gregos levou a pírrica e a dança pantomímica aos coliseus e salões nobres, as quais mais tarde seriam desvirtuadas grosseiramente para uma dança sensual, realizada em sua maioria por cortesãs. Devido a tal indecência, Cícero afirmou que “só o louco e o bêbado são capazes de dançar”, comprovando assim a total oposição ao sentido e a importância da dança na Grécia.
Idade Média
O período histórico seguinte compreende dez séculos, desde 476 d.C. até 1453 d.C., e é denominado Idade Média. Nesta época o clero ascende ao poder junto à nobreza e, desta nova posição, revê a cultura greco-romana julgando-a segundo a moral cristã. Como consequência, os teatros foram fechados, os artistas pantomímicos tornaram-se ambulantes e suas peças adaptaram-se aos temas permitidos. Com relação à dança, a Igreja Católica foi em um primeiro momento repressora e, depois de constatar a dificuldade de se coibir hábitos pagãos contidos na cultura do povo, transformou sua intransigência em tolerância adaptativa. Mesmo dentre os clérigos havia diferenças de opinião com relação à dança, sendo por exemplo, São Basílio de Cesaréia a favor e Santo Agostinho contra. A adaptação dos antigos cultos dançados às normas eclesiásticas tornou-se, com o tempo, uma forma de aproximação dos povos ditos selvagens e pagãos durante suas conversões ao cristianismo.
Entre os séculos XI e XII surgiu a dançomania, fenômeno resultante de uma histeria coletiva frente aos sofrimentos da peste negra, das diversas perseguições e da Guerra dos Cem Anos. Deste fenômeno, foram criados o movimento do tarantismo na Itália, a dança de São Vito na região da atual Alemanha e Paises Baixos, e a Dança Macabra nas regiões atuais da França, da Espanha e de Portugal.
A partir do século XII a arte da dança penetra os castelos da nobreza e cria o baile aos pares chamado basse danse, que se contrapunha à dança plebeia haute danse. A dança dos salões nobres se diferencia das danças rústicas populares pela perda da espontaneidade e pela normatização da arte segundo o código de etiqueta cultivado dentre a classe dominante. Esta codificação de passos e movimentos acaba por criar a profissão do mestre de dança, responsável pelo estudo da dança e sua especialização.
Continuação:
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A história da Dança - parte 1
Por Mr MacColin
Como parte de uma pesquisa de campo acerca do mercado de trabalho de Dança no município do Rio de Janeiro, precisei pesquisar e discorrer sucintamente sobre a história da Dança a fim de poder formar uma melhor idéia da sua formação e evolução até a presente data. Falar sobre a Dança em termos estritamente econômicos é extremamente dificil, pois a definição de bens e serviços produzidos, de insumos para produção, de produtividade marginal do trabalho, e até de firma é polêmica. Alguns não querem considerar o setor como uma indústria de cultura ou entretenimento, e por isso rejeitam a idéia de produção de bens e prestação de serviços. Outros empregam apenas seus corpos nús em apresentações de dança, sem o emprego de staff, iluminação ou mesmo palco. Diante desta diversidade e indefinição própria da área, torna-se complicado definir conceitos acadêmicos, que são essenciais para o rigor científico de uma pesquisa econômica.
Apesar das incertezas e polêmicas da pesquisa, considerei oportuna a divulgação deste trecho sobre a história da dança. Muitas informações foram inéditas para mim e creio que possam ser também para muitos. Espero divulgar o resto da pesquisa também neste blog para que aqueles que me acompanharam durante estes quase dois anos de labuta possam ver o resultado de tal esforço.
Cabe ainda ressaltar que muitas análises foram feitas por mim e não copiadas de autores "especialistas" no assunto. Creio firmemente que o saber não é místico ou propriedade privada de alguns auto proclamados intérpretes do conhecimento. Repudio veementemente, desta forma, todas as produções pseudo científicas que não passam de repetidoras pouco ou nada críticas, ineficazes no seu metiê.
Segue a primeira parte do trabalho:
Pré História
A discussão acerca do primeiro documento orquéstico realizado pelo homem ainda é inconclusivo, e diversos pesquisadores têm opiniões diferentes sobre a época do possível surgimento do primeiro movimento rítmico do corpo humano. Segundo Paul Bourcier, “o primeiro documento que apresenta um humano indiscutivelmente em ação de dança tem 14000 anos” e está pintado em uma parede da gruta de Gabillou, situada no departamento de Dordonha ao sudoeste da França. Esta imagem é considerada por Bourcier como um dos quatro documentos pertencentes ao período Paleolítico, o qual se inicia desde 5 milhões de anos antes de Cristo (a.C.) e estende-se até cerca de 10 mil anos a.C., que caracterizam com maior fidelidade o referido período pré-histórico. No entanto, segundo Maribel Portinari, “a mais antiga imagem da dança data do Mesolítico (cerca de 8300 a .C.)” e está gravada na caverna de Cogul, na província de Lérida, a nordeste da Espanha. Existem outros autores que indicam uma cerimônia dançada na gruta de Pech-Merle, situada no departamento de Lot ao sudoeste da França, como a primeira manifestação de dança do homem. Há ainda outros pesquisadores que consideram uma pintura parietal de um caçador com máscara de animal na gruta de Combarelles, situada no departamento de Dordonha, na França, como sendo o documento orquéstico mais antigo já descoberto.
Apesar de tal desacordo entre os pesquisadores, é consenso nesta discussão que, devido à dispersão dos documentos dos períodos pré-históricos pelo mundo, ainda há de ser formado um corpus orchesticum que possibilite melhor traçar as primeiras culturas do homem. Sendo assim, tendo apenas alguns extratos documentais deste período tão remoto da humanidade, é possível apenas delinear algumas características gerais do que teria sido a Dança e seus fatos geradores.
Os documentos orquésticos mais antigos pertencem ao período Paleolítico e coincidem com o fim da época geológica Pleistoceno (de 2 milhões de anos a.C. até 12 mil anos a.C.) e com o início da época Holoceno, em que houve o término da última glaciação (Würm). Neste clima agressivo da Era Glacial, o território francês estava coberto por geleiras, o que tornava a sobrevivência humana precária. A caça tornava-se uma atividade extremamente difícil e o uso da carne e da pele da presa era essencial à vida do homem. Talvez por isso o animal fosse representado nas paredes das cavernas com tanta constância, sendo inclusive retratado com indícios de caráter divinal. As poucas imagens de humanos que existem deste período demonstram que a dança tinha por motivação a celebração religiosa, com movimentos giratórios, danças de roda e vestimentas com máscaras e genitálias de animais.
A partir do Neolítico, período pré-histórico posterior, o homem descobre as práticas da agricultura e da criação de animais, tornando-se assim mais preso a uma determinada região. O cultivo e a domesticação geraram excedentes alimentícios, o que possibilitou o crescimento populacional e o aparecimento das primeiras cidades, cada uma com uma personalidade própria. Esta diferenciação entre os povoamentos gerou também danças típicas baseadas em crenças e símbolos próprios. Aos poucos estas cidades iniciaram algumas migrações e consequentemente guerras e conquistas de territórios, pelas quais eram disseminadas as danças dos vitoriosos e transformadas aquelas do povo derrotado. Com a evolução do homem e de suas cidades, os ritos cívicos tornaram-se refinados e as danças que antes eram um meio de aproximação dos espíritos tornaram-se litúrgicas e ligadas à vida citadina.
A prática da Dança perdurou desta forma até o aparecimento dos grandes impérios, como o Sumério, o Egípcio e o Romano. Não há documentos orquésticos suficientes para poder discorrer sobre a Dança na Suméria, sendo possível apenas relatá-la a partir do império Egípcio, que compreende parte do período Neolítico até o ano 30 a .C.
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Livraria (In)Cultura agride covardemente o Mídia Sem Máscara
Republico aqui uma carta muito interessante do filósofo Olavo de Carvalho veiculada pelo site Midia sem Máscara acerca da atitude covarde tomada pela Livraria Cultura. Devido à minha repúdia por qualquer repressão à liberdade sinto-me impelido a divulgar o que, até então, parece ser a mais covarde difamação sofrida pelo MSM. Desta forma, solicito aos meus amigos e demais leitores que boicotem esta empresa para que não se encoraje mais este tipo de atitude vil e para demonstrar a força da demanda consciente. Segue o conteúdo na íntegra:
O leitor deve ter reparado que o link deste site para a Livraria Cultura, onde tantos de nossos amigos costumavam comprar livros, cessou abruptamente de funcionar, levando em vez disso para um aviso em que este site era acusado de "violar os termos da parceria". Pedindo esclarecimentos à livraria, recebemos dela a mensagem reproduzida no rodapé desta página, mensagem à qual fornecemos a seguinte resposta:
À
Livraria Cultura S. A.
Att. Caroline
Prezados senhores, Para legitimar juridicamente o cancelamento da parceria, não basta que vocês citem uma lista de infrações hipotéticas. Têm de esclarecer também:
1. Qual ou quais dessas cláusulas, em particular, teríamos infringido de fato.
2. Qual a prova lícita de que o fizemos -- e nenhuma prova de acusação é lícita se não for confirmada por sentença judicial.
Cancelar a parceria de repente, sem nos dar esses esclarecimentos, importa em fazer ao nosso site acusações gravíssimas, desprovidas da mais mínima prova, caracterizando crimes de injúria, difamação e calúnia.
Tendo em vista as boas relações que sempre mantivemos com a Livraria Cultura, nada faremos de imediato, concedendo a vocês o prazo de 48 (quarenta e oito horas), a contar deste momento (19h01, hora de Brasília) para que nos informem quais as infrações alegadamente cometidas e nos apresentem cópia autenticada da respectiva sentença judicial.
Além disso, vocês têm também de nos explicar por que fizeram o cancelamento de maneira unilateral, abrupta e afoita, sem nos dar qualquer advertência prévia - submetendo-nos assim a um vexame público que em muito prejudica a reputação do nosso site e expõe o autor dessa iniciativa a um processo de reparação por danos morais, além da devida sanção penal.
O fato de que vocês tenham comunicado o cancelamento a "parceiros cadastrados" em geral, sem tê-lo comunicado diretamente a nós primeiro ou mesmo simultaneamente, revela acima de toda possibilidade de dúvida que seu intuito foi menos o de resguardar seus direitos -- jamais violados -- que o de trazer dano à nossa reputação.
E que, em vez de esclarecer com fatos e documentos a infração concreta que teríamos supostamente cometido, vocês espalhassem uma lista de infrações hipotéticas, dando a impressão de que cometemos todas elas, é coisa de uma perfídia sem par, excluindo in limine a hipótese de que tenham agido de boa-fé.
De todas as ofensas, agressões e ações discriminatórias que sofremos ao longo de muitos anos de atividade, essa foi a mais sórdida, a mais canalha, a mais intolerável.
Um bom pedido de desculpas é o mínimo que vocês nos devem.
Atenciosamente,
Olavo de Carvalho
P. S. - Cópia desta mensagem, bem como da comunicação que a motivou (v. abaixo), será imediatamente publicada no site Mídia Sem Máscara. Não costumamos agir em segredo nem atacar pelas costas, como vocês fizeram conosco.
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From: Livraria Cultura S.A. < caroline.zanao@livrariacultura.com.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. >
Date: 2011/3/10
Subject: Ref. 14352635 LCultura
To: Roxane Carvalho *****@gmail.com
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Caso tenha qualquer dúvida, estou à disposição.
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E que, em vez de esclarecer com fatos e documentos a infração concreta que teríamos supostamente cometido, vocês espalhassem uma lista de infrações hipotéticas, dando a impressão de que cometemos todas elas, é coisa de uma perfídia sem par, excluindo in limine a hipótese de que tenham agido de boa-fé.
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Olavo de Carvalho
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Date: 2011/3/10
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domingo, 27 de fevereiro de 2011
Entrevista com Olavo de Carvalho: as elites preguiçosas
Por Jeffrey Nyquist
Nesta semana tive o prazer de entrevistar o filósofo brasileiro e presidente do Inter-American Institute, Olavo de Carvalho. Durante a conversa, sugeri que há algo de errado com nosso pensamento hoje; que não adoramos a Deus do mesmo modo, nem obedecemos às regras do mesmo modo, nem observamos as boas maneiras como no passado. "Para alguém como eu", começou ele, "que visitou este país nos anos 80 e voltou para viver aqui em 2005, as mudanças que a mentalidade americana sofreu em décadas recentes são realmente chocantes."
Carvalho me recomendou a leitura do livro de Tamar Frankel Trust and Honesty: America's Business Culture at the Crossroad [Confiança e Honestidade: A Cultura Americana dos Negócios em uma Encruzilhada], o qual, ele explicou, "descreve o declínio alarmante dos padrões morais no mundo americano dos negócios..." De acordo com o livro de Frankel, a erosão da confiança e da honestidade tem a ver com a aceitação e a justificação crescente de práticas fraudulentas. "O que mudou", escreve ela, "é a atitude em relação à desonestidade e a quebra da confiança. Hoje, há uma maior aceitação e mais justificação da desonestidade." Como isso aconteceu? Com a remoção de certas barreiras à fraude, a tentação aumentou.
Carvalho tem sua própria maneira de discernir as causas da deterioração moral e intelectual dos Estados Unidos. "Um dos fatores que causou esta mudança, com suas consequências altamente corrosivas para a vida diária dos americanos, foi o "neo-liberalismo" em voga, que via o mundo dos negócios como um poder auto-regulatório, capaz de se sobrepor à moralidade, à religião e à cultura e de ditar padrões de conduta com base no poder supostamente milagroso das leis do mercado. O que tornou os EUA grandes não foi só a economia de livre mercado, mas uma síntese disso com a moralidade cristã e com uma cultura que incluía o amor ao país e à família. Separada dessas forças regulatórias, a economia capitalista se torna um motor de auto-destruição, que é exatamente o que está acontecendo hoje."
Sem dúvida, há muita verdade na afirmação de que a sociedade americana tradicional sofreu colapso, sendo substituída pela "sociedade aberta", assim batizada por George Soros e Karl Popper. De acordo com Carvalho, a sociedade aberta se define como "não reconhecendo nenhum valor transcendente e deixando tudo à mercê de conveniências econômicas - conveniências que se alegam até para se justificar a própria demolição do mercado livre e sua substituição pelo estado de bem-estar social, baseado em taxação e dívida." Em outras palavras, Carvalho está dizendo que o livre mercado não torna os homens bons. Ele não os treina para serem morais. Ele não se dá ao trabalho de se defender do socialismo. Esses elementos na sociedade que no passado instilavam valores morais não são mais tão eficazes, se é que têm alguma eficácia.
Carvalho é de opinião que o conceito de "sociedade aberta" está sendo usado pelos inimigos dos EUA para destruírem "tudo o que é bom e grande neste país." Ele então menciona o pensador geopolítico russo Alexander Dugin, e "o emergente projeto russo-chinês...". Usando uma propaganda sutil, observa Carvalho, a "sociedade aberta" se torna um pretexto para difundir ódio global generalizado contra os Estados Unidos, pois a "sociedade aberta" produz uma degeneração moral que é, em seguida, atribuída ao modo americano de vida, o que supostamente demonstra a perversidade e decadência particulares do povo americano. Isso leva diretamente a uma discussão sobre os males do imperialismo cultural americano - o grito de guerra dos estrategistas russos e chineses, cujo objetivo é a eliminação dos Estados Unidos como potência mundial. A eficácia desta estratégia não deve ser subestimada. Como explica Carvalho, "A influência russo-chinesa tem crescido cada vez mais na América Latina. O governo dos Estados Unidos não percebeu isso porque ainda vê a Rússia e a China como aliados, apesar do fato de que eles são os dois maiores fornecedores de armas para o terrorismo ao redor do mundo. É preciso lembrar que a política externa de Putin é hoje guiada pela tão chamada estratégia "eurasiana", inventada pelo filósofo russo Alexander Dugin, que propõe que a Rússia, a China e o islamismo se aliem com todas as forças anti-americanas na Europa Ocidental, na África e na América Latina, com o propósito de fazerem um cerco final aos Estados Unidos. Essa estratégia já tem forte apoio militar na Organização de Cooperação de Xangai, um tipo de versão oriental da OTAN que reúne a Rússia, a China, o Cazaquistão, o Quirguistão, o Tajiquistão e o Uzbequistão."
Perguntei a Carvalho sobre reportagens recentes de um acordo entre o Irã islâmico e a Venezuela comunista para construírem uma base estratégica de mísseis apontados para os Estados Unidos. Perguntei se os marxistas da América do Sul estavam aliados à Al Qaeda e Teerã. "Sim, estão," respondeu ele. "Eles também estão aliados ao ETA, que é uma organização terrorista basca. Há muitos agentes dessas organizações no séquito de Hugo Chávez. Esse fato não é desconhecido de muitos governos latino-americanos, mas a maioria deles tem o compromisso de ficar de boca fechada sobre isso por causa dos acordos que assinaram como membros do Foro de São Paulo, a organização que lidera o movimento comunista na América Latina."
Eu então pedi a Carvalho para dar os nomes dos países trabalhando com os terroristas em todo o mundo para destruir os Estados Unidos. Ele respondeu assim: "Irã, Síria, Coreia do Norte, Cuba, Rússia e especialmente a China são os principais. Na América Latina, a Venezuela é o exemplo mais óbvio, mas a Venezuela não seria nada sem o apoio que recebe de todos os governos do Foro de São Paulo, cujo líder é o Brasil."
De acordo com Carvalho, a esquerda continua a consolidar sua posição na América Latina. "Ela tem seguido uma estratégia que foi explicitamente apresentada em um congresso comunista chinês há poucos anos: tomar o poder por meio de eleições legais e então erodir o sistema democrático a partir de dentro, para impedir a oposição de voltar ao poder em eleições futuras," explica ele. "Ou seja: eles vencem uma primeira disputa e em seguida passam a mudar as regras do jogo. No Brasil, esta estratégia tem levado a resultados espetaculares. Primeiro, a idéia era limitar o campo político a apenas dois disputantes: a esquerda radical e a esquerda moderada. Todas as outras forças políticas foram desmanteladas por meio de auditorias fiscais seletivas e acusações de corrupção que sequer precisavam ser provadas, já que elas destruíam reputações para sempre, assim que eram proclamadas em voz alta pela mídia."
Poderia o aliado tradicional dos Estados Unidos na América do Sul estar sob o controle de um movimento totalitário? Como poderíamos não ter percebido um acontecimento tão espantoso? "Os formadores de opinião dos Estados Unidos têm uma visão errada do Brasil", diz Carvalho, "porque o governo brasileiro sempre agiu com duas caras e de modo camuflado. Por um lado eles cortejam os investidores americanos para fortalecerem a economia brasileira, mas por outro eles tiram proveito do sucesso econômico a fim de consolidarem o poder esquerdista em casa, tornarem impossível qualquer oposição política que não seja da esquerda moderada, e darem apoio efetivo à ascensão da esquerda nos países vizinhos, enquanto protegem organizações abertamente terroristas como as FARC e o MIR chileno, que assim acabou controlando o crime organizado local e ganhando o monopólio do mercado das drogas no Brasil. Na Venezuela, Hugo Chávez também desmantelou a oposição, mas usando métodos mais crassos."
Já que o Brasil abriga a parte mais importante do movimento comunista na América Latina, como tem progredido a campanha antiamericana? De acordo com Carvalho, a esquerda nem sempre consegue avançar. "Ela segue um ritmo alternante", explica ele, "dependendo de se o importante no momento é adular os investidores estrangeiros ou unificar e fortalecer a Esquerda latino-americana."
"Há mais de dez anos", observa Carvalho, "eu tenho alertado que o Partido dos Trabalhadores (no Brasil) não é uma organização como as outras; ou seja, disposta a se alternar no poder com a oposição. O Partido dos Trabalhadores é uma organização revolucionária que tem o compromisso de remodelar o Estado e da sociedade inteira à sua imagem e semelhança, usando, para esse fim, os meios mais vis e corruptos. Como ninguém nunca acreditou em nada disso, todos se desarmaram gentilmente em face desse partido em ascensão e agora que ele controla tudo, ninguém pode fazer nada contra ele. O Brasil está sendo governado por um só partido com muitos nomes. Não vejo perspectiva mudança dessa situação no curto ou médio prazo."
Perguntei a Carvalho sobre o Chile, que se desviou da esquerda nas últimas eleições. De todos os países na América do Sul, qual é o segredo do aparente conservadorismo do Chile? "A elite chilena é infinitamente mais educada e moralmente mais bem preparada do que a elite brasileira," responde ele. "Quando as coisas começam a caminhar para o abismo, os chilenos conseguem entender o que está acontecendo e mudar de curso antes que o desastre ocorra. Você não consegue imaginar a preguiça intelectual dos empresários, políticos e militares brasileiros. Mesmo quando a situação se torna alarmante, eles se aferram a suas crenças confortáveis e costumeiras e se recusam a se informarem sobre o que está de fato acontecendo. As classes ricas no Brasil são presunçosas e indefesas. Elas não sabem como resistir ao jogo sutil das lisonjas e ameaças jogado pelo governo esquerdista que as controla. Não só no Chile, mas também na Argentina, as elites estão muito mais bem preparadas para enfrentar tal situação."
E qual é a coisa mais importante que os americanos precisam saber sobre a presente situação política na América do Sul? "A coisa mais importante", diz Olavo, "é a profunda e sólida unidade dos movimentos esquerdistas locais, que ultrapassa das fronteiras das nações; a unidade da estratégia revolucionária subjacente às diferenças aparentes e enganadoras de caráter nacional. Não há isso de 'duas esquerdas' na América Latina. Há apenas uma esquerda, que tem tanta solidariedade consigo mesma que nunca perde controle das duas caras que emprega para tapear os observadores americanos."
Ouvindo Carvalho caracterizar a elite empresarial e política brasileira como intelectualmente preguiçosa, eu não pude deixar de pensar na elite americana. Eles também se recusam a mudar de curso em face do desastre que se aproxima. Mesmo quando a situação se torna alarmante, eles gastam mais e mais dinheiro. Eles cortejam os inimigos e traem os aliados. É verdade, também, que eles "não sabem resistir ao jogo sutil das lisonjas e ameaças" jogado pelo poder esquerdista.
Texto retirado do Midia Sem Máscara
Original: A Philosopher's Warning
Tradução: Dextra
Revisão: Julio Severo
Nesta semana tive o prazer de entrevistar o filósofo brasileiro e presidente do Inter-American Institute, Olavo de Carvalho. Durante a conversa, sugeri que há algo de errado com nosso pensamento hoje; que não adoramos a Deus do mesmo modo, nem obedecemos às regras do mesmo modo, nem observamos as boas maneiras como no passado. "Para alguém como eu", começou ele, "que visitou este país nos anos 80 e voltou para viver aqui em 2005, as mudanças que a mentalidade americana sofreu em décadas recentes são realmente chocantes."
Carvalho me recomendou a leitura do livro de Tamar Frankel Trust and Honesty: America's Business Culture at the Crossroad [Confiança e Honestidade: A Cultura Americana dos Negócios em uma Encruzilhada], o qual, ele explicou, "descreve o declínio alarmante dos padrões morais no mundo americano dos negócios..." De acordo com o livro de Frankel, a erosão da confiança e da honestidade tem a ver com a aceitação e a justificação crescente de práticas fraudulentas. "O que mudou", escreve ela, "é a atitude em relação à desonestidade e a quebra da confiança. Hoje, há uma maior aceitação e mais justificação da desonestidade." Como isso aconteceu? Com a remoção de certas barreiras à fraude, a tentação aumentou.
Carvalho tem sua própria maneira de discernir as causas da deterioração moral e intelectual dos Estados Unidos. "Um dos fatores que causou esta mudança, com suas consequências altamente corrosivas para a vida diária dos americanos, foi o "neo-liberalismo" em voga, que via o mundo dos negócios como um poder auto-regulatório, capaz de se sobrepor à moralidade, à religião e à cultura e de ditar padrões de conduta com base no poder supostamente milagroso das leis do mercado. O que tornou os EUA grandes não foi só a economia de livre mercado, mas uma síntese disso com a moralidade cristã e com uma cultura que incluía o amor ao país e à família. Separada dessas forças regulatórias, a economia capitalista se torna um motor de auto-destruição, que é exatamente o que está acontecendo hoje."
Sem dúvida, há muita verdade na afirmação de que a sociedade americana tradicional sofreu colapso, sendo substituída pela "sociedade aberta", assim batizada por George Soros e Karl Popper. De acordo com Carvalho, a sociedade aberta se define como "não reconhecendo nenhum valor transcendente e deixando tudo à mercê de conveniências econômicas - conveniências que se alegam até para se justificar a própria demolição do mercado livre e sua substituição pelo estado de bem-estar social, baseado em taxação e dívida." Em outras palavras, Carvalho está dizendo que o livre mercado não torna os homens bons. Ele não os treina para serem morais. Ele não se dá ao trabalho de se defender do socialismo. Esses elementos na sociedade que no passado instilavam valores morais não são mais tão eficazes, se é que têm alguma eficácia.
Carvalho é de opinião que o conceito de "sociedade aberta" está sendo usado pelos inimigos dos EUA para destruírem "tudo o que é bom e grande neste país." Ele então menciona o pensador geopolítico russo Alexander Dugin, e "o emergente projeto russo-chinês...". Usando uma propaganda sutil, observa Carvalho, a "sociedade aberta" se torna um pretexto para difundir ódio global generalizado contra os Estados Unidos, pois a "sociedade aberta" produz uma degeneração moral que é, em seguida, atribuída ao modo americano de vida, o que supostamente demonstra a perversidade e decadência particulares do povo americano. Isso leva diretamente a uma discussão sobre os males do imperialismo cultural americano - o grito de guerra dos estrategistas russos e chineses, cujo objetivo é a eliminação dos Estados Unidos como potência mundial. A eficácia desta estratégia não deve ser subestimada. Como explica Carvalho, "A influência russo-chinesa tem crescido cada vez mais na América Latina. O governo dos Estados Unidos não percebeu isso porque ainda vê a Rússia e a China como aliados, apesar do fato de que eles são os dois maiores fornecedores de armas para o terrorismo ao redor do mundo. É preciso lembrar que a política externa de Putin é hoje guiada pela tão chamada estratégia "eurasiana", inventada pelo filósofo russo Alexander Dugin, que propõe que a Rússia, a China e o islamismo se aliem com todas as forças anti-americanas na Europa Ocidental, na África e na América Latina, com o propósito de fazerem um cerco final aos Estados Unidos. Essa estratégia já tem forte apoio militar na Organização de Cooperação de Xangai, um tipo de versão oriental da OTAN que reúne a Rússia, a China, o Cazaquistão, o Quirguistão, o Tajiquistão e o Uzbequistão."
Perguntei a Carvalho sobre reportagens recentes de um acordo entre o Irã islâmico e a Venezuela comunista para construírem uma base estratégica de mísseis apontados para os Estados Unidos. Perguntei se os marxistas da América do Sul estavam aliados à Al Qaeda e Teerã. "Sim, estão," respondeu ele. "Eles também estão aliados ao ETA, que é uma organização terrorista basca. Há muitos agentes dessas organizações no séquito de Hugo Chávez. Esse fato não é desconhecido de muitos governos latino-americanos, mas a maioria deles tem o compromisso de ficar de boca fechada sobre isso por causa dos acordos que assinaram como membros do Foro de São Paulo, a organização que lidera o movimento comunista na América Latina."
Eu então pedi a Carvalho para dar os nomes dos países trabalhando com os terroristas em todo o mundo para destruir os Estados Unidos. Ele respondeu assim: "Irã, Síria, Coreia do Norte, Cuba, Rússia e especialmente a China são os principais. Na América Latina, a Venezuela é o exemplo mais óbvio, mas a Venezuela não seria nada sem o apoio que recebe de todos os governos do Foro de São Paulo, cujo líder é o Brasil."
De acordo com Carvalho, a esquerda continua a consolidar sua posição na América Latina. "Ela tem seguido uma estratégia que foi explicitamente apresentada em um congresso comunista chinês há poucos anos: tomar o poder por meio de eleições legais e então erodir o sistema democrático a partir de dentro, para impedir a oposição de voltar ao poder em eleições futuras," explica ele. "Ou seja: eles vencem uma primeira disputa e em seguida passam a mudar as regras do jogo. No Brasil, esta estratégia tem levado a resultados espetaculares. Primeiro, a idéia era limitar o campo político a apenas dois disputantes: a esquerda radical e a esquerda moderada. Todas as outras forças políticas foram desmanteladas por meio de auditorias fiscais seletivas e acusações de corrupção que sequer precisavam ser provadas, já que elas destruíam reputações para sempre, assim que eram proclamadas em voz alta pela mídia."
Poderia o aliado tradicional dos Estados Unidos na América do Sul estar sob o controle de um movimento totalitário? Como poderíamos não ter percebido um acontecimento tão espantoso? "Os formadores de opinião dos Estados Unidos têm uma visão errada do Brasil", diz Carvalho, "porque o governo brasileiro sempre agiu com duas caras e de modo camuflado. Por um lado eles cortejam os investidores americanos para fortalecerem a economia brasileira, mas por outro eles tiram proveito do sucesso econômico a fim de consolidarem o poder esquerdista em casa, tornarem impossível qualquer oposição política que não seja da esquerda moderada, e darem apoio efetivo à ascensão da esquerda nos países vizinhos, enquanto protegem organizações abertamente terroristas como as FARC e o MIR chileno, que assim acabou controlando o crime organizado local e ganhando o monopólio do mercado das drogas no Brasil. Na Venezuela, Hugo Chávez também desmantelou a oposição, mas usando métodos mais crassos."
Já que o Brasil abriga a parte mais importante do movimento comunista na América Latina, como tem progredido a campanha antiamericana? De acordo com Carvalho, a esquerda nem sempre consegue avançar. "Ela segue um ritmo alternante", explica ele, "dependendo de se o importante no momento é adular os investidores estrangeiros ou unificar e fortalecer a Esquerda latino-americana."
"Há mais de dez anos", observa Carvalho, "eu tenho alertado que o Partido dos Trabalhadores (no Brasil) não é uma organização como as outras; ou seja, disposta a se alternar no poder com a oposição. O Partido dos Trabalhadores é uma organização revolucionária que tem o compromisso de remodelar o Estado e da sociedade inteira à sua imagem e semelhança, usando, para esse fim, os meios mais vis e corruptos. Como ninguém nunca acreditou em nada disso, todos se desarmaram gentilmente em face desse partido em ascensão e agora que ele controla tudo, ninguém pode fazer nada contra ele. O Brasil está sendo governado por um só partido com muitos nomes. Não vejo perspectiva mudança dessa situação no curto ou médio prazo."
Perguntei a Carvalho sobre o Chile, que se desviou da esquerda nas últimas eleições. De todos os países na América do Sul, qual é o segredo do aparente conservadorismo do Chile? "A elite chilena é infinitamente mais educada e moralmente mais bem preparada do que a elite brasileira," responde ele. "Quando as coisas começam a caminhar para o abismo, os chilenos conseguem entender o que está acontecendo e mudar de curso antes que o desastre ocorra. Você não consegue imaginar a preguiça intelectual dos empresários, políticos e militares brasileiros. Mesmo quando a situação se torna alarmante, eles se aferram a suas crenças confortáveis e costumeiras e se recusam a se informarem sobre o que está de fato acontecendo. As classes ricas no Brasil são presunçosas e indefesas. Elas não sabem como resistir ao jogo sutil das lisonjas e ameaças jogado pelo governo esquerdista que as controla. Não só no Chile, mas também na Argentina, as elites estão muito mais bem preparadas para enfrentar tal situação."
E qual é a coisa mais importante que os americanos precisam saber sobre a presente situação política na América do Sul? "A coisa mais importante", diz Olavo, "é a profunda e sólida unidade dos movimentos esquerdistas locais, que ultrapassa das fronteiras das nações; a unidade da estratégia revolucionária subjacente às diferenças aparentes e enganadoras de caráter nacional. Não há isso de 'duas esquerdas' na América Latina. Há apenas uma esquerda, que tem tanta solidariedade consigo mesma que nunca perde controle das duas caras que emprega para tapear os observadores americanos."
Ouvindo Carvalho caracterizar a elite empresarial e política brasileira como intelectualmente preguiçosa, eu não pude deixar de pensar na elite americana. Eles também se recusam a mudar de curso em face do desastre que se aproxima. Mesmo quando a situação se torna alarmante, eles gastam mais e mais dinheiro. Eles cortejam os inimigos e traem os aliados. É verdade, também, que eles "não sabem resistir ao jogo sutil das lisonjas e ameaças" jogado pelo poder esquerdista.
Texto retirado do Midia Sem Máscara
Original: A Philosopher's Warning
Tradução: Dextra
Revisão: Julio Severo
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Americanas.com oferece 3 mil reais para clientes insatisfeitos não reclamarem na TV
Quem nunca teve probema com compra online? No meu caso, foi justamente com a Americanas.com, a qual só entrou em contato comigo após ter gravado diversas ligações ao SAC sem sucesso. Após a ameaça de ir à justiça e à TV eles me responderam e resolveram o problema.
Pois então está avisado! Empresas online costumam ser péssimas, mas a Americanas.com é pior ainda!!!
Boa sorte para quem ainda assim quiser dar dinheiro para eles.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Memórias do Araguaia
Por Aloísio Rodrigues dos Santos - Gen Div EB
Não me surpreendi com a Portaria do Ministério da Defesa, que trata do resgate de ossadas de integrantes do Partido Comunista do Brasil (P C do B) mortos no Araguaia nos anos de 1972/73/74, nem com as suas repercussões na imprensa, nem com as declarações de seus militantes, particularmente Criméia Alice Schmidt de Almeida, sobre a qual farei considerações a respeito da sua saída da área de guerrilha no sudeste do Pará, no segundo semestre de 1972.
Já fiz inúmeras observações sobre a guerrilha, onde destaco as características físicas da área; o aliciamento, a doutrinação e o recrutamento de jovens; o tratamento às vítimas; a realização de cursos no exterior; os combates de encontro; o apoio político e o apoio financeiro do exterior; a transferência do foco para o P C do B; e outras, todas citadas em textos publicados na internet. Algumas dessas considerações constarão, parcialmente, deste texto para sua melhor compreensão.
No início da década de 60, provavelmente após o congresso de fundação do P C do B (11 a 18 de fevereiro de 1962), bem antes da contrarrevolução de 31/03/1964, militantes do partido foram designados para a realização de cursos de guerrilha rural na Academia Militar de Pequim, sob os auspícios do Partido Comunista Chinês.
Ao mesmo tempo, o comitê central do partido já sistematizava diretrizes, procedimentos e ações, visando ao reconhecimento de áreas no interior do Brasil propícias ao desenvolvimento da guerra de guerrilhas. Essas áreas deveriam estar distantes das regiões mais desenvolvidas e dos grandes centros urbanos, do poder político e dos órgãos de segurança do Estado; ser de difícil acesso, com uma população rarefeita e abandonada pelo poder central e com amplos vazios demográficos; e outras características que favorecessem a implantação, o crescimento e o desenvolvimento da guerrilha rural, que seria o instrumento e o estímulo visando a criação de um “Exército Popular de Libertação”.
Dentre as áreas que possam ter sido alvos de interesse por parte do partido, destaco uma no sudeste do Pará; outra no norte de Goiás (hoje Tocantins), na região conhecida como Bico do Papagaio; uma terceira em Mato Grosso; e por último uma localizada na divisa de Goiás com Mato Grosso. Outras foram descartadas por inúmeras razões.
Definido o sudeste do Pará como área prioritária, em 1966 os primeiros militantes já se homiziavam na região, reconheciam detalhadamente o terreno e se aproximavam da humilde população rural e urbana dos pequenos núcleos habitacionais, para definir e propor ao comitê central os locais mais adequados para receber os futuros “guerrilheiros”, recrutados e aprovados pela direção do partido.
Assim, concluída a primeira fase para a futura ocupação da área, em 24/12/1967 os primeiros jovens aliciados chegavam ao seu destino final. Duas rotas de acesso à região foram definidas pelos “estrategistas” do partido. Uma pelo nordeste, considerada secundária, passava por Imperatriz(MA).
A principal iniciava-se por São Paulo(SP), passava por Anápolis e Araguaína em Goiás e chegava em Xambioá no Pará, com suas variantes. A grande maioria dos aliciados foi conduzida por essa rota pelos integrantes do comitê central, considerada também a principal rota de saída.
De dezembro de 1967 a março de 1972 -4 anos e 4 meses- aproximadamente 60 jovens foram levados e incorporados ao grupo que lá havia se instalado desde 1966. Efetivo muito reduzido para quem se propõe a criar um exército de libertação. Um sonho. Uma irresponsabilidade de homens e mulheres idosos, comunistas fanáticos, experientes e inescrupulosos, que não titubearam em tirar jovens do seio de suas famílias,conduzi-los ao Araguaia e induzi-los a resistir até à morte.
Identificada a área pelos órgãos de segurança, praticamente todos os “guerrilheiros” foram abandonados à própria sorte pelos seus dirigentes, que não mais lá retornaram nos anos subsequentes. O simples reconhecimento da região permitiu a prisão dos primeiros militantes, alguns subnutridos, que se entregaram pacificamente, sem esboçar qualquer reação.
Foram bem tratados. Mudaram de partido.
De certa forma julgo emblemática a prisão da militante Rioko Kayano, que mais tarde se casaria com José Genoíno.
Elza de Lima Monnerat, dirigente que, clandestinamente, a conduzia para se integrar a área, abandonou-a e a delatou aos agentes que revistavam o ônibus em que viajavam, retornando de imediato à São Paulo.
Mas, a comissão militar da guerrilha e o núcleo mais importante dos dirigentes do comitê central, esses a mais de 2.000 Km de distância da área, exigiam o cumprimento espartano das decisões e a aceitação indiscutível de procedimentos, tudo imposto pela comissão militar. Dentre essas normas, destaco pela relevância uma decisão com os seus desdobramentos e um procedimento imposto, apenas, às “militantes comuns”.
A decisão refere-se à segurança da área, que assim pode ser objetiva e sinteticamente resumida: “quem entrar na área não pode dela sair, qualquer que seja o motivo, pois a saída poderá comprometer a segurança da área e do partido”. As exceções eram prerrogativas dos dirigentes de maior nível.
Para fazer cumprir essa decisão, algumas ameaças, veladas ou não, foram transmitidas ao conjunto como orientações importantes para a segurança da guerrilha e do partido, estimulando o cumprimento das normas e inibindo os que se propusessem a abandonar a área.
-Primeira: “se você for preso pelo Exército, você será torturado até a morte”, o que levou a grande maioria dos militantes a resistir até à morte no decorrer das operações.
-Segunda: “se você abandonar o seu ponto de apoio (como eram chamados os locais de moradia) e o seu destacamento, você não sobreviverá no interior da selva”.
-Terceira: “quem entrar na área não poderá dela se ausentar, mesmo temporariamente, ou sair sem autorização da comissão militar ou do comitê central”.
Nessa última ameaça poderíamos enquadrar o destino do militante ”Mundico”, Rosalindo de Souza. Disposto a abandonar a área, foi “justiçado” por decisão da comissão militar, episódio acobertado e, até hoje, não explicado de forma conveniente e convincente pelos dirigentes partidários.
Quanto ao procedimento específico para as mulheres, a gravidez exigia a realização de um aborto, pois a saída da área, para a segurança do recém nascido e para o sucesso do parto, poria em risco a segurança do partido e da guerrilha. Tal circunstância levou uma gestante e seu companheiro, ameaçados pela direção que exigia o aborto, a se evadirem da área, ambos retornando à sua cidade de origem, onde permaneceram na clandestinidade.
Em contrapartida, a militante Criméia Alice Schmidt de Almeida foi autorizada a sair da área em condições semelhantes, ao final de 1972, pois mantinha relacionamento familiar com um dirigente do P C do B (Criméia era companheira de André Grabois, filho de Maurício Grabois membro da comissão militar).
Dois pesos, duas medidas.
Essa mesma militante, em reportagem ao jornal “Estado de São Paulo” de 24/06/2009, “representante da comissão dos familiares dos mortos e desaparecidos na ditadura militar(1964-1985)”, afirmou que a presença do Exército na região “é uma estupidez”, ao mesmo tempo em que exigia, praticamente, que a comissão nomeada pelo Ministério da Defesa(MD) fosse transferida para outro órgão, retirando do Exército as responsabilidades que a sua coordenação impunha. Com a divulgação deste artigo, Criméia saiu dos noticiários em 2009 e evita fazer qualquer "marolinha".
Finalizando, pergunto: Que autoridade tem essa senhora para exigir do MD, pela imprensa, que o Exército deva ser um mero coadjuvante na busca das “ossadas” e não o ator principal?
Por que reprisar a farsa anterior da comissão de anistia, onde o representante do Exército se constituiu em um mero legitimador dos trabalhos e das decisões dessa comissão?
Já se esqueceram ou ainda se lembram(?) de uma integrante da comissão, que dela se demitiu, em caráter irrevogável, em razão da parcialidade das votações sempre aprovadas por uma maioria injusta, partidária, ideológica e comprometida?
A senhora Criméia se julga melhor ou superior à militante do Ceará (Cristina) que fugiu da área de guerrilha, com o seu companheiro (Pedro), para concluir a gravidez e se tornar mãe?
Não sente vergonha de ter sido privilegiada e de ter tido apoio para se afastar da área, enquanto a outra e seu companheiro tiveram de fugir e enfrentar os desafios e os perigos que a selva impõe aos inexperientes?
Texto retirado do site A Verdade Sufocada
Não me surpreendi com a Portaria do Ministério da Defesa, que trata do resgate de ossadas de integrantes do Partido Comunista do Brasil (P C do B) mortos no Araguaia nos anos de 1972/73/74, nem com as suas repercussões na imprensa, nem com as declarações de seus militantes, particularmente Criméia Alice Schmidt de Almeida, sobre a qual farei considerações a respeito da sua saída da área de guerrilha no sudeste do Pará, no segundo semestre de 1972.
Criméia e o filho recém nascido, em Brasília
No início da década de 60, provavelmente após o congresso de fundação do P C do B (11 a 18 de fevereiro de 1962), bem antes da contrarrevolução de 31/03/1964, militantes do partido foram designados para a realização de cursos de guerrilha rural na Academia Militar de Pequim, sob os auspícios do Partido Comunista Chinês.
João Amazonas - Comitê Central do PC do B
Dentre as áreas que possam ter sido alvos de interesse por parte do partido, destaco uma no sudeste do Pará; outra no norte de Goiás (hoje Tocantins), na região conhecida como Bico do Papagaio; uma terceira em Mato Grosso; e por último uma localizada na divisa de Goiás com Mato Grosso. Outras foram descartadas por inúmeras razões.
Definido o sudeste do Pará como área prioritária, em 1966 os primeiros militantes já se homiziavam na região, reconheciam detalhadamente o terreno e se aproximavam da humilde população rural e urbana dos pequenos núcleos habitacionais, para definir e propor ao comitê central os locais mais adequados para receber os futuros “guerrilheiros”, recrutados e aprovados pela direção do partido.
Assim, concluída a primeira fase para a futura ocupação da área, em 24/12/1967 os primeiros jovens aliciados chegavam ao seu destino final. Duas rotas de acesso à região foram definidas pelos “estrategistas” do partido. Uma pelo nordeste, considerada secundária, passava por Imperatriz(MA).
A principal iniciava-se por São Paulo(SP), passava por Anápolis e Araguaína em Goiás e chegava em Xambioá no Pará, com suas variantes. A grande maioria dos aliciados foi conduzida por essa rota pelos integrantes do comitê central, considerada também a principal rota de saída.
Elza Monerat - Comitê Central, do PCdoB. Uma das recrutadora
de jovens que eram enviados para a área de guerrilha, onde ficavam sem apoio.
De dezembro de 1967 a março de 1972 -4 anos e 4 meses- aproximadamente 60 jovens foram levados e incorporados ao grupo que lá havia se instalado desde 1966. Efetivo muito reduzido para quem se propõe a criar um exército de libertação. Um sonho. Uma irresponsabilidade de homens e mulheres idosos, comunistas fanáticos, experientes e inescrupulosos, que não titubearam em tirar jovens do seio de suas famílias,conduzi-los ao Araguaia e induzi-los a resistir até à morte.
Identificada a área pelos órgãos de segurança, praticamente todos os “guerrilheiros” foram abandonados à própria sorte pelos seus dirigentes, que não mais lá retornaram nos anos subsequentes. O simples reconhecimento da região permitiu a prisão dos primeiros militantes, alguns subnutridos, que se entregaram pacificamente, sem esboçar qualquer reação.
Foram bem tratados. Mudaram de partido.
De certa forma julgo emblemática a prisão da militante Rioko Kayano, que mais tarde se casaria com José Genoíno.
Elza de Lima Monnerat, dirigente que, clandestinamente, a conduzia para se integrar a área, abandonou-a e a delatou aos agentes que revistavam o ônibus em que viajavam, retornando de imediato à São Paulo.
Mas, a comissão militar da guerrilha e o núcleo mais importante dos dirigentes do comitê central, esses a mais de 2.000 Km de distância da área, exigiam o cumprimento espartano das decisões e a aceitação indiscutível de procedimentos, tudo imposto pela comissão militar. Dentre essas normas, destaco pela relevância uma decisão com os seus desdobramentos e um procedimento imposto, apenas, às “militantes comuns”.
A decisão refere-se à segurança da área, que assim pode ser objetiva e sinteticamente resumida: “quem entrar na área não pode dela sair, qualquer que seja o motivo, pois a saída poderá comprometer a segurança da área e do partido”. As exceções eram prerrogativas dos dirigentes de maior nível.
Para fazer cumprir essa decisão, algumas ameaças, veladas ou não, foram transmitidas ao conjunto como orientações importantes para a segurança da guerrilha e do partido, estimulando o cumprimento das normas e inibindo os que se propusessem a abandonar a área.
-Primeira: “se você for preso pelo Exército, você será torturado até a morte”, o que levou a grande maioria dos militantes a resistir até à morte no decorrer das operações.
-Segunda: “se você abandonar o seu ponto de apoio (como eram chamados os locais de moradia) e o seu destacamento, você não sobreviverá no interior da selva”.
-Terceira: “quem entrar na área não poderá dela se ausentar, mesmo temporariamente, ou sair sem autorização da comissão militar ou do comitê central”.
Nessa última ameaça poderíamos enquadrar o destino do militante ”Mundico”, Rosalindo de Souza. Disposto a abandonar a área, foi “justiçado” por decisão da comissão militar, episódio acobertado e, até hoje, não explicado de forma conveniente e convincente pelos dirigentes partidários.
Quanto ao procedimento específico para as mulheres, a gravidez exigia a realização de um aborto, pois a saída da área, para a segurança do recém nascido e para o sucesso do parto, poria em risco a segurança do partido e da guerrilha. Tal circunstância levou uma gestante e seu companheiro, ameaçados pela direção que exigia o aborto, a se evadirem da área, ambos retornando à sua cidade de origem, onde permaneceram na clandestinidade.
Em contrapartida, a militante Criméia Alice Schmidt de Almeida foi autorizada a sair da área em condições semelhantes, ao final de 1972, pois mantinha relacionamento familiar com um dirigente do P C do B (Criméia era companheira de André Grabois, filho de Maurício Grabois membro da comissão militar).
Dois pesos, duas medidas.
Essa mesma militante, em reportagem ao jornal “Estado de São Paulo” de 24/06/2009, “representante da comissão dos familiares dos mortos e desaparecidos na ditadura militar(1964-1985)”, afirmou que a presença do Exército na região “é uma estupidez”, ao mesmo tempo em que exigia, praticamente, que a comissão nomeada pelo Ministério da Defesa(MD) fosse transferida para outro órgão, retirando do Exército as responsabilidades que a sua coordenação impunha. Com a divulgação deste artigo, Criméia saiu dos noticiários em 2009 e evita fazer qualquer "marolinha".
Finalizando, pergunto: Que autoridade tem essa senhora para exigir do MD, pela imprensa, que o Exército deva ser um mero coadjuvante na busca das “ossadas” e não o ator principal?
Por que reprisar a farsa anterior da comissão de anistia, onde o representante do Exército se constituiu em um mero legitimador dos trabalhos e das decisões dessa comissão?
Já se esqueceram ou ainda se lembram(?) de uma integrante da comissão, que dela se demitiu, em caráter irrevogável, em razão da parcialidade das votações sempre aprovadas por uma maioria injusta, partidária, ideológica e comprometida?
A senhora Criméia se julga melhor ou superior à militante do Ceará (Cristina) que fugiu da área de guerrilha, com o seu companheiro (Pedro), para concluir a gravidez e se tornar mãe?
Não sente vergonha de ter sido privilegiada e de ter tido apoio para se afastar da área, enquanto a outra e seu companheiro tiveram de fugir e enfrentar os desafios e os perigos que a selva impõe aos inexperientes?
Texto retirado do site A Verdade Sufocada
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Carta aberta aos deputados e senadores dos EUA: A VERDADE SOBRE A MUDANÇA CLIMÁTICA
8 de fevereiro de 2011
Aos membros da Câmara dos Representantes e do Senado dos EUA:
Em resposta a "A Importância da Ciência no tratamento das mudanças climáticas",
Em 28 de janeiro de 2011, dezoito cientistas enviaram uma carta (ver também esta notícia ) aos membros da Câmara dos Representantes e do Senado dos EUA, instando-os a "deitar um renovado olhar sobre as mudanças climáticas".
O objetivo deles, aparentemente, é denegrir a visão dos cientistas que discordam da afirmação deles segundo a qual o aumento contínuo do ritmo de produção de dióxido de carbono (CO2) pela queima de carvão, gás e petróleo vai provocar uma série de cataclismos ligados às mudanças climáticas.
Nós, abaixo assinados, em total desacordo com eles gostaríamos aproveitar esta oportunidade para expor brevemente nosso lado da questão.
Os dezoito alarmistas do clima (assim nos referimos a eles, não pejorativamente, mas simplesmente porque eles se vêem como "soando o alarme" sobre muitas questões climáticas) afirmam que os povos do mundo "precisam se preparar para inundações maciças geradas por tempestades extremas do tipo que está sendo experimentado com freqüência cada vez maior", bem como para os "impactos diretos na saúde provocados pelas ondas de calor" e pelas "doenças infecciosas sensíveis ao clima", além de uma série de outros fenômenos devastadores.
E eles dizem que "nenhum resultado de pesquisa produziu prova alguma que desafie a compreensão científica global do que está acontecendo com o clima do nosso planeta", compreensão essa que é entendida como sendo o ponto de vista deles sobre o que está acontecendo com o clima da Terra.
Diante destas declarações, no entanto, nós constituímos uma grande exceção.
São os dezoito alarmistas os que parecem não ter consciência "do que está acontecendo com o clima do nosso planeta", bem como do vasto acúmulo de pesquisas que fundamenta esse conhecimento.
Por exemplo, uma longa lista das reivindicações e de outras que os alarmistas do clima fazem freqüentemente pode ser encontrada no site do Centro para o Estudo de Dióxido de Carbono e Mudanças Globais (veja Carbon Dioxide and Earth's Future: Pursuing the Prudent Path).
Esse relatório apresenta uma refutação ponto por ponto de todas as reivindicações do "grupo dos dezoito" citando em cada caso investigações científicas peer-reviewed sobre os efeitos reais das alterações climáticas nas várias décadas passadas.
Se o "grupo dos dezoito" invoca a ignorância dessa informação, devido à sua recente postagem, então nós chamamos a atenção para um relatório maior e mais abrangente publicado em 2009: Climate Change Reconsidered: The 2009 Report of the Nongovernmental International Panel on Climate Change (NIPCC). Esse documento foi postado há mais de um ano na sua totalidade em www.nipccreport.org.
Estas são apenas duas coletâneas recentes da investigação científica, entre muitas que poderíamos citar. Será que os 678 estudos científicos referenciados no documento de CO2 Science, ou os milhares de estudos citados no relatório NIPCC, fornecem provas tiradas do mundo real (em oposição aos modelos teóricos de previsões climáticas) para os aumentos forçados nos números sobre o aquecimento global e sobre a gravidade das enchentes em todo o mundo?
Não.
Sobre o número global e a severidade das secas?
Não.
Sobre o número e a gravidade dos furacões e outras tempestades?
Não.
Será que eles fornecem alguma prova tirada do mundo real de que os mares da Terra estão inundando as planícies costeiras em todo o globo?
Não.
Um aumento da mortalidade humana?
Não.
A extinção de plantas e animais?
Não.
Um declínio da produtividade vegetativa?
Não.
Mais freqüentes e mais mortíferos embranquecimentos dos corais?
Não.
A vida marinha se desintegra em oceanos acidificados?
Não.
Muito pelo contrário, esses relatórios fornecem provas empíricas de que estes fenômenos não estão acontecendo.
E em muitas destes setores, os trabalhos referenciados no relatório fornecem uma resposta exatamente oposta à do aquecimento global, ou seja, apontam os efeitos benéficos para a biosfera trazidos pelo aumento das temperaturas e dos níveis de CO2.
À luz da profusão de observações sobre o funcionamento do mundo real, mostrando que o modesto aquecimento da segunda metade do século XX trouxe pouco ou nenhum efeito negativo, e, mais ainda, a evidência crescente dos efeitos positivos, achamos incompreensível que os dezoito alarmistas do clima possam sugerir algo tão distante da verdade quanto a alegação de que nenhuma pesquisa forneceu qualquer prova que desafie o ponto de vista deles sobre o que está acontecendo com o clima da Terra e com a meteorologia.
Mas não assuma nossa palavra só por causa dela.
Leia os dois relatórios.
E, em seguida, forme sua própria opinião sobre o assunto.
Não se deixe intimidar por falsas alegações de "consenso científico" ou prova contundente.
Estes não são argumentos científicos e eles pura e simplesmente não são verdadeiros.
Como os dezoito alarmistas do clima, nós pedimos ao Sr. que deite um olhar renovado sobre as mudanças climáticas.
Nós acreditamos que o senhor perceberá que elas não são a horrenda ameaça ambiental que eles e outros pretendem ser, e que eles exageram constantemente os efeitos negativos do aquecimento global sobre a economia dos EUA, a segurança nacional e a saúde pública, sendoque esses efeitos podem ser catalogados entre pequenos e negligênciáveis.
Assinado por:
Syun-Ichi Akasofu, University of Alaska¹
Scott Armstrong, University of Pennsylvania
James Barrante, Southern Connecticut State University¹
John Boring, University of Virginia¹
Roger Cohen, American Physical Society Fellow
David Douglass, University of Rochester
Don Easterbrook, Western Washington University¹
Robert Essenhigh, The Ohio State University¹
Neil Frank, Former Director National Hurricane Center
Martin Fricke, Senior Fellow, American Physical Society
Lee Gerhard, University of Kansas¹
Ulrich Gerlach, The Ohio State University
Victor Goldschmidt, Purdue University¹
Guillermo Gonzalez, Grove City College
Laurence Gould, University of Hartford
Bill Gray, Colorado State University¹
Will Happer, Princeton University²
Howard Hayden, University of Connecticut¹
Craig Idso, Center for the Study of Carbon Dioxide and Global Change
Sherwood Idso, USDA, U.S. Water Conservation Laboratory¹
Richard Keen, University of Colorado¹
Doral Kemper, USDA, Agricultural Research Service¹
Hugh Kendrick, Office of Nuclear Reactor Programs, DOE¹
Edward Krug, University of Illinois¹
Richard Lindzen, Massachusetts Institute of Technology²
Anthony Lupo, University of Missouri
Patrick Michaels, Cato Institute
Donald Nielsen, University of California, Davis¹
Al Pekarek, St. Cloud State University
John Rhoads, Midwestern State University¹
Nicola Scafetta, Duke University
Gary Sharp, Center for Climate/Ocean Resources Study
S. Fred Singer, University of Virginia¹
Roy Spencer, University of Alabama
George Taylor, Past President, American Association of State Climatologists
Frank Tipler, Tulane University
James Wanliss, Presbyterian College
Leonard Weinstein, National Institute of Aerospace Senior Research Fellow
Samuel Werner, University of Missouri1
Bruce West, American Physical Society Fellow
Thomas Wolfram, University of Missouri¹
1 - Emérito ou aposentado
2 - Membro da National Academy of Sciences
Endossado por:
Rodney Armstrong, Geophysicist
Richard Becherer, University of Connecticut¹
E. Calvin Beisner, The Cornwall Alliance for the Stewardship of Creation
Edwin Berry, Certified Consulting Meteorologist
Joseph Bevelacqua, Bevelacqua Resources
Carmen Catanese, American Physical Society Member
Roy Clark, Ventura Photonics
John Coleman, Meteorologist KUSI TV
Darrell Connelly, Geophysicist
Joseph D'Aleo, Certified Consulting Meteorologist
Terry Donze, Geophysicist¹
Mike Dubrasich, Western Institute for Study of the Environment
John Dunn, American Council on Science and Health of NYC
Dick Flygare, Engineer
Michael Fox, Nuclear industry/scientist
Gordon Fulks, Gordon Fulks and Associates
Steve Goreham, Climate Science Coalition of America
Ken Haapala, Science & Environmental Policy Project
Martin Hertzberg, Bureau of Mines¹
Art Horn, Meteorologist
Keith Idso, Center for the Study of Carbon Dioxide and Global Change
John Kimberly, Geologist
Jay Lehr, The Heartland Institute
Robert Lerine, Industrial and Defense Research and Engineering¹
Peter Link, Geologist
James Macdonald, Chief Meteorologist for the Travelers Weather Service¹
Roger Matson, Society of Independent Professional Earth Scientists
Tony Pann, Meteorologist WBAL TV
Ned Rasor, Consulting Physicist
James Rogers, Geologist¹
Norman Rogers, National Association of Scholars
Rene Rogers, Litton Electron Devices¹
Bruce Schwoegler, MySky Communications, Inc.
Thomas Sheahen, Western Technology Incorporated
James Spann, Chief Meteorologist, ABC 33/40 - Birmingham
Andrew Spurlock, Starfire Engineering and Technologies, Inc.
Leighton Steward, PlantsNeedCO2.org
Soames Summerhays, Summerhays Films, Inc.
Charles Touhill, Consulting Environmental Engineer
David Wojick, Climatechangedebate.org
Bob Zybach, Ecologist
1 - Emérito ou aposentado.
Original em HTML; em PDF aqui.
Tradução: Luiz Dufaur, editor do blog Verde, a cor nova do comunismo - http://ecologia-clima-aquecimento.blogspot.com/
Aos membros da Câmara dos Representantes e do Senado dos EUA:
Em resposta a "A Importância da Ciência no tratamento das mudanças climáticas",
Em 28 de janeiro de 2011, dezoito cientistas enviaram uma carta (ver também esta notícia ) aos membros da Câmara dos Representantes e do Senado dos EUA, instando-os a "deitar um renovado olhar sobre as mudanças climáticas".
O objetivo deles, aparentemente, é denegrir a visão dos cientistas que discordam da afirmação deles segundo a qual o aumento contínuo do ritmo de produção de dióxido de carbono (CO2) pela queima de carvão, gás e petróleo vai provocar uma série de cataclismos ligados às mudanças climáticas.
Nós, abaixo assinados, em total desacordo com eles gostaríamos aproveitar esta oportunidade para expor brevemente nosso lado da questão.
Os dezoito alarmistas do clima (assim nos referimos a eles, não pejorativamente, mas simplesmente porque eles se vêem como "soando o alarme" sobre muitas questões climáticas) afirmam que os povos do mundo "precisam se preparar para inundações maciças geradas por tempestades extremas do tipo que está sendo experimentado com freqüência cada vez maior", bem como para os "impactos diretos na saúde provocados pelas ondas de calor" e pelas "doenças infecciosas sensíveis ao clima", além de uma série de outros fenômenos devastadores.
E eles dizem que "nenhum resultado de pesquisa produziu prova alguma que desafie a compreensão científica global do que está acontecendo com o clima do nosso planeta", compreensão essa que é entendida como sendo o ponto de vista deles sobre o que está acontecendo com o clima da Terra.
Diante destas declarações, no entanto, nós constituímos uma grande exceção.
São os dezoito alarmistas os que parecem não ter consciência "do que está acontecendo com o clima do nosso planeta", bem como do vasto acúmulo de pesquisas que fundamenta esse conhecimento.
Por exemplo, uma longa lista das reivindicações e de outras que os alarmistas do clima fazem freqüentemente pode ser encontrada no site do Centro para o Estudo de Dióxido de Carbono e Mudanças Globais (veja Carbon Dioxide and Earth's Future: Pursuing the Prudent Path).
Esse relatório apresenta uma refutação ponto por ponto de todas as reivindicações do "grupo dos dezoito" citando em cada caso investigações científicas peer-reviewed sobre os efeitos reais das alterações climáticas nas várias décadas passadas.
Se o "grupo dos dezoito" invoca a ignorância dessa informação, devido à sua recente postagem, então nós chamamos a atenção para um relatório maior e mais abrangente publicado em 2009: Climate Change Reconsidered: The 2009 Report of the Nongovernmental International Panel on Climate Change (NIPCC). Esse documento foi postado há mais de um ano na sua totalidade em www.nipccreport.org.
Estas são apenas duas coletâneas recentes da investigação científica, entre muitas que poderíamos citar. Será que os 678 estudos científicos referenciados no documento de CO2 Science, ou os milhares de estudos citados no relatório NIPCC, fornecem provas tiradas do mundo real (em oposição aos modelos teóricos de previsões climáticas) para os aumentos forçados nos números sobre o aquecimento global e sobre a gravidade das enchentes em todo o mundo?
Não.
Sobre o número global e a severidade das secas?
Não.
Sobre o número e a gravidade dos furacões e outras tempestades?
Não.
Será que eles fornecem alguma prova tirada do mundo real de que os mares da Terra estão inundando as planícies costeiras em todo o globo?
Não.
Um aumento da mortalidade humana?
Não.
A extinção de plantas e animais?
Não.
Um declínio da produtividade vegetativa?
Não.
Mais freqüentes e mais mortíferos embranquecimentos dos corais?
Não.
A vida marinha se desintegra em oceanos acidificados?
Não.
Muito pelo contrário, esses relatórios fornecem provas empíricas de que estes fenômenos não estão acontecendo.
E em muitas destes setores, os trabalhos referenciados no relatório fornecem uma resposta exatamente oposta à do aquecimento global, ou seja, apontam os efeitos benéficos para a biosfera trazidos pelo aumento das temperaturas e dos níveis de CO2.
À luz da profusão de observações sobre o funcionamento do mundo real, mostrando que o modesto aquecimento da segunda metade do século XX trouxe pouco ou nenhum efeito negativo, e, mais ainda, a evidência crescente dos efeitos positivos, achamos incompreensível que os dezoito alarmistas do clima possam sugerir algo tão distante da verdade quanto a alegação de que nenhuma pesquisa forneceu qualquer prova que desafie o ponto de vista deles sobre o que está acontecendo com o clima da Terra e com a meteorologia.
Mas não assuma nossa palavra só por causa dela.
Leia os dois relatórios.
E, em seguida, forme sua própria opinião sobre o assunto.
Não se deixe intimidar por falsas alegações de "consenso científico" ou prova contundente.
Estes não são argumentos científicos e eles pura e simplesmente não são verdadeiros.
Como os dezoito alarmistas do clima, nós pedimos ao Sr. que deite um olhar renovado sobre as mudanças climáticas.
Nós acreditamos que o senhor perceberá que elas não são a horrenda ameaça ambiental que eles e outros pretendem ser, e que eles exageram constantemente os efeitos negativos do aquecimento global sobre a economia dos EUA, a segurança nacional e a saúde pública, sendoque esses efeitos podem ser catalogados entre pequenos e negligênciáveis.
Assinado por:
Syun-Ichi Akasofu, University of Alaska¹
Scott Armstrong, University of Pennsylvania
James Barrante, Southern Connecticut State University¹
John Boring, University of Virginia¹
Roger Cohen, American Physical Society Fellow
David Douglass, University of Rochester
Don Easterbrook, Western Washington University¹
Robert Essenhigh, The Ohio State University¹
Neil Frank, Former Director National Hurricane Center
Martin Fricke, Senior Fellow, American Physical Society
Lee Gerhard, University of Kansas¹
Ulrich Gerlach, The Ohio State University
Victor Goldschmidt, Purdue University¹
Guillermo Gonzalez, Grove City College
Laurence Gould, University of Hartford
Bill Gray, Colorado State University¹
Will Happer, Princeton University²
Howard Hayden, University of Connecticut¹
Craig Idso, Center for the Study of Carbon Dioxide and Global Change
Sherwood Idso, USDA, U.S. Water Conservation Laboratory¹
Richard Keen, University of Colorado¹
Doral Kemper, USDA, Agricultural Research Service¹
Hugh Kendrick, Office of Nuclear Reactor Programs, DOE¹
Edward Krug, University of Illinois¹
Richard Lindzen, Massachusetts Institute of Technology²
Anthony Lupo, University of Missouri
Patrick Michaels, Cato Institute
Donald Nielsen, University of California, Davis¹
Al Pekarek, St. Cloud State University
John Rhoads, Midwestern State University¹
Nicola Scafetta, Duke University
Gary Sharp, Center for Climate/Ocean Resources Study
S. Fred Singer, University of Virginia¹
Roy Spencer, University of Alabama
George Taylor, Past President, American Association of State Climatologists
Frank Tipler, Tulane University
James Wanliss, Presbyterian College
Leonard Weinstein, National Institute of Aerospace Senior Research Fellow
Samuel Werner, University of Missouri1
Bruce West, American Physical Society Fellow
Thomas Wolfram, University of Missouri¹
1 - Emérito ou aposentado
2 - Membro da National Academy of Sciences
Endossado por:
Rodney Armstrong, Geophysicist
Richard Becherer, University of Connecticut¹
E. Calvin Beisner, The Cornwall Alliance for the Stewardship of Creation
Edwin Berry, Certified Consulting Meteorologist
Joseph Bevelacqua, Bevelacqua Resources
Carmen Catanese, American Physical Society Member
Roy Clark, Ventura Photonics
John Coleman, Meteorologist KUSI TV
Darrell Connelly, Geophysicist
Joseph D'Aleo, Certified Consulting Meteorologist
Terry Donze, Geophysicist¹
Mike Dubrasich, Western Institute for Study of the Environment
John Dunn, American Council on Science and Health of NYC
Dick Flygare, Engineer
Michael Fox, Nuclear industry/scientist
Gordon Fulks, Gordon Fulks and Associates
Steve Goreham, Climate Science Coalition of America
Ken Haapala, Science & Environmental Policy Project
Martin Hertzberg, Bureau of Mines¹
Art Horn, Meteorologist
Keith Idso, Center for the Study of Carbon Dioxide and Global Change
John Kimberly, Geologist
Jay Lehr, The Heartland Institute
Robert Lerine, Industrial and Defense Research and Engineering¹
Peter Link, Geologist
James Macdonald, Chief Meteorologist for the Travelers Weather Service¹
Roger Matson, Society of Independent Professional Earth Scientists
Tony Pann, Meteorologist WBAL TV
Ned Rasor, Consulting Physicist
James Rogers, Geologist¹
Norman Rogers, National Association of Scholars
Rene Rogers, Litton Electron Devices¹
Bruce Schwoegler, MySky Communications, Inc.
Thomas Sheahen, Western Technology Incorporated
James Spann, Chief Meteorologist, ABC 33/40 - Birmingham
Andrew Spurlock, Starfire Engineering and Technologies, Inc.
Leighton Steward, PlantsNeedCO2.org
Soames Summerhays, Summerhays Films, Inc.
Charles Touhill, Consulting Environmental Engineer
David Wojick, Climatechangedebate.org
Bob Zybach, Ecologist
1 - Emérito ou aposentado.
Original em HTML; em PDF aqui.
Tradução: Luiz Dufaur, editor do blog Verde, a cor nova do comunismo - http://ecologia-clima-aquecimento.blogspot.com/
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
A cultura dos chatos com o dinheiro dos outros...
Por Leonardo Bruno
Certo dia passeava por uma avenida conhecida, próxima de minha casa, quando notei algo estranho em sua esquina: a pizzaria, que até então existia ali, foi substituída por um salão de beleza. De fato, entendi a razão de sumir daquela lanchonete. Na última vez que comprei pizza por lá, o preço era tão caro e a comida tão ruim, que provavelmente as pessoas se recusaram a pagar por aquele serviço. E o dono do lugar, percebendo que não sabia fazer ou vender pizzas, acabou por fechá-lo, dando espaço para outros que sabiam vender o seu produto. O livre mercado cumpre o seu papel, depurando e eliminando os maus serviços, através do julgamento e do voto do consumidor.
No entanto, tal regra não conta no caso muito específico que ocorreu em São Paulo. O dono de um imóvel recusou-se a renovar o contrato de aluguel e ameaçou fechar as portas de um cinema antigo, velho, cuja bilheteria não rendia (salvo para alguns gatos pingados metidos a cults) e onde o público era ínfimo. Ou na melhor das hipóteses, resolveu alugar o seu imóvel para alguém que oferecesse uma proposta mais rentável. Nada mais lógico, dentro dos direitos de propriedade, que alguém disponha de seu bem ao bel prazer. E tenha lucros e dividendos com isso. Por outro lado, criar uma loja no imóvel pode ser a perspectiva mais inteligente de um empresário, que capta a necessidade dos consumidores. Até o dado momento, ninguém dava a mínima para o cinema ali, cujo prédio estava envelhecido e o grosso do público não desembolsava um tostão pelos filmes passados ali. Na verdade, o Cinema Belas Artes, localizado na Rua da Consolação e criado em 1943, já andava mal das pernas e vivia às custas do patrocínio do Banco HSBC, uma vez que os rendimentos de bilheteria não compensavam os custos do recinto. Em março do ano passado, os patrocinadores retiraram suas verbas sobre o elefante branco e o cinema começou a sentir o abalo da falta de financiamento.
A ameaça do encerramento do cinema atingiu algumas figuras da esquerda festiva, que contrariadas, fizeram áridas objeções, junto com o coro dos funcionários, que não queriam perder o emprego. E a quem eles foram apelar para "salvar" o cinema? Aos novos patrocinadores privados? Não, ao papai Estado! Embora o imóvel não tenha nenhum valor histórico palpável, a pedidos dos manifestantes, o pomposo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) interditou o cinema com vistas de tombá-lo e impediu que o seu proprietário alugasse o imóvel para uma outra loja. Pior, o dono foi impedido de tocar no seu prédio, reformá-lo , derrubá-lo ou alugá-lo para outro por três meses. No final das contas, o dono acabou por virar refém dos ativistas e do Estado. A propriedade privada não é mais sua, salvo, é claro, no prejuízo de não alugar novamente a casa por um preço maior e um inquilino mais generoso.
O assunto desencadeou afirmações apaixonadas. O cineasta Fernando Meirelles entrou na história, dando seus pitacos: "Infelizmente não há nada parecido com o Belas na cidade. O pior de tudo foi saber que o cinema vai sair dali para dar lugar a mais uma lojinha. Caramba, São Paulo já tem tanta lojinha. Não entendo esta compulsão por compras. Acho que nasci na época errada!". Outro funcionário, o projetista do cinema, declara: "Isso é mais do que perder o emprego. É perder um pouco da minha história". O mais grotesco é que o Estado foi chamado, justamente como um possível patrocinador das sessões cinematográficas dos intelectuais de botequim. Um sociólogo simpático ao cinema cult, Carlos Dória, não escondeu o viés estatizante: "Por que os governos não se propuseram a ajudar no pagamento de um aluguel mais alto?". Não vão tombar o prédio, mas o próprio cartaz do cinema! Neste interim, houve até conjecturas de desapropriar o imóvel. Claro que isso vai custar dinheiro público. Tudo para preservar os gostos particulares de alguns poucos frequentadores, numa cidade de 11 milhões de habitantes! Em miúdos, 11 milhões de paulistanos vão pagar do seu bolso o cinema que alguns poucos iluminados cinéfilos são incapazes de desembolsar. . .
É no mínimo estranho que o sociólogo, o cineasta e demais outros admiradores dos espaços cults de cinema defendam a permanência do Belas Artes sem dar um mínimo de patrocínio de seus respectivos bolsos. Claro, quem deve pagar é o Estado, é o contribuinte, é o dono do imóvel, tudo para o belíssimo e sacrossanto gosto deles. O funcionário do cinema tem lá suas razões para defender o seu emprego e o seu bolso. Ele pode se desesperar na extinção de seu oficio de projetista, tal como o cocheiro do começo do século XX ficaria desesperado com os automóveis movidos a combustível. Mas por que o direito de resguardar o dinheiro não é garantido aos milhões de paulistanos que não desembolsam um tostão para o cinema? Por que esse privilégio só diz respeito aos cinéfilos do Belas Artes? Os gostos particulares cults e a nostalgia dos cinéfilos custam muito caro ao contribuinte.
Por outro lado, há um lado perverso revelado nessa história. No Brasil, a cultura intelectual não vive sem o Estado. Desde que surgiram Embrafilme, Ministério da Cultura ou secretarias estaduais para o mesmo fim e meia dúzia de políticos e burocratas rasteiros, o artista, o intelectual, o cineasta, não consegue viver mais sem verbas estatais. O governo subsidia tudo e enfraquece o mercado privado de cultura. Em nome de justificativas das mais espúrias, como a "defesa da cultura nacional" ou o "combate a cultura de massa", meia dúzia de intelectuais, artistas e cineastas amigos do rei Estado recebem gordos subsídios governamentais para fazer filmes que só eles mesmos e sua turma cult vêem. Filmes chatíssimos, sem pé nem cabeça e que só são idolatrados por críticos de arte em jornais, por conta de um conchavo ideológico grosseiro de intelectuais esquerdistas. E que geram prejuízos escandalosos ao contribuinte.
Eu não tiro o direito de alguém defender a permanência do Cinema Belas Artes. Acredito, inclusive, que é triste que a época nostálgica dos espetáculos dos cinemas tenha um fim tão melancólico e não empolgue as novas gerações. A televisão, o DVD, as TVs a cabo, a internet, enfim, acabaram com o privilégio e glamour dos cinemas. Deve haver muitas razões culturais elevadas para que esses manifestantes queiram a manutenção dos cartazes dos filmes. Contudo, quem quiser assumir o risco de sustentar o elefante branco, faça-o do próprio bolso e não obrigue outras pessoas, na figura do Estado, do contribuinte ou do proprietário do imóvel a pagarem a conta. O Cinema Belas Artes é tão relevante para a cidade de São Paulo quanto era pizzaria da esquina do meu bairro. Até um salão de beleza seria mais útil. Não tem a menor importância histórica, mas tão somente para àqueles que pagam para assistir seus filmes. A manifestação dos seus frequentadores é puro fetichismo e nada mais. Com o dinheiro dos outros...
Retirado do site Midia sem Mascara.
Certo dia passeava por uma avenida conhecida, próxima de minha casa, quando notei algo estranho em sua esquina: a pizzaria, que até então existia ali, foi substituída por um salão de beleza. De fato, entendi a razão de sumir daquela lanchonete. Na última vez que comprei pizza por lá, o preço era tão caro e a comida tão ruim, que provavelmente as pessoas se recusaram a pagar por aquele serviço. E o dono do lugar, percebendo que não sabia fazer ou vender pizzas, acabou por fechá-lo, dando espaço para outros que sabiam vender o seu produto. O livre mercado cumpre o seu papel, depurando e eliminando os maus serviços, através do julgamento e do voto do consumidor.
No entanto, tal regra não conta no caso muito específico que ocorreu em São Paulo. O dono de um imóvel recusou-se a renovar o contrato de aluguel e ameaçou fechar as portas de um cinema antigo, velho, cuja bilheteria não rendia (salvo para alguns gatos pingados metidos a cults) e onde o público era ínfimo. Ou na melhor das hipóteses, resolveu alugar o seu imóvel para alguém que oferecesse uma proposta mais rentável. Nada mais lógico, dentro dos direitos de propriedade, que alguém disponha de seu bem ao bel prazer. E tenha lucros e dividendos com isso. Por outro lado, criar uma loja no imóvel pode ser a perspectiva mais inteligente de um empresário, que capta a necessidade dos consumidores. Até o dado momento, ninguém dava a mínima para o cinema ali, cujo prédio estava envelhecido e o grosso do público não desembolsava um tostão pelos filmes passados ali. Na verdade, o Cinema Belas Artes, localizado na Rua da Consolação e criado em 1943, já andava mal das pernas e vivia às custas do patrocínio do Banco HSBC, uma vez que os rendimentos de bilheteria não compensavam os custos do recinto. Em março do ano passado, os patrocinadores retiraram suas verbas sobre o elefante branco e o cinema começou a sentir o abalo da falta de financiamento.
A ameaça do encerramento do cinema atingiu algumas figuras da esquerda festiva, que contrariadas, fizeram áridas objeções, junto com o coro dos funcionários, que não queriam perder o emprego. E a quem eles foram apelar para "salvar" o cinema? Aos novos patrocinadores privados? Não, ao papai Estado! Embora o imóvel não tenha nenhum valor histórico palpável, a pedidos dos manifestantes, o pomposo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) interditou o cinema com vistas de tombá-lo e impediu que o seu proprietário alugasse o imóvel para uma outra loja. Pior, o dono foi impedido de tocar no seu prédio, reformá-lo , derrubá-lo ou alugá-lo para outro por três meses. No final das contas, o dono acabou por virar refém dos ativistas e do Estado. A propriedade privada não é mais sua, salvo, é claro, no prejuízo de não alugar novamente a casa por um preço maior e um inquilino mais generoso.
O assunto desencadeou afirmações apaixonadas. O cineasta Fernando Meirelles entrou na história, dando seus pitacos: "Infelizmente não há nada parecido com o Belas na cidade. O pior de tudo foi saber que o cinema vai sair dali para dar lugar a mais uma lojinha. Caramba, São Paulo já tem tanta lojinha. Não entendo esta compulsão por compras. Acho que nasci na época errada!". Outro funcionário, o projetista do cinema, declara: "Isso é mais do que perder o emprego. É perder um pouco da minha história". O mais grotesco é que o Estado foi chamado, justamente como um possível patrocinador das sessões cinematográficas dos intelectuais de botequim. Um sociólogo simpático ao cinema cult, Carlos Dória, não escondeu o viés estatizante: "Por que os governos não se propuseram a ajudar no pagamento de um aluguel mais alto?". Não vão tombar o prédio, mas o próprio cartaz do cinema! Neste interim, houve até conjecturas de desapropriar o imóvel. Claro que isso vai custar dinheiro público. Tudo para preservar os gostos particulares de alguns poucos frequentadores, numa cidade de 11 milhões de habitantes! Em miúdos, 11 milhões de paulistanos vão pagar do seu bolso o cinema que alguns poucos iluminados cinéfilos são incapazes de desembolsar. . .
É no mínimo estranho que o sociólogo, o cineasta e demais outros admiradores dos espaços cults de cinema defendam a permanência do Belas Artes sem dar um mínimo de patrocínio de seus respectivos bolsos. Claro, quem deve pagar é o Estado, é o contribuinte, é o dono do imóvel, tudo para o belíssimo e sacrossanto gosto deles. O funcionário do cinema tem lá suas razões para defender o seu emprego e o seu bolso. Ele pode se desesperar na extinção de seu oficio de projetista, tal como o cocheiro do começo do século XX ficaria desesperado com os automóveis movidos a combustível. Mas por que o direito de resguardar o dinheiro não é garantido aos milhões de paulistanos que não desembolsam um tostão para o cinema? Por que esse privilégio só diz respeito aos cinéfilos do Belas Artes? Os gostos particulares cults e a nostalgia dos cinéfilos custam muito caro ao contribuinte.
Por outro lado, há um lado perverso revelado nessa história. No Brasil, a cultura intelectual não vive sem o Estado. Desde que surgiram Embrafilme, Ministério da Cultura ou secretarias estaduais para o mesmo fim e meia dúzia de políticos e burocratas rasteiros, o artista, o intelectual, o cineasta, não consegue viver mais sem verbas estatais. O governo subsidia tudo e enfraquece o mercado privado de cultura. Em nome de justificativas das mais espúrias, como a "defesa da cultura nacional" ou o "combate a cultura de massa", meia dúzia de intelectuais, artistas e cineastas amigos do rei Estado recebem gordos subsídios governamentais para fazer filmes que só eles mesmos e sua turma cult vêem. Filmes chatíssimos, sem pé nem cabeça e que só são idolatrados por críticos de arte em jornais, por conta de um conchavo ideológico grosseiro de intelectuais esquerdistas. E que geram prejuízos escandalosos ao contribuinte.
Eu não tiro o direito de alguém defender a permanência do Cinema Belas Artes. Acredito, inclusive, que é triste que a época nostálgica dos espetáculos dos cinemas tenha um fim tão melancólico e não empolgue as novas gerações. A televisão, o DVD, as TVs a cabo, a internet, enfim, acabaram com o privilégio e glamour dos cinemas. Deve haver muitas razões culturais elevadas para que esses manifestantes queiram a manutenção dos cartazes dos filmes. Contudo, quem quiser assumir o risco de sustentar o elefante branco, faça-o do próprio bolso e não obrigue outras pessoas, na figura do Estado, do contribuinte ou do proprietário do imóvel a pagarem a conta. O Cinema Belas Artes é tão relevante para a cidade de São Paulo quanto era pizzaria da esquina do meu bairro. Até um salão de beleza seria mais útil. Não tem a menor importância histórica, mas tão somente para àqueles que pagam para assistir seus filmes. A manifestação dos seus frequentadores é puro fetichismo e nada mais. Com o dinheiro dos outros...
Retirado do site Midia sem Mascara.
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