sábado, 30 de outubro de 2010

A grande farsa do aquecimento global pelo IPCC\ONU e Al Gore: alguns videos

Série de reportagens feitas por Lord Christofer Monckton com membros do Greenpeace durante a COP 15.


 





O caso Climategate e as perguntas incovenientes à ONU e a Al Gore.







O Canal 4 britânico produziu um documentário devastador intitulado "A Grande Fraude do Aquecimento Global". Ele não foi, ao que parece, exibido por nenhuma das redes de televisão nos EUA. Mas, felizmente, ele está disponível na Internet.

PARTE 1


PARTE 2


PARTE 3
 

PARTE 4


PARTE 5
 

PARTE 6


PARTE 7


PARTE 8


PARTE 9

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Comunismo, a ótima ferramenta do totalitarismo

Por Mr MacColin

Ah, a doce visão de mundo criada pela esquerda! E como é fácil sucumbir ao belo canto da sereia comunista. Todos os males econômicos  e sociais do mundo teem responsáveis identificáveis. Existem pobres porque existem ricos; faltam recursos porque alguém os possui em excesso; os juros são altos pois os banqueiros lucram e os politicos se financiam; há fome pois há agroexportação; falta terra para índios e desabrigados pois há latifundiários; há desigualdade social pois existem o capital e o capitalismo; os impostos são insuficientes aos projetos sociais porque o imperialismo yankee nos impõe a dívida externa; o trabalhador é explorado pois o sistema capitalista favorece os detentores da propriedade e do capital.

A última vez que me deparei com tamanha asneira foi em um ponto de ônibus da Tijuca. Lá estavam pendurados alguns panfletos intitulados "Não Votar!", com a tão conhecida foice-e-martelo impressa a um canto e assinados pelo Comitê Popular Revolucionário Clandestino. Bem que eu tentei resistir e não pegar um exemplar de papel-de-bunda, mas o desejo pelo auto flagelo foi maior. Peguei a maldita folhinha e a levei para casa.


Transcreverei alguns trechos do manifesto e os comentarei com base nas seguintes considerações. A organização econômica a que estamos vinculados é o capitalismo, ou seja, obedecemos aos princípios da propriedade privada, da livre competição e da liberdade. Qualquer revolução que nos mova deste alinhamento nos isolará do resto do mundo capitalista e nos alinhará à Coréia do Norte, Venezuela , Cuba e China. Dessa forma, é essencial que não misturemos as duas organizações ao discutirmos suas propostas; irei comentar as criticas feitas ao capitalismo, usando o contexto capitalista e comentarei as propostas comunistas em um novo cenário, o socialismo. Por falta de critérios pré determinados, certos termos como ricos, pobres, riqueza e burguesia, são interpretados por cada leitor de forma diferente de acordo com sua condição econômica e seu alinhamento ideológico. Estas palavras genéricas servem bem à intenção dos manifestantes comunistas pois adapta os anseios do leitor à sua corrente de pensamento, mesmo que estes sejam divergentes em sua essência. Para evitar esta armadilha, desconsiderarei a "luta de classes", esta simplificação das dinâmicas social e econômica existentes que propõe duas classes opostas,confundindo casta com classe, e considerarei o conceito de classes econômicas usado pela FGV*, assim como considerarei também o princípio econômico da escassez de recursos ao discorrer sobre riqueza. Em palavras mais competentes, corroboro minha posição citando Ludwig von Mises:

"As pessoas aceitam o socialismo do ponto de vista de suas próprias idéias. Elas estão inteiramente convencidas de que um sistema socialista irá proceder precisamente no modo pelo qual elas mesmas gostariam de proceder. Elas estão inteiramente convencidas que todas as outras pessoas deveriam ser forçadas a adaptarem-se a este sistema, o qual certamente elas consideram como o melhor e o único sistema possível. Quando falamos sobre o Socialismo nós assumimos, se estamos a favor dele, que o sistema socialista irá funcionar precisamente no modo pelo qual o indivíduo socialista quer que ele funcione. Nós então assumimos que este sistema, este método, irá trazer precisamente aqueles resultados e aquelas situações que este indivíduo apoiador da idéia socialista quer que sejam obtidos."

Dito isto, passemos aos trechos do manifesto:

1) "(...)votar é apoiar as classes exploradoras e seu velho Estado que há séculos oprimem e mantêm o povo na miséria, entregando as riquezas de nosso país para as potências estrangeiras."

Nesta parte o Comitê dá a entender que a escolha democrática dos representantes do povo por meio das eleições é necessariamente apoiar um sistema de exploração. Desconsidera desta maneira a diversidade de correntes políticas e introduz disfarçadamente em seu cerne o germe do totalitarismo e da intransigência política. De forma simples e taxativa anuncia que qualquer representante que não seja ele, o autor do manifesto, é um explorador.  


Por classe exploradora consideram aqueles que possuem os meios de produção e qualquer forma de poder, de controle social. Não é explicado como o partido único comunista seria diferente neste ponto, no caso de vigorar um governo socialista.

A manutenção do povo na miséria é dita por Marx como fruto dos salários de subsistência do sistema capitalista, que levariam por fim ao empobrecimento geral dos operários e por conseguinte à falência do capitalismo. Contudo, na verdade, o que se vê é o aumento ininterrupto dos salários reais e a ascensão das classes econômicas mais baixas, exceto nos casos de hiperinflação, corrupção, regime ditatorial e monopólio. Os casos em que ocorrem o empobrecimento geral da população em detrimento dos esforços meritocráticos da sociedade, são tratados como desajustes do sistema capitalista e tratados como tal, seja por políticas econômicas, seja pelo próprio mercado.

A entrega de riquezas aos estrangeiros pode ser vista de forma simplista como um atentado à nação. Primeiramente devemos identificar o que é riqueza. Um conceito ultrapassado de riqueza é o do metalismo, no qual são consideradas as reservas de metais preciosos para contabilizar a riqueza de um país. O conceito mais usado hoje considera os bens e serviços produzidos e pode ser contabilizado pelo PIB. Há outras formas de se considerar riqueza, como pela visão da economia solidária que mostra como a solidariedade pode diminuir o PIB e como algumas catástrofes podem aumentá-lo. Irei usar o conceito mais comum, que equivale o PIB à riqueza de um país. Neste trecho, vemos claramente a intensão de mal interpretar as ações nacionais, transformando o comércio exterior fruto das vontades individuais, em escambo colonial sendo a parte perdedora a pseudo colônia (o Brasil). Evitam desta forma, mostrar as benfeitoras produzidas na indústria nacional e nos lares das familias, por meio de oferta de bens inexistentes no mercado doméstico e essenciais à produção industrial nacional, e de bens de consumo mais competitivos e, muitas vezes, de maior qualidade ou diversidade. Negar portanto o comércio exterior é, mais uma vez, negar a liberdade individual em prol de uma planificação das condições economico-sociais niveladas por baixo e mantidas nos patamares de origem por força maior.
   

2) "Votar é consentir esta vergonhosa situação que aí está, que em verdade é a ditadura da burguesia e dos latifundiários, serviçais do imperialismo, principalmente ianque (norte-americano). Sistema de privilégios absolutos dos ricos e de injustiças e engano para os pobres."

Sem apontar quem são os representantes da burguesia a fim de incluir a maior parte dos leitores possivel, o Comitê cria o inimigo nacional, responsável por toda e qualquer mazela existente a qualquer momento da história do país, sendo comum a imputação de responsabilidade histórica, ou seja, retroativa e até pré-parto. A criação do inimigo nacional apela inclusive para o perigo da defesa nacional e acende no íntimo do leitor o ufanismo xenofóbico de seus antepassados. Típico de uma teoria da conspiração, o culpado pela traição à pátria é ligado aos interesses do dono do Dólar. Não lembram no entanto, que o fascínio pelo dólar e pelos Estados Unidos vem da vaga lembrança do sistema no qual estamos incluidos e que faz desta moeda estrangeira uma importante ferramenta estabilizadora da economia. Por fim, o inimigo é taxado como traidor e ditador (mesmo estando de acordo com as leis vigentes no país e respeitando a regra do jogo econômico), e as entrelinhas deixam escapar deste trecho que o mérito individual, a labuta e a justa remuneração em forma de lucro somente fazem parte da vida dos ditadores burgueses.

3) "Essa democracia burguesa-burocrática é um sistema de 'partido único', do partido dos exploradores, dos bilionários e sanguessugas."

Para não repetir a mim mesmo, replicarei este trecho com questionamentos diretos à ideologia comunista. O partido único socialista seria melhor em que do tal "partido único" burguês? A falta de opções e de liberdade de escolha não seria infligida da mesma forma? O que impede a formação do verdadeiro partido comunista em uma sociedade livre e democrática, como esta em que vivemos? Qual a falta de mérito na acumulação pecuniária bilionária de um individuo que o faz por seu esforço e por sua herança, de maneira honesta segundo os principios e as leis vigentes? Como uma sociedade comunista seria menos burocrática do que a tão dita democracia burguesa, sendo ela por si só a encarnação do Estado soberano? Como pode um governo liberal de estado mínimo ser mais burocrático do que o governo socialista de partido único?

Citando novamente o mestre Ludwig von Mises: "Marx foi incapaz de levar em consideração o fato de que a evolução das grandes empresas e suas unidades comerciais não necessariamente envolve a concentração de riqueza em poucas mãos. As grandes empresas são, quase que sem exceção, corporações — precisamente porque elas são grandes demais para que poucos indivíduos sejam inteiramente os proprietários delas. O crescimento das unidades comerciais ultrapassou em muito o crescimento das fortunas individuais. Os ativos de uma corporação não são idênticos à riqueza de seus acionistas. Uma parte considerável desses ativos, o equivalente a ações preferenciais, títulos corporativos emitidos e empréstimos levantados, pertence virtualmente, senão no sentido do conceito legal de propriedade, a outras pessoas — a saber, os donos dos títulos, das ações preferenciais e os credores das dívidas. Onde essas ações e obrigações são mantidas por bancos e companhias de seguro, e esses empréstimos foram concedidos por esses bancos e companhias, os virtuais proprietários são as pessoas clientes dessas instituições. Da mesma forma, as ações ordinárias de uma corporação não estão, via de regra, concentradas nas mãos de um homem. Quanto maior a corporação, mais amplamente distribuídas estão suas ações."

4) "Qualquer manifestação popular em defesa dos mais elementares direitos é brutalmente reprimida. Os aparatos policiais já não se contentam mais em espancar o povo com cassetetes e gás lacrimogêneo, agora a ordem é atirar. Nunca a polícia matou tanta gente pobre na cidade e no campo. A matança de jovens tornou-se rotina."

Com esta afirmativa, percebe-se o engodo maior que o manifesto poderia lançar mão: a mentira. Há muito não se vê tal afronta às liberdades individuais neste nível tão baixo. Talvez a ação da polícia a que tenha se referido o autor seja consequência da inobservância dos manifestantes comunistas às regras vigentes. Talvez não tenham eles notificado a Guarda Municipal com antecipação a fim de organizar melhor o trânsito e assim não causar transtornos maiores àqueles que nada querem ter com o manifesto. Ou talvez, os manifestantes inebriados pelo furor juvenil característico das massas de manobra estudantis tenham excedido as suas manifestações e tentado invadir algum local privado.

5) "Os preços dos alimentos, remédios e outros bens de primeira necessidade não param de disparar, a inflação corrói a economia popular e as absurdas taxas de juros continuam sendo as maiores do mundo."

Em completo desacordo com as regras econômicas tanto de esquerda como de direita, o autor afirma que a inflação corrói o poder de compra da população como se isto fosse gerado por má intenção do inimigo da nação, e não por uma lógica econômica. 
Outro absurdo tipico da falta do saber e do interesse pelo mesmo é afirmar que os juros altos só os são desta forma para o maior lucro dos banqueiros. Mais uma vez, ignoram a isenção do Copom e do Bacen frente às politicagens, assim como a meta da manutenção das taxas de inflação baixas e a manutenção de reservas internacionais contra intempéries econômicas externas. Nada é feito sem motivo ou cálculo prévio, caros comunistas!   
Para elucidar mais um pouco cito exaustivamente Ludwig von Mises:''Na execução dessa tarefa, ele iniciou seu raciocínio pela espúria 'lei de ferro dos salários' — de acordo com a qual o salário médio é aquela quantidade específica dos meios de subsistência absolutamente necessários para permitir, de maneira escassa, que o trabalhador possa sobreviver e criar sua prole. Essa suposta lei já foi, desde então, inteiramente desacreditada, e até mesmo os mais fanáticos marxistas já a abandonaram. Porém, mesmo que alguém estivesse disposto, pelo bem da argumentação, a dizer que tal lei é correta, é óbvio que ela não poderia de maneira alguma servir como base para uma demonstração de que a evolução do capitalismo leva ao empobrecimento progressivo dos assalariados.

Se, sob o capitalismo, os salários são sempre tão baixos a ponto de, por razões psicológicas, não poderem cair ainda mais sem que isso extermine toda a classe de assalariados, é impossível manter a tese apresentada pelo Manifesto Comunista de que o trabalhador "se afunda mais e mais" com o progresso da indústria. Como todos os outros argumentos de Marx, essa demonstração é contraditória e autodestrutiva.  Marx jactava-se de ter descoberto as leis imanentes da evolução capitalista. A mais importante dessas leis, segundo ele próprio, era a lei do empobrecimento progressivo das massas assalariadas. É o funcionamento dessa lei que ocasionaria o colapso final do capitalismo e a emergência do socialismo. Quando essa lei for entendida como totalmente espúria, as bases tanto do sistema econômico de Marx quanto de sua teoria da evolução capitalista estarão acabadas."


6) "As doenças antes eliminadas voltam em ondas de epidemias matando centenas de crianças e adultos em todo país. O sistema educacional e de saúde públicas tem sua estrutura material sucateada (...), decai a qualidade dos serviços e se definham bombardeados pelas políticas ditadas pelo Banco Mundial."

Desta parte, não me confrontarei com as trombetas apocalípticas do Comitê que responsabilizam a ditadura burguesa pela insistência das doenças em flagelar a raça humana. Falarei apenas que desde o fim do periodo FHC e o inicio do governo Lula, o Brasil conseguiu se desprender dos desmandos do BIRD, do BID, do Eximbank, do FMI e de tantos outros. Portanto, creio que o Comitê precisa se atualizar, sair um pouco de casa, respirar o ar puro e enxergar o mundo pós século vinte.


7) "Acabar com este velho Estado, esta verdadeira máquina de corrupção, varrer o atraso e a secular pilhagem estrangeira sobre a Nação."

Não me recordo de uma só nação comunista que sirva de exemplo de progresso científico e tecnológico. Mesmo aqueles pequenos progressos feitos na antiga URSS, foram alcançados por meio da força da ditadura comunista e portanto não recebe os méritos do esforço honesto de um verdadeiro cientista.

8) "Só a revolução dirigida pela classe operária através de seu autêntico Partido Comunista, apoiando-se na Frente Única das classes oprimidas e revolucionárias (operários, camponeses, estudantes e intelectuais honestos, pequenos e médios proprietários), baseada na aliança operário-camponesa e no Exército Popular para levar a luta armada revolucionária da Guerra Popular Prolongada, poderá destruir o podre e velho Estado de grandes burgueses e latifundiários, serviçais do imperialismo e todo seu corrupto sistema de governo e estabelecer a República Popular de Nova Democracia e passar ininterruptamente ao Socialismo."

Por fim, deixo este último trecho sem comentários, afinal quem poderia defender uma guerra civil em pleno ano 2010, seja por qual motivo for?



*Classes Econômicas:
Classe AB -> população com renda domiciliar per capita acima de R$ 4807.
Classe C -> população com renda domiciliar entre R$ 1115 e R$ 4807.
Classe D -> população com renda domiciliar entre R$ 804 e R$ 1115.
Classe E -> população com renda domiciliar até R$ 804.


Fontes:
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=750

http://libertatum.blogspot.com/2006/01/socialismo-vs-economia-de-mercado.html

http://www.sinprorp.org.br/clipping/2008/081.htm

Papa Bento XVI contra o perigo das políticas abortistas no Brasil

VISITA "AD LIMINA APOSTOLORUM" DEGLI ECC. MI PRESULI DELLA CONFERENZA EPISCOPALE DEL BRASILE (REGIONE NORDESTE V)

Alle ore 11 di questa mattina, il Santo Padre Benedetto XVI incontra i Vescovi della Conferenza Episcopale del Brasile (Regione NORDESTE V), in occasione della Visita "ad Limina Apostolorum".

Pubblichiamo di seguito il discorso che il Papa rivolge loro:

DISCORSO DEL SANTO PADRE: 

Amados Irmãos no Episcopado,

«Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Lendo os vossos relatórios, pude dar-me conta dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente má e incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o "Compêndio da Doutrina Social da Igreja"» (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baía da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade.

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.


Fonte: http://press.catholica.va/news_services/bulletin/news/26281.php?index=26281&lang=po

sábado, 23 de outubro de 2010

Pluralismo, Multiculturalismo e tolerância

Por Percival Puggina

Dias atrás, durante entrevista a uma emissora de rádio sobre meu novo livro "Pombas e Gaviões", perguntaram-me se eu era contra o pluralismo, o multiculturalismo e a tolerância. A resposta foi um triplo "não". Não, não e não. Cada qual com o seu devido "mas".


O pluralismo é um dado da realidade. Ser contra o pluralismo é negar a liberdade humana e recusar o fato de que as pessoas veem a realidade desde diferentes pontos de vista e a escrutinam segundo critérios distintos. Mas... isso não significa adotar uma atitude passiva no contexto do pluralismo, como se todas as ideias fossem igualmente corretas. Não são. O pluralismo adquire valor na exata proporção em que as várias correntes de opinião conhecem seus próprios fundamentos e as marcas deixadas pelas respectivas experiências ao longo do processo histórico. Ou seja, caro leitor: pluralismo é coisa séria, não se confunde com somatório de palpites, pressupõe honestidade intelectual, firmeza de convicções, sentido de história e possibilidade de confronto retórico e político. O que no Brasil chamamos de pluralismo é uma coisa volátil como fumaça - os achismos de cada dia - soprados por meia dúzia de plantonistas da tal opinião pública. Coloque-se um microfone na boca do transeunte para ouvir o que ele pensa e pronto: parece entrevista com a Dilma. Dificilmente se recolhe uma sequência congruente de ideias. Sabem-no muito bem os pesquisadores. Não se introduza num questionário perguntas em que qualquer resposta deva guardar coerência com a precedente. O trabalho resultará perdido por inconsistência das informações obtidas.

Isso acontece por deficiência educacional e cultural, é claro, mas sob o ponto de vista político, também ocorre porque o sistema adotado pelo país serve para qualquer coisa, menos para formar e organizar correntes de opinião. Os partidos e suas condutas erráticas em torno das lamparinas do poder são a imagem mais visível desse pluralismo anarquizado que caracteriza o pensamento nacional (se é que existe algo que mereça esse nome).

O multiculturalismo é outro dado da realidade, transversal à história humana. Mas ... reconhecer que convivemos com diversidades culturais, não equivale a afirmar que todas as culturas têm o mesmo valor e conferem a mesma dignidade à pessoa humana. Não! Existem culturais desrespeitosas a essa dignidade, que violentam valores fundamentais. Os relatos de Ayaan Irsi Ali, no livro "Infiel", retratam bem o que afirmo. Essa somali, após passar por todas as violências e mutilações a que são submetidas as mulheres naquela região da África, fugiu para a Europa quando pretenderam casá-la contra sua vontade. Foi parar na Holanda, onde se destacou no grupo dos refugiados. Convivendo com eles, na condição de tradutora, percebeu que as mulheres continuavam submetidas às práticas brutais e indignas de suas clãs originais e que as autoridades holandesas, em respeito ao multiculturalismo, toleravam a situação. Ayaan reagiu contra isso, mobilizou a opinião pública e acabou tornando evidente ser intolerável que seres humanos de qualquer grupo cultural, acolhidos em território holandês, fossem submetidos a violências condenadas pela legislação do país. Foi tão bem sucedida em sua mobilização que acabou deputada. Bastaria esse exemplo, e eles se contam aos milhões, para mostrar que existem práticas culturais deploráveis, que diferentes culturas não costumam ser moralmente equivalentes e que algumas, inclusive, precisariam ser retificadas pelo muito que afrontam a vida e a dignidade da pessoa humana. Só uma percepção miserável dessa dignidade, associada a uma completa cegueira moral pode obstruir a percepção dos terríveis dramas associados a determinadas práticas culturais. Como disse um amigo meu, professor universitário para a aluna que o procurou afirmando não haver relações de superioridade ou inferioridade entre diferentes culturas: "É, minha filha, gilete no clitóris das outras é refresco".

A tolerância, por fim, é um importante valor social. O convívio fraterno e solidário entre os diferentes é sua principal consequência e a igual dignidade de todos, seu maior fundamento. Mas... a tolerância não se confunde com a permissividade que costuma andar associada à sua atual concepção entre nós. A tolerância com o intolerável, a tolerância para com quem se vale dela com vistas ao seu próprio agir intolerante, deixa de ser uma virtude social para se tornar um comportamento irresponsável e condenável. É muito comum que, em nome da tolerância, a sociedade contemple de modo passivo a violência que pisa no jardim do vizinho, que invade sua casa, que o prende e o leva. Ou, no viés político, é intolerável a tolerância para com os partidos que pregam e estimulam a violência, valendo-se da democracia para agir contra a democracia.

"Pombas e gaviões" ( pombasegavioes@puggina.org Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ), o livro que debatíamos naquele programa a que me referi inicialmente, é uma obra que se dedica a promover tais advertências, prestando um serviço ao verdadeiro pluralismo (consciente e esclarecido), ao verdadeiro multiculturalismo (que recusa toda agressão à dignidade natural da pessoa humana ainda que fundada em tradições de base cultural) e à verdadeira tolerância (que sabe discernir o que pode e o que não pode ser tolerado).



Texto retirado do site Midia Sem Mascara:  http://www.midiasemmascara.org/artigos/conservadorismo/11541-pluralismo-multiculturalismo-e-tolerancia.html

Hora de acordar

Por Arthur Dutra

Chega de brincadeira, vamos falar a verdade!


Todos os dias somos bombardeados com as notícias das mais escabrosas sobre estas eleições. A última foi a agressão sofrida pelo candidato José Serra no Rio de Janeiro, perpetrada por militantes do PT.

Às favas aqueles que votam em Dilma, em Lula e no PT porque no país está circulando um dinheirinho a mais, e porque tem concursos públicos pra quem quer uma boquinha estatal!

Será que ainda não deu pra perceber que esse PT não está aí pra respeitar as regras do jogo democrático? A dissimulação desta gente beira o inacreditável e desestabiliza até os mais tranquilos. Usam e abusam impunemente da velha máxima leninista de acusar o adversário daquilo que eles mesmos fazem.

Eleger essa gente para mais 4 anos de governo é premiar a deslealdade, a truculência, o total desapego à verdade e à democracia e dar o aval para a implantação de um regime socialista nos moldes de Cuba e Venezuela.

Estou cansado de ouvir sobre os "grandes feitos" do Governo Lula, e me dói nos ouvidos quando dizem que esse sujeito já pode ser considerado o maior presidente que o país já teve.

Vejam que eles já se apropriaram de tudo de bom que foi feito no passado, retroagindo até a época de Getúlio Vargas. Não se assustem se aparecer algum petista atribuindo a independência do Brasil a algum antepassado distante do Lula... Tudo é possível na cabeça desse pessoal. Para eles a verdade não tem nenhuma importância, desde que ela esteja do seu lado. São capazes de transformar uma mentira em verdade só pra justificar seus atos criminosos. Pior: todos os atos criminosos por eles praticados são, na cabeça deles, justificáveis porque o fim (implantação de um regime socialista/comunista) é mais importante do que os meios utilizados para tanto.

Vou ser bem claro agora: prefiro muito mais um político que "somente" desvia uma verbinha de uma obra qualquer do que essa gente criminosa que tomou de assalto o Brasil. Justifico.

Eles não pretendem somente enriquecer às custas do Estado. O que eles querem é o poder total sobre todo o país, porque se acham capacitados para dizer o que é bom e o que é ruim para todo mundo. É a tal mentalidade revolucionária, que, levada ao paroxismo, produziu as maiores catástrofes humanas que se têm notícia, tais como a Revolução Francesa, o Nazismo, e o horrendo Comunismo na Rússia, China, Cambodja, Cuba e outros. Somando as pessoas mortas por esta gente que se diz defensora de uma ideia, chegamos à impressionante marca de 100 milhões de pessoas! Sendo 40 milhões na Rússia e 70 milhões na "democrática" China, que ainda conserva este regime genocida até os dias de hoje.

Além do mais, o político tradicional ainda é sensível à voz da sociedade, enquanto o petista só se submete às ordens do Partido e age, sempre com violência, por meio de sua raivosa militância (http://www.midiasemmascara.org/artigos/movimento-revolucionario/10670.html).

Repito: não me interessa tanto que o país esteja bem economicamente. Quero mais um país em que um cidadão possa ir e vir sem ser interpelado por um policial por portar um panfleto com mensagens anti-Dilma. (http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/alemanha-de-hitler-ou-cuba-dos-irmaos-castro/)

Quero mais um país em que o cidadão tenha respeitada a sua privacidade e não seja acusado por denunciar uma violência por ele sofrida. (http://coturnonoturno.blogspot.com/2010/10/pf-anuncia-o-obvio-ululante-campanha-da.html)

Quero um pais em que o Estado não interfira em tudo na vida do cidadão (http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2010/07/projeto-de-lei-livra-criancas-de-palmadas-e-beliscoes.html).

Quero um país em que as pessoas se preocupem, pelo menos um pouco, com a situação da nação e não só com os ganhos pessoais que terão em caso de vitória deste ou daquele candidato.

Quero um país em que o Estado respeite a propriedade privada e que não financie "movimentos sociais" que têm como bandeira o ataque à propriedade rural (http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u634093.shtml).

Quero um país em que o Presidente da República não seja contumaz em pregar o ódio entre ricos e pobres (Bolsa Família), brancos e negros (Cotas Raciais), homens e mulheres (defesa do aborto), homossexuais e heterossexuais (criminalização da homofobia), situação e oposição etc.

Parece que estamos no país imaginário do clássico livro "1984" de George Orwell, onde a regra era o "duplipensar", ou seja, falar uma coisa para dizer exatamente o contrário! "Fala-se em liberdade para matá-la, em democracia para destruí-la, em legalidade para negá-la na sua própria essência", para usar as palavras de Carlos Lacerda. Recomendo esta leitura como de primeira necessidade para os dias atuais.

Já são vários os "manifestos" em favor da candidata do PT (universitários, advogados, servidores públicos, "intelectuais" etc). A única constante em todos eles é que são assinados por pessoas/categorias que sempre defendem a candidatura Dilma porque tiveram ou terão algum benefício direto com sua eleição ou são dominadas pela militância petista. Ou seja, a maioria das pessoas votará nela por mero interesse pessoal ou determinação do partido, mandando para as calendas a manutenção da ordem democrática, o respeito aos valores fundantes da sociedade e a brutalidade usada por esta gente para nao abrir mão do poder.

Temos que botar na cabeça que uma ditadura não existe só quando um Militar dá um golpe de estado e passa a governar com uma chibata na mão para perseguir os opositores. Hoje as ditaduras são bem mais sutis e nos pegam nos pequenos atos...

Entendo, por fim, que caso Dilma e o PT vençam, será a vitória do oportunismo, do clientelismo, do ódio e do autoritarismo, em detrimento dos valores, da democracia e do desapego dos interesses pessoais em favor da manutenção de um ambiente de paz na nação.

Depois não reclamem...
 
 
Texto retirado do site Midia Sem Mascara: http://www.midiasemmascara.org/artigos/eleicoes-2010/11537-hora-de-acordar-tirando-a-pele-de-cordeiro-do-lobo.html#comments

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Recolhendo-se à Casa Verde

Por Mr MacColin

Eu não estou mais de acordo com o meu mundo. Vivo em um lugar que não se reflete em meus olhos como o é na realidade objetiva. E, apesar desta discrepância, não consigo admitir minha inabilidade como observador; não consigo enxergar a realidade como ela de fato é mesmo ciente da distorção ocular ocorrida em meus sensores defeituosos. É como viver em uma Matrix, consciente de sua falsidade, e no entanto incapaz de se desprender da fantasia.

Exemplificarei meus sintomas para esclarecer a gravidade da minha situação.

É de conhecimento geral que as operações de Choque de Ordem em conjunto com a PMERJ e a Guarda Municipal são responsáveis pela organização da cidade do Rio de Janeiro. São elas que retiram os ambulantes ilegais das ruas, apreendem os automóveis estacionados de forma irregular, multam os motoristas bêbados, recolhem os táxis em desacordo com as normas da SMTR, reprimem os ilegais pontos de mototáxi, e tantas mais ações.

O que antes era um caos fruto do descaso, após a eleição do governador Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes tornou-se uma cidade limpa e organizada, digna de ser chamada novamente de Cidade Maravilhosa.

Ora, disso todos sabem. Está noticiado pelos principais jornais e telejornais, é observado rotineiramente pelos cidadãos cariocas e sul-fluminenses, e já deve estar até nos livros mais fundamentais das escolas públicas e privadas.

Como que, apesar de todas as provas tão palpáveis anteriormente apresentadas, ainda posso não reconhecer o que se passa a minha volta? Que ilusão de ótica é esta que me aflige, capaz de me fazer ver o que não existe!

Quando saio de casa vejo cenas incríveis que somente os olhos nublados pela insanidade são capazes de imprimir na mente das pessoas. Vejo, por exemplo, um ponto de mototáxi na minha rua, acompanhado por pelo menos cinco ambulantes não autorizados pela prefeitura. Vejo também, a quase cinquenta metros, um posto do 6º BPM habitado por um policial militar deste mesmo batalhão que apesar da proximidade das infrações vistas por mim, nada faz. Para não ser injusto, corrijo-me dizendo que ele por vezes até faz algo, consome um cachorro quente ou um churrasquinho no espeto e bate papo com os mototaxistas.

Alguns bairros a frente, vejo coisas ainda piores! Imaginem que posso enxergar em meus devaneios mais bizarros alguns guardas municipais, que deveriam coordenar o trânsito matinal, impedindo o acúmulo de carros e ônibus nos cruzamentos das principais avenidas (como a Av. Presidente Vargas), de costas para o dever funcional ou falando ao telefone. Estão coordenando verdadeiros engarrafamentos e parecem estar se especializando com maestria no que fazem.

E não para por aí. Por todo lugar do centro da cidade aos bairros da zona sul e da zona norte posso ver guardadores de carros (flanelinhas) "organizando" o estacionamento de automóveis em áreas livres de cobrança ou em locais proibidos para estacionamento. E qual meu espanto quando vejo que estes "profissionais" cobram uma taxa aos seus "clientes", agindo como donos de propriedade pública, e agem desta forma também na frente das viaturas militares que rondam a cidade.

Poderia seguir narrando as minhas visões, mas creio ter-me feito entendido com estas breves exemplificações. Afinal, não é propósito do blog criar uma série de relatos em formato de novela-sem-fim como um Bernard Cornwell senil.

Sendo assim, por ser parte de uma minoria que enxerga na mesma paisagem aspectos diferentes do percebido pela maioria, julgo-me vítima de alienação mental. E como poderia ser outra coisa sem encarcerar a maior parte da população, os maiores jornalistas, os mais capazes intelectuais e os melhores políticos no manicômio mais próximo? Isto só seria possível caso fosse um caso de alienação machadiana; e mesmo que assim fosse, terminaria mal ou bem, por encarcerar-me na Casa Verde.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Mais do mesmo

Negócio chato esse tal de Youtube!

Por Klauber Cristofen Pires

Ludwig von Mises afirmava acertadamente que a história nunca se repete: sempre entra algum ingrediente novo nas circunstâncias, nos motivos ou nos meios. Parece que as esquerdas perderam o seu timing. Ora, ora, que saudades melancólicas daqueles tempos em que se podia fazer uma revolução em paz.


Ano de 2003: passados seis meses de governo sem ter dado sequer uma declaração ou entrevista espontânea à imprensa, o Presidente oriundo do Partido dos Trabalhadores organiza uma entrevista coletiva preparada com todos os rigores do protocolo cubano: apenas uma pergunta por repórter, enviada com antecedência e selecionada previamente pela equipe do Cerimonial. Nada de réplicas. À última e única pergunta que poderia ter significado alguma crítica ou questionamento sobre a qualidade do seu governo, Lula responde cinicamente que o seu único arrependimento foi o de não ter feito tantas coisas boas quantas gostaria de fazer. Lula não queria papo com o Brasil.

Só foi querer quando explodiu o mensalão. Até lá, a imprensa não passava de uma extensão do Diário Oficial ou pior, um apêndice do seu partido.

De lá para cá, mentir tem ficado mais difícil. Até poucos anos atrás, flagrantes de contradição ou de malfeitos dependiam do acesso a arquivos de acesso restrito, que muito bem podiam ser monitorados na fonte, i.e., nas edições das grandes redes de tevê, bem como, por isto mesmo, dependiam também de recursos financeiros elevados para serem divulgados. Os magnicídios cometidos nos regimes comunistas soviético, chinês e cambojano puderam ser acobertados pela simples monitoração de uns poucos diplomatas e jornalistas para lá enviados e convenientemente cercados de cenas pré-fabricadas ou simplesmente subornados.

Entretanto, com a chegada do YouTube e outras facilidades semelhantes, basta um reles aparelho celular na mão de qualquer um para que em pouco tempo a notícia - ou a memória dela - sejam compartilhadas por milhares ou milhões de pessoas. É esta imensamente disseminada liberdade criada pelo capitalismo o que assusta o PT e o que faz propugnar pelo que chama de "controle social" dos meios de comunicação.

Não fosse por isto, de que outro modo poderíamos comprovar com os nossos próprios olhos a fala de Lula a se declarar contrariamente aos benefícios que deram origem ao bolsa-família, acusando os pobres de votarem "com o estômago", e logo em seguida confrontar o mesmo protagonista em outra situação, desta vez como Presidente, a afirmar que tem gente que tem "raiva de pobre" e que chamam o benefício de esmola?

Será que, com a tevê pautada pelo partido hegemônico, teríamos o largo acesso às imagens de Dilma Roussef afirmando categoricamente ser favorável à legalização do aborto e logo em seguida confrontar tais imagens com as gravações recentes em que se finge de pia cristã devota do santo-do-pau-oco?

Como teríamos tido conhecimento da íntegra dos pronunciamentos do Pastor Piragine Jr, do Arcebispo da Paraíba, e das homilias dos Padres Paulo Ricardo e José Augusto? Só para constar, juntos, estes vídeos já ultrapassaram milhões de acessos, enquanto que absolutamente nenhuma rede de tevê os divulgou até o presente momento.

Tenho que o PT perdeu o timing para fazer a revolução tão esperada. Entrou um fator novo, a demonstrar por imagens auto-evidentes o que mil palavras não bastariam. Em 2002 e 2006, este fator novidadeiro já existia, mas não na profusão dos dias atuais.

Cuidado, ó jornalistas engajados e vendidos! Cuidado, ó jornalistas negligentes! Agora vocêm devem mostrar seus serviços, pois a falta deles...pode não fazer falta! Cuidado, enfim, ó brasileiros, eis que nunca tiveram tantos instrumentos à disposição para enxergar as mentiras, falcatruas e iniquidades perpetradas pelo Partido dos Trabalhadores e suas siglas congêneres.



Texto retirado de: http://www.midiasemmascara.org/artigos/eleicoes-2010/11518-negocio-chato-esse-tal-de-youtube.html

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Governo Totalitário

Por Ipojuca Pontes

Com a possível ascensão de Dilma Rousseff à presidência da República neste segundo turno, ainda indefinido, mas tendo como certa a conquista da maioria parlamentar, pelo atual governo, nas duas Casas do Congresso Nacional, a pergunta que se torna obrigatória é a seguinte: quanto tempo vai levar para que se estabeleça no Brasil, sem disfarces, a prolongada ditadura da esquerda - radical ou não?


De início, convém lembrar que antes mesmo de saber se o PT e os partidos da base aliada comporiam a maioria no Congresso, tanto na Câmara quanto no Senado, o vosso Lula da Silva já tinha como certa a fusão das legendas do PT, PCdoB, PSB, PDT (e outros que tais) para formar uma Frente Ampla ideológica com o objetivo de não apenas dar sustentação política ao futuro governo, mas, em especial, mudar a Constituição ora vigente no país.

(No histórico, a formação de um partido único somando todas as forças e agremiações políticas de esquerda para afunilar as oposições e, depois, liquidar a democracia, foi sempre um velho programa leninista).

Na ordem prática das coisas, segundo o ex-blogueiro César Maia, um entendido em contas eleitorais e candidato derrotado a Senador pelo DEM-RJ, a partir de 2011 os partidos do bloco governista controlarão (no mínimo) 73% das cadeiras da Câmara e do Senado Federal - um percentual mais que suficiente para aprovar sem dificuldades, a partir da articulação da Frente Ampla de esquerda, uma reforma constitucional.

Como a confirmar os prognósticos da formação da Frente Ampla esquerdista, corolário do partido único, Carlos Lupi, antigo puxa-saco de Brizola e atual presidente nacional do PDT, deu a conhecer, no jornal "Estado de São Paulo", o empenho de Lula em articular a unívoca máquina parlamentar, a ser acionada em 2011: "O presidente é um líder nato e, independentemente de ser presidente da República, terá forte influência entre todas as forças populares e democráticas de esquerda".

Mais afoito, Eduardo Campos, sobrinho do comunista Miguel Arraes e atual presidente nacional do PSB, abre o jogo: "O presidente, em conversa ao longo de muitos anos, sempre falou que não compreendia porque a gente não era um partido só. Se a gente se reúne na eleição em torno de candidaturas e programas, por que não podemos discutir um programa, uma agenda de desenvolvimento sustentável e as reformas importantes que precisam ser operadas no país"?

E aqui chegamos ao cerne da questão.Definidas as pretensões hegemônicas pelos principais interessados, resta apenas especular sobre quais seriam as "reformas importantes" propostas à nação pelo futuro Congresso Nacional dominado pela Frente Ampla Esquerdista de Lula, Dilma et caterva.

Bem, se não fosse repetir o óbvio, elas simplesmente traduziriam, no âmbito de uma reforma constitucional manobrada pelas esquerdas dentro do Congresso, a inteira adoção do Programa Nacional dos Direitos Humanos - o famigerado PNDH-3, já repudiado em gênero, número e grau pelo grosso (e o fino) da sociedade brasileira.

(Como é mais do que sabido, o PNHH-3 incorpora uma série de medidas subversivas traçadas no seio do Foro de São Paulo, uma Internacional comunista da América Latina que objetiva abrir pela via parlamentar os "caminhos legais" (constitucionais) para se instaurar um governo totalitário no mais importante país do Hemisfério Sul).

Sim, amigos, é fato: para controlar constitucionalmente a nação e estabelecer o império vermelho durante longos anos, o projeto comunista da Frente Ampla parlamentar, tendo por base o PNDH-3, prevê, entre outras preciosidades, o seguinte: 1) o abastardamento das Forças Armadas, única instituição organizada capaz de enfrentar o projeto totalitário; 2) o "controle social" dos meios de comunicação a partir da instalação de comitês e conselhos para classificar, conceder canais e emissoras públicas, distribuir incentivos e punir os recalcitrantes faltosos 3) a supressão do direito de propriedade a partir da criação de comitês especiais para julgar, antes do Judiciário, a invasão de terras por parte dos chamados "movimentos sociais", notadamente pelo MST - Movimento dos Sem Terra -, de caráter maoísta.

Ademais, a reforma constitucional a ser laborada pelas esquerdas compreende, no plano educacional, a revisão dos livros escolares, efetivando uma "nova leitura" de valores e símbolos nacionais a partir de uma exclusiva visão revolucionária; a intensificação do regime de "cotas" nas universidades federais, declarado instrumento de fomento ao racismo; a liberalização do aborto, do casamento homossexual e das drogas, especialmente da maconha; a ampla estatização da cultura, com financiamento prioritário para o artefato "audiovisual", eficaz para a manipulação das massas - para não falar na entrega das terras amazônicas às ONGs internacionais, no aumento da carga tributária para ricos e pobres e no financiamento público dos fundos de campanhas eleitorais.

Os comentaristas políticos da grande mídia acreditam que o PMDB, o maior partido da base aliada do governo, não integrando as hostes da Frente Ampla esquerdista de Lula, poderia representar um forte obstáculo à formação de um governo que pretendesse atuar a partir de uma reforma radical da Constituição.

Não deixa de ser uma perversa ironia que o PMDB, partido tido como "de aluguel", mas de face mais "liberal", pudesse se tornar um obstáculo no avanço de um governo totalitário a se implantar no país.

O problema todo é que fica sempre difícil, ou quando não impossível, acreditar que o PMDB - manobrado por Zé Sarney, Michel Temer e Renan Calheiros e habituado a usufruir nacos do poder - se transforme num efetivo partido de oposição e reaja ao furor do totalitarismo vermelho

Texto retirado do site Midia Sem Mascara: http://www.midiasemmascara.org/artigos/movimento-revolucionario/11505-governo-totalitario.html

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Faça o que eu desdigo, não faça o que eu finjo que digo

Por Mr MacColin


É hora de assuntos polêmicos na mídia e nas ruas. E a legalização do aborto, com certeza, é o tema mais quente em voga no momento. Quais os prós, quais os contras, quais os empecilhos éticos, quais as consequências da legalização, quais instituições estão envolvidas na contenda, e qual a importância deste assunto, são ou deveriam ser algumas das questões a serem verificadas em uma discussão séria acerca do tema. No entanto, o que mais se vê e ouve são críticas às pessoas, suas doutrinas e suas crenças religiosas, julgando os outros à luz dos próprios conceitos éticos e transformando assim o debate em um pólo de cisão da coesão nacional em prol de um fascismo contemporâneo repleto de ódio à diversidade de pensamentos e da liberdade de expressão dos mesmos.

Diversos comentaristas, escritores, politicos, intelectuais de diversas áreas e candidatos à presidente do Brasil já declararam apoio às politicas de saúde pública da mulher abortista. Estariam eles errados ao afirmarem suas posições publicamente e justificarem a decisão seja de que forma for? É claro que em um país democrático e livre não há porquê da pessoa defensora do aborto sentir-se envergonhada, humilhada ou reprimida por declarar-se como tal uma vez que não há, nesta situação, coação de qualquer natureza, exceto a coação íntima, qual seja sua própria consciência (ou inconsciência, de acordo com a doutrina cristã). Dessa forma, não é correto afirmar que alguém está errado por defender o aborto, assim como também não se faz possível dizer que quem quer que seja está ou não errado por ter uma determinada posição sobre a legalização do aborto, de um modo geral.

Esquecendo-se desta liberdade maior, a do pensamento, alguns contendores acusam-se constantemente de forma vazia e fascista. Estes indivíduos desejam, na verdade, a uniformidade de pensamento da população e para tal usam do maniqueísmo baseado nas suas próprias crenças e juízos de valor. Não defendem uma ideia com argumentos, mas atacam aqueles que os fazem oposição transformando-os em representantes do Mal, constrangendo assim os indecisos a aceitarem sua forma de pensar. A última declaração deste tipo foi feita pela candidata do PT, Dilma Roussef, em que afirmou que defender a proibição da prática abortiva é hipocrisia.

Uma pessoa será hipócrita por crer que a vida já habita o feto desde os primeiros momentos da concepção, somente quando praticar ou incentivar a prática do aborto. Vê-se portanto que a quase-ex-abortista Dilma Roussef tenta colar a imagem de “santo-de-pau-oco” nos seus opositores de forma generalizante. Inverte e torce as palavras para mostrar que a "divergência" de pensamentos é fruto de terrorismo eleitoral da oposição quando na verdade é originado da liberdade de expressão e do livre arbítrio individual. E quando, por acaso, recebe alguma repreensão por fazer este jogo politico, vitimiza-se invertendo os papéis de ofensor e ofendido.

Assim como é feito à classe média, bombardeando-a com a responsabilidade sobre a pobreza das camadas sócio econômicas inferiores e gerando o sentimento de culpa por gerar renda para si, a candidata despeja supostas responsabilidades sobre os defensores da criminalização do aborto. Ao desconsiderar a vida do feto, a candidata trata as mulheres que realizam o aborto ilegal e falecem ou teem sequelas devido à intervenção, não como contraventoras mas como vítimas. As isenta da responsabilidade pela escolha de realizar o procedimento abortivo, mesmo sendo este proibido, e transfere a culpa e a responsabilidade para a classe média, que supostamente pode abortar com "segurança" em clinicas privadas, e para a parcela da população que desaprova o aborto.

Com esta úlltima declaração, Dilma provou que é sim a favor do aborto e pretende como presidente do Brasil apoiar o assassínio de vidas indefesas intrauterinas em favor do livre arbítrio das mães abortistas. Não haveria problema algum com esta posição da candidata se junto a ela não imputasse responsabilidade sobre a oposição de maneira generalizante e mentirosa acerca da morte de mulheres abortistas. Afirmar que é hipocrisia não reconhecer a prática ilicita do ato e suas consequências é um esforço por distorcer a realidade e o sentido da palavra hipocrisia.

É antes de tudo, hipócrita, quem acusa os outros daquilo que ele mesmo faz, quem não assume claramente suas ideias e muda de discurso dependendo da plateia. 

Consulta em:
 
http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias/0,,OI4726238-EI15315,00-Dilma+acusa+Serra+de+hipocrisia+no+debate+sobre+o+aborto.html
 
http://www.febnet.org.br/site/movimento_brasil.php?SecPad=24&Sec=570

http://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2010/10/09/dilma-cita-a-biblia-ao-falar-de-aborto-e-ve-hipocrisia-em-quem-finge-que-nao-acontece.jhtm

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Concurso público para consertadores de guarda chuva e sombrinhas

Por Klauber Cristofen Pires

Os leitores devem ter tido conhecimento de outro artigo anterior em que este articulista zomba do governo cubano por liberar, isto é, melhor dizendo, regularizar a profissão de "consertador de guarda-chuvas e sombrinhas", entre outras cento e setenta e sete profissões que poderão - ou terão - de ser exercidas por conta própria, com pagamento de impostos e tudo o que se tem direito (o estado, claro). Sim, não me equivoquei: está na relação sob o nº 124: Reparador de paraguas y sombrillas.


O que nem eu poderia imaginar, um sujeito acostumado a ver de tudo da parte do processo de cubanização aqui em franco progresso, seria viver para testemunhar o que vou relatar adiante: os leitores por acaso se lembram dos noticiários a transmitir o incidente de uma militante cujo guarda-chuva quase fura os olhos do Sr Presidente? Pois o Diário Oficial da União, em sua Seção 4, pág 115, do dia 05/10/2010 traz publicado o extrato de um edital de concurso público para "consertadores de guarda-chuvas e sombrinhas".

Segundo o regulamento do concurso, que será de provas e títulos, poderão participar quaisquer profissionais de nível superior, cujas provas, a serem preenchidas a lápis, abrangerão as seguintes matérias: Mecânica dos Fluidos, Resistências dos Materiais, Hidrodinâmica, Aerodinâmica, Termodinâmica 1 e 2, Eletrostática, Ergonomia 1 e 2, Anatomia Humana, Estilística Popular, História dos guarda-chuvas e sombrinhas, Sociologia dos flagelados, Direito Constitucional, Direito Administrativo e Direito Tributário. Além das provas objetivas, os candidatos também deverão redigir, isto é, "produzir "um texto com o tema: "Das sombrinhas de Luíz XV ao frevo: De como um adereço das elites transformou-se em um elemento de inclusão social".

De acordo com o edital, serão disponibilizadas as seguintes vagas para os estados: DF- 112; GO - 02; MT - 20, MS - 02; PA - 01; AM - 01; AC - 01; AP - 01; RO - 01; RR - 01; TO - 01; MA - 36; PI - 27; CE - 49; PB - 32; PE - 61; AL - 29; SE - 19; BA - 85; MG - 03, SP - 02; ES - 29; RJ -107; PR: 02 e RS: 36. Para os estados de SC e RN não foi prevista nenhuma lotação.

O salário inicial do cargo é de R$ 7.231, 97. Segundo as notícias mais quentes divulgadas pelo jornal Gazeta dos Concursos, a carreira poderá sofrer em breve uma reestruturação para prover aos servidores a competência para regulamentar e fiscalizar a fabricação, a venda e o conserto de para-chuvas e sombrinhas, bem como o seu uso por parte dos cidadãos, além de cobrar a Contribuição de Uso Social de Para-Chuvas e Sombrinhas - a "Cusparaso", sendo que para tanto a categoria revindica a equiparação aos cargos de auditoria, cujos proventos iniciais situam-se em torno de R$ 14.000,00.


Texto retirado do blog LIBERTATUM.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O Camaleão político: Dilma quer o poder de qualquer forma

Por Mr MacColin

A campanha do PT foi reiniciada tentando ganhar os votos conservadores para o segundo turno. O método usado pelo partido de Dilma é o de "desmentir" as reportagens da "mídia de oposição" e as inúmeras correntes de e-mails, segundo o próprio site do PT.

Em recente notícia deste site, José Eduardo Dutra, coordenador nacional da campanha de Dilma, afirma que diferentemente do que vem sendo veiculado pela imprensa, " a questão do aborto nunca esteve no programa de governo da Dilma, portanto não faz sentido você dizer que vai retirar uma coisa que nunca existiu". Acrescentou ainda que  a candidata petista é "pessoalmente contra o aborto" e que não irá "propor nenhuma modificação na legislação relativa a isso". A matéria termina, no entanto, mostrando dados da quantidade de mulheres atendidas pelo SUS após realizarem procedimentos de aborto e ratificando a vocação do sistema à prestação de assistência às mulheres.

Como é comum dos polêmicos socialistas do Partido dos Trabalhadores, a nova campanha de Dilma evita marcar uma posição clara. Com meias-palavras e afirmações incompletas armam uma verdadeira arapuca para os desavisados.

Pois vejamos os detalhes das entrelinhas da declaração do presidente do PT.

Ao dizer que a Dilma é "pessoalmente contra o aborto", Dutra afirma apenas que a candidata não faria o procedimento, ou usando os termos socialistas, que a Dilma é contra o aborto em foro íntimo. A própria candidata afirmou isto em entrevista à IstoÉ, confirmando logo em seguida que esta determinação pessoal não a impede de apoiar a politica do aborto.

Dutra também tenta colar a imagem de inocência de Dilma frente às acusações que rondam sua campanha, afirmando que nenhum item do programa de governo do PT tem por objetivo a legalização do aborto. Com isto ele diz a verdade sem, no entanto, dizer a verdade. Ou seja, é verdade que não há determinação no programa de governo da Dilma quanto ao aborto, mas também é verdade que um programa de governo não demonstra todas as convicções dos candidatos. Esta não constância pode ser, portanto, ou por omissão ou por não concordância. Como comprovar então se há omissões no caso petista? Para quem tem boa memória basta lembrar do concorde da Ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, quanto à aprovação do 3º Programa Nacional dos Direitos Humanos, no inicio deste ano.

No PNDH-3 consta inserido no Objetivo Estratégico III (Garantia do direito das mulheres para o estabelecimento das condições necessárias para sua plena cidadania), a ação programática abortista. Segue o texto integral desta ação:

g) Considerar o aborto como tema de saúde pública, com a garantia do acesso aos serviços de saúde. (Redação dada pelo Decreto nº 7.177, de 12.05.2010). 
Recomendação: Recomenda-se ao Poder Legislativo a adequação do Código Penal para a descriminalização do aborto.

Este programa dos direitos humanos foi aprovado pela ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, e pelo presidente Lula, segundo o decreto nº 7177 de 12 de maio de 2010. Ambos quando arguidos, à época, sobre as polêmicas do dito PNDH assumiram o desconhecimento do conteúdo. O presidente disse ter assinado sem ler e a ministra disse não ter assinado, mas rubricado.

Da outra afirmação de Dutra sobre não modificar a legislação vigente, percebe-se a má fé do politico, uma vez que o decreto já existe e o programa aprovado prevê mudança do código penal. Qual a garantia que o presidente do PT nos dá então sobre a questão? Nenhuma. Na verdade há mais chance do aborto ser legalizado do que o contrário, pois para tal não há mais necessidade do futuro presidente se sujar com esta polêmica. Basta ele não vetar a mudança e depois dizer que assinou sem ler.

É claro portanto, que o interesse maior do PT é a sua permanência no poder. Candidato que muda de opinião como quem muda de roupa, não tem compromisso com o país, nem convicção ou ideal. Quem tem determinação e certeza do que faz e diz, não muda de cor de acordo com o palanque. O que falta para a Dilma e o PT é assumir uma posição honesta e defendê-la de acordo com seus ideais, sem mentira ou manipulações. Mesmo que esta posição não reflita o pensamento da maioria do Brasil, o papel da democracia será desempenhado em sua plenitude. O escolhido pela maioria deve ser o representante fiel das aspirações do povo e não um fantoche qualquer.



Fontes de consulta:

PNDH-3:
http://portal.mj.gov.br/sedh/pndh3/pndh3.pdf

Dec 7177:
www.tjma.jus.br/site/conteudo/upload/9654/20100607_ef_maio.2010.doc

Site do PT:
http://www.pt.org.br/portalpt/noticias/eleicoes-2010-11/dutra:-questao-do-aborto-nunca-esteve-no-programa-de-governo-de-dilma-23761.html

Videos da Dilma:
http://folharenascer.webnode.com.br/news/video-mostra-dilma-rousseff-dizendo-que-e-a-favor-do-aborto/

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Seu filho pode ser convocado para ser gay

Por Klauber Cristofen Pires

Pais, cuidado! Talvez os seus filhos (ou filhas) sejam convocados para integrar uma cota mínima de gays nas escolas, à maneira das curvas forçadas do malfadado plano Bresser. Uma recente pesquisa que obteve por resultado um alegado pequeno número de declarações próprias de identidade homossexual entre jovens de 17 anos conclui que isto se deu por preconceito e despreparo dos... professores! Faço uso da alusão ao plano Bresser dado ter sido aquele que, no âmbito da gestão administrativa, previa uma curva forçada de desempenho funcional no serviço público, segundo a qual uma parcela dos servidores seria conceituada como excelente, outra como média, e enfim, para desespero dos sobrantes, a última seria reservada para aqueles tidos com desempenho considerado insuficiente.

O plano Bresser até que poderia ter lá seus méritos para os fins a que se prestavam (no que eu não concordo quanto aos meios empregados), isto é, buscar a eficiência nos serviços públicos. Mas o que dizer de uma pesquisa que conclui que jovens que optaram por não se declararem gays são vítimas de preconceito? E o que dizer que os assumidos são muito poucos? Haveremos de estipular uma cota a ser preenchida?

Pra começar, para sabermos se os resultados foram aquém do esperado, haveríamos de ter um índice-padrão. Quem o estipulou? Com base em quê? Quem pode afirmar quanto a este assunto que um qualquer dado histórico precise necessariamente ser repetido em outros anos e em outras turmas?

Ademais, o que fazer com alguém que se nega a declarar-se como homossexual? Obrigá-lo a tanto? Conduzir a entrevista de modo a sugerir à criança que ela seja gay? Cadastrá-la à força? Imagine olhar para aquele garoto de feições finas, meigo e educado, e taxar: "-tá vendo? é viadinho, só ele, seus professores e os pais dele é que não vêem...", ou ainda, para aquela menina boa que só no basquete e concluir: "essa aí, nem precisa entrevistar..."

Ora, se uma pesquisa deste teor foi feita, então um requisito essencial é que o tenha sido realizada em privado com os estudantes. Se isto não foi o bastante para tal ou qual jovem se sentir à vontade para declarar-se como mais um integrante da turminha do arco-íris, então, das duas, uma: ou os pesquisadores cometeram atentado violento ao pudor para terem certeza do que falam ou arrostam-se a opinar em lugar dos seus entrevistados, substituindo o juízo deles pelos seus (meio inadequado o uso aqui deste termo..."juízo", não acham?).

Outra coisa que eu gostaria de saber é se esta dita pesquisa houve por pedir a permissão dos respectivos pais para entrevistarem seus filhos menores de idade. Ou o pátrio-poder não vale mais p... nenhuma neste país?

E não se espantem, mas a pesquisa também se indigna e literalmente acusa os professores pelo seu "despreparo", como se tivessem como obrigação profissional identificar as tendências sexuais das crianças e obrigá-las a "assumirem" um estado de viadagem que eles mesmos venham a determinar. Nestas horas, cadê o quê de respeitar a individualidade das crianças - ainda em formação - e reitero, o que seus pais pensam a respeito! O negócio é formar glbtzinhos para futuramente engrossarem as fileiras do movimento gayzista!

Se pensam que bastou, sentem-se! Para suprema inconformidade dos entrevistadores, nenhuma criança ou adolescente se declarou "travesti". Caramba, escola é um lugar que as crianças vão para estudar! Até as meninas, muitas delas, não usam maquiagem, e as boas escolas inclusive desestimulam o seu uso, bem como das saias curtas e blusinhas do tipo "olha meu umbiguinho", justamente para garantir que o ambiente de estudo seja preservado de um extremo sensualismo!

Não, porém, para os travestis, segundo pensam estes áulicos da educação, segundo os quais um projetinho de traveco deveria ser obrigado a se maquiar e se emplumar todo para ter a sua identidade "protegida".

Por fim: a pesquisa não identificou travequinhos, segundo as escolas, porque não foi realizada em turmas do segundo grau! Para quem não se deu conta: os sedizentes "pesquisadores" buscavam revelações de identidade sexual preferencialmente entre os mais jovens! Se isto não é um escândalo digno de ser representado junto ao Ministério Público, então, o que pode ser? Ahh, cambada de gente safada, perversa e sem vergonha na cara!

Abaixo, reproduzo a notícia, divulgada pela agência Estado, e copiada do site do jornal Diário do Pará:

Pesquisa feita em rede pública revela preconceito


Pesquisa amostral feita com estudantes até 17 anos da rede pública de 11 capitais brasileiras revela que pouquíssimos se declaram gays, uma parcela menor se declara lésbica e nenhum se declara travesti. A não declaração, de acordo com a pesquisa, é resultado do preconceito contra os homossexuais e a falta de preparo dos professores e autoridades na área da educação.


A explicação das escolas para ausência de travestis, segundo os pesquisadores, é o fato de a pesquisa não ter como alvo instituições de ensino médio. Entretanto, os dados mostram que a "organização da escola, com suas normas e regras, não permitem a presença da travesti nesse ambiente".


A constatação é ilustrada pelo depoimento de uma autoridade: "Eu tenho uniforme... maquiagem a gente não permite. Então assim, a gente tenta manter um padrão universal." (Agência Estado)

Texto retirado do site Midia sem Mascara: http://www.midiasemmascara.org/

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O fim?

Por Mr MacColin

Assim como a Copa do Mundo passou, as eleições também passaram. Embora haja a possibilidade do segundo turno mais adiante, ainda assim fica a impressão de que as pessoas irão adormecer por mais quatro anos até se interessarem novamente por politica. Da mesma forma que existem aqueles que não acompanham os campeonatos regionais de futebol, mas tão somente o campeonato mais importante do globo, existem também aqueles que não acompanham as reviravoltas politicas durante os mandatos, mas acordam momentaneamente em períodos de dois ou quatro anos a fim de votarem. Guardadas as proporções entre fãs de politica e de futebol, tenho esta impressão, de que entre as duas áreas há mais semelhanças do que o contrário.

A mais grave diferença entre ambos talvez esteja no fato do futebol não afetar o bem-estar de toda uma população. Talvez afete aquela parcela mais entusiasmada com o esporte, os ditos torcedores roxos, mas não chega nem perto de incomodar os rumos das vidas de mais de 200 milhões de pessoas. Isto no entanto, parece não corroborar com o que ocorre entre os brasileiros. Há mais torcedores assíduos de futebol do que cidadãos conscientes da vida politica do país. Pelo menos é o que os jornais populares e os sites de noticia nos transmitem, uma vez que as noticias mais propagadas por esses meios de comunicação são esportivas. Mas por quê isto acontece?

A resposta permanece um mistério para mim. Evito julgar as razões usadas pela massa populacional pois invariavelmente será um julgamento impreciso diante do famoso comportamento de manada que aparentemente unifica pessoas tão diversas entre si e dá a falsa noção de que são indivíduos de pensamento uniformizado. Mas esta falta de resposta não me impede de escrever sobre as consequências do ato negligente.

A carência de comprometimento da maioria com as decisões legislativas, executivas e judiciárias acarreta o descaso do poder público tão comum em nosso cotidiano. O ato de votar não é em si a transferência dos deveres e responsabilidades sobre nossas vidas. Não deve ser um ato de desprendimento do trabalho de administração pública e sua fiscalização. Creio ser antes de tudo o reinicio de todo um processo de conferência de cada movimento politico feito no congresso, nas assembléias, nas prefeituras, e seja lá mais onde houver a representação da vontade do povo.

Devemos encarar o fim deste episódio da cidadania como um estímulo diário a nos empolgar a conferir cada ato administrativo gravado no SIAFI. Cada licitação pública deve ter seus editais e atas acompanhados. Cada inexigibilidade de licitação deve também ser devassada para que não tenhamos mais comprovações esdrúxulas. Cada afronta executiva ao poder do TCU deve ter uma manifestação popular como resposta, tal qual as leis da física. Independente de quem for o eleito, devemos nos mobilizar para que a mentalidade brasileira mude para melhor.

Uma eleição a mais ou a menos não é tão poderosa como o progresso educacional do povo. E por educação faço referência àquela recebida em nossos lares e que nos moldam o caráter para toda uma vida. Uma nação consciente, comprometida e responsável é uma nação de qualidade. Creio firmemente que um salto qualitativo deste, representará ao Brasil, não uma uniformidade de tendências politicas, mas uma capacidade racional mais capaz de formar argumentos sólidos que corroborem os diversos pontos de vista que existam.

E para conseguirmos este salto faz-se necessário aos já conscientes e comprometidos cidadãos a ação típica dos militantes, daqueles que fazem da politica um meio de vida e tratam-na com a importância máxima com que tratamos nossas profissões. A posição confortável de leitor ou escritor já não basta mais; os esforços despendidos em artigos e comentários precisam ser divididos com ações mais práticas e reais, como protestos, mobilizações, ações na justiça, militância individual e não remunerada. Além de ler e escrever sobre politica, e periodicamente votar quando obrigado, o cidadão consciente deve agir de maneira construtiva. Não esperemos mais que outros façam aquilo que nós mesmos podemos fazer.

Deste meu humilde blog, que tem o alcance de praticamente quatro leitores, faço um alto falante que dá vazão aos meus pensamentos. Faço desta ferramenta minha parte de contribuição no mundo virtual; uma parte ínfima de contribuição imersa em um imenso universo de 3% de internautas brasileiros preocupados com política. Além disso, não me calo frente aos abusos cometidos em meu bairro, e aciono frequentemente a guarda municipal, a policia militar, a defesa civil e a prefeitura pelos seus contatos. Não satisfeito, atuo como repórter chato e registro em vídeo ou foto tudo o que for flagrante atentado contra o bem-estar da comunidade. Ou seja, denuncio, cobro e divulgo. Todas as ações disponíveis a qualquer cidadão preocupado com seu país. Basta boa vontade para sair da inanição e agir. Imaginem o que 3% seriam capazes de fazer.