terça-feira, 31 de agosto de 2010

O general ancião e o proctologista sindicalizado

Por Mr MacColin

No último 25 de agosto foi sancionada a Lei Complementar nº136 que altera a Lei Complementar nº97 de 1999, a qual dispõe sobre as normas gerais para a organização, o preparo e o emprego das Forças Armadas.

Das alterações consta o aumento de poderes do ministro da Defesa, como pode ser percebido pelo seguinte artigo:

Art. 7º Compete aos Comandantes das Forças apresentar ao Ministro de Estado da Defesa a Lista de Escolha, elaborada na forma da lei, para a promoção aos postos de oficiais-generais e indicar os oficiais-generais para a nomeação aos cargos que lhes são privativos.(Redação anterior)


Art. 7º Compete aos Comandantes das Forças apresentar ao Ministro de Estado da Defesa a Lista de Escolha, elaborada na forma da lei, para a promoção aos postos de oficiais-generais e propor-lhe os oficiais-generais para a nomeação aos cargos que lhes são privativos.(Redação dada pela Lei Complementar nº136 de 25 de agosto de 2010).
Como pode se ler acima,  a alteração foi sutil mas não por isso menos agressiva aos militares. Ao deixarem de indicar - verbo típico de assessoristas - os nossos generais agora passam a humildemente propor a lista dos nomeados. E isto é apenas um pequeno passo rumo à comunização do poder das Forças Armadas, tendo em vista o projeto apresentado pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, em consonância à orientação da ex-ministra da Casa Civil, Dilma Roussef.

Das medidas anunciadas por Jobim, as que mais assustam são a criação da Secretaria de Compras do Ministério da Defesa, a unificação das três Forças nos Estados-Maiores Regionais, a transferência da Escola Superiora de Guerra (ESG) do Rio de Janeiro para Brasilia e a criação de cargos de direção e assessoramento superior na ESG, passíveis de indicação política.

Quanto a estas indicações, basta pensar na hipótese de se contratar um chef executivo de cozinha para dar aulas de Cálculo III em uma faculdade de Fisica. Nada contra nenhuma das profissões, tanto o chef como o físico teem muito valor, desde que atuem dentro de suas áreas. Então, como conceber uma pessoa que não seja formada, no mínimo, em Ciências Militares, ensinando Coronéis, Tenente-Coronéis e Majores? Talvez só não pareça absurdo para o advogado mequetrefe que comanda as Forças Armadas.

Argumentando em favor da centralização das compras bélicas, o mequetrefe afirma que a medida acarretará ganhos de escala. Só esqueceu que o fuzil da Marinha é diferente do usado no Exército; que os canhões embarcados da Marinha são diferentes dos anti-aéreos da Aeronáutica; e que estas diferenças são fruto de especificações técnicas adaptadas a cada tipo de meio de combate. Mas saber disso já seria pedir demais do jurista Jobim, que não sabe nada nem de Economia, nem de Ciências Militares.

Já sobre a unificação dos comandos regionais, cabe lembrar que a divisão histórica da defesa nacional em três Forças distintas não tem por finalidade o desfile de fardas multicoloridas no 7 de setembro, e nem o revezamento da guarda do Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial. A reunião de instituições tão diferentes entre si - mesmo que guiadas pelo ideal comum de proteção da Pátria - em um local só e sob o comando de apenas um comandante, independente de sua Força de origem, é causar o caos à administração militar. Ao que parece, depois de recolhidos de volta aos quartéis (de onde não deveriam sair nem para ir ao banheiro) agora os militares serão espremidos em um mesmo quartel fétido. E ai de quem abrir a janela para respirar melhor!

Pressionados desta forma, e comprados pelo bolsa-fica-quieto de 50% de aumento salarial parcelado em 5 anos, não é de se assustar que o trio Saito, Peri e Soares esteja tão resoluto em acatar ordens. Inclusive de abrir mão da formação dos novos comandantes de unidades militares, a qual deverá ser feita por uma banca do Foro de São Paulo bem debaixo das barbas grisalhas do Apedeuta-Mor.

Caro leitor, se estiver enojado do que tratou este post até aqui, e não querem uma úlcera, então aconselho parar de ler e começar a escutar Bossa Nova. Isto pois, o que irei escrever a partir de agora é de arrepiar os pelos do cavanhaque de Lênin. Nem ele teria a audácia de afrontar seus opositores da forma como o Lula fez. Sigam lendo os incautos leitores.

Por ocasião de um discurso no Palácio do Planalto sobre a sanção da referida Lei Complementar, o presidente Lula "brincou" com os militares que aceitaram de tão bom grado as alterações na legislação chamando-os de "companheiros". Disse também estar arrependido de não ter enviado junto com esta sanção uma emenda à Constituição incorporando "alguns anos" no mandato de presidente. E acrescentou que caso tivesse mais um ano no poder executivo do Brasil, poderia chamar os militares não de "companheiros", mas de "camaradas".

Com efeito, não será de se espantar caso a Secretaria de Compras do Ministério da Defesa julgue necessária a aquisição de empaladores medievais para o melhor atendimento da proctologia dos hospitais militares.


Consulta em:

Lei Complementar nº97: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LCP/Lcp97.htm

Lei Complementar nº136: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LCP/Lcp136.htm#art1

http://www.istoe.com.br/reportagens/98040_LULA+LAMENTA+NAO+TER+FEITO+PROJETO+PARA+AMPLIAR+MANDATO

http://www.istoe.com.br/reportagens/17365_JOBIM+VAI+A+GUERRA

sábado, 28 de agosto de 2010

Cotas na UFRJ estão mais abrangentes

Por Mr MacColin

Na UFRJ se discute a política de cotas para as vagas do Vestibular. Antes, o que era uma proposta que visava a inclusão dos negros no ensino superior, agora inclui indígenas, pardos, classes sociais e alunos de escolas públicas estaduais e municipais.

Na sessão extraordinária do Conselho Universitário (Consuni), foi vitoriosa a proposta de aumento de 10% para 20% de vagas destinadas às "políticas afirmativas", ou seja, às políticas que desagregam a sociedade, que criam disputa entre etnias, classes sociais e outras divisões econômico-sociais. Segundo o reitor Aloisio Teixeira há necessidade de modificações em discussões posteriores, mas afirmou que a contemplação de vagas apenas a alunos de escolas públicas "demonstra um critério politico de valorização desses estudantes e a intenção de mantê-los na universidade, com políticas de permanência específica para os cotistas".

Das propostas emitidas na última sessão, segundo o jornal Adufrj, estão o pedido da Clara Saraiva, estudante, para o aumento das vagas de 20% para 50%, a proposta do professor Marcelo Paixão para a inclusão de vestibulandos autodeclarados negros, pardos ou indígenas nas cotas, e a proposta de aumento das cotas para 35% reservadas apenas para candidatos do Enem. Esta última proposta só não foi aceita por dois votos de diferença (18 contra 20 votos).

Das cotas, ficam excluídos os alunos de colégios federais, tais como o Colégio Militar e os CAps, devido a um entendimento de que estas instituições possuem ótimos resultados históricos nos vestibulares.

O que pode se compreender destas polêmicas cotas? São, em resumo, o fim da meritocracia no sistema educacional. Para se corrigir uma suposta falha no acesso à educação universitária, criam-se facilidades e regras que garantam a formação do agraciado pela tal facilidade. Não interessa nesta discussão a melhoria da qualidade dos ensinos fundamental, médio e superior, e muito menos a eficácia do sistema educacional público. Afinal de contas, quem quer ser a pessoa a defender uma posição tão politicamente incorreta? Quem será o primeiro docente da UFRJ a difamar a própria instituição? Ninguém fará isso pois, o que importa o resto dos não agraciados, o que importa se o sistema é falho em sua essência, o que importa se a medida votada é um mero paliativo? O que realmente importa é estar dentro, recebendo as benesses do sistema. Já o verdadeiro trabalho que é educar todo jovem brasileiro, isso ninguém quer.

Um vermelho-e-preto com Benjamin Streinbuch - o homem que quer fechar o país

Por Leandro Roque

O artigo é longo, mas tão interessante e absurdo, que creio não ser maçante sua leitura integral. Segue a entrevista de Benjamin Streinbuch ao jornal Valor Econômico, comentada por Leandro Roque, editor e articulista do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


Benjamim Steinbruch é um empresário multifacetado. Hoje, ele pode facilmente ser chamado de magnata do aço. Um dos fundadores do grupo Vicunha, que mexe com produtos têxteis, Steinbruch foi incumbido, nos anos 1990, de diversificar os negócios da empresa, e acabou entrando nos processos de privatização da CSN e da Vale. Mais tarde, abriu mão de suas ações na Vale e aumentou sua participação na CSN, empresa da qual hoje é presidente.

Esse é o seu lado empreendedor.

Porém, como infelizmente acontece com a maioria dos grandes empresários brasileiros, Steinbruch também possui seu lado cartorial: ele é o presidente em exercício da FIESP, entidade que define o que os paulistas e, por conseguinte, os brasileiros podem importar ou não. O atual presidente da FIESP, Paulo Skaf, coerentemente é afiliado ao Partido Socialista Brasileiro. A mídia, que não domina assuntos teóricos, fez troça dessa afiliação de Skaf: "Um empresário socialista? Como pode?" Ora, Skaf está demonstrando corretamente suas preferências. O atual regime brasileiro, em que os grandes empresários fazem conluio com o governo para benefício de ambos e em detrimento do resto da população, nada mais é do que a variante fascista (corporativista) de um arranjo socialista.

Mas estou digressionando. Voltemos a Steinbruch. Sua entrevista a seguir foi dada ao jornal Valor Econômico, muito embora seu conteúdo pareça diretamente saído da Carta Capital ou do A Hora do Povo. Sua proposta econômica é módica, sensata e equilibrada: quer criar mais dois BNDES, desvalorizar a moeda o máximo possível e simplesmente proibir as importações, fechando o país.

A seguir, os trechos mais saborosos de sua longa entrevista. Vale a pena ler tudo, pois seu pensamento revela como pensa grande parte do empresariado protecionista brasileiro. Ele e o Valor vão de vermelho, eu vou de preto.

Valor: O mercado interno (brasileiro) forte amplia a chegada das importações. Isso incomoda a indústria?

Steinbruch: A importação é uma coisa nova no Brasil. Nós ainda não tivemos tempo de considerar nossa posição. Temos uma ótima situação interna, gente comprando seu primeiro bem — casa, geladeira, fogão, carro — ao mesmo tempo em que lá fora os países estão em dificuldade, com enorme capacidade ociosa. Então, nosso mercado interno, que é uma referência mundial, vira alvo. O Brasil nunca viveu isso, não temos a experiência de ficar tão bem, então pagamos um preço pelo sucesso. O mercado interno vai continuar bom, mas não necessariamente a produção local vai estar trabalhando a plena capacidade. Num curto espaço de tempo as empresas vão fazer um esforço muito grande para exportar, por falta de possibilidade de vender o produto internamente.

Devo confessar que não entendi o raciocínio. Primeiro Steinbruch diz que o mercado interno está muito bom, com as pessoas comprando seus primeiros bens, como casa, geladeira, fogão e carro. Porém, em seguida, ele conclui que estar bom significa, na verdade, estar ruim, pois vários produtos externos passam a ser vendidos aqui dentro. Conclusão: mais opções de compra é algo ruim para a população.

Paradoxalmente, conclui Steinbruch, um mercado interno forte faz com que as empresas brasileiras tenham de "fazer um esforço muito grande para exportar, por falta de possibilidade de vender o produto internamente." Entendeu? Nem eu. E, aparentemente, nem o jornalista. Daí sua próxima pergunta.

Valor: Como assim?

Steinbruch: Há um descontrole de importações em todos os setores. No ano passado, no primeiro semestre, importamos o equivalente a US$ 5,9 bilhões em manufaturas da China. Agora, em 2010, importamos US$ 9,9 bilhões entre janeiro e junho, praticamente dobrou em um ano. E estou falando da China, apenas.

Aqui ele apenas cita um dado. Porém, utilizando-se de um artifício malicioso, Steinbruch transforma essa ausência de conclusão em uma conclusão em si. Basta falar que as importações da China aumentaram de 5,9 para 9,9 bilhões de dólares em apenas um ano e, voilà!, ele transforma um dado numérico em uma coisa vagamente assustadora, fiando-se apenas no preconceito anti-importação que domina toda a imprensa, algo que é tomado como um critério universalmente aceito. À luz desse preconceito, não precisa haver mesmo conclusão alguma, pois o simples fato de estar havendo importações da China já é automaticamente aceito como algo supremamente anormal e condenável. A pergunta a seguir confirma esse raciocínio.

Valor: Isso é discutido na Fiesp? (Observe que sequer há uma indagação sobre os motivos de tal aumento das importações chinesas ser algo ruim)

Steinbruch: Muito. Ninguém pensava que as empresas brasileiras iriam ter de parar a produção por excesso de estoques enquanto o mercado está com demanda forte, mas isso ocorre porque as importações estão ocupando espaço.

Se as importações chinesas estão "ocupando espaço" dos produtos brasileiros é porque os consumidores brasileiros estão voluntariamente mostrando que preferem aqueles produtos (talvez por serem mais baratos) aos produtos brasileiros. E o senhor Steinbruch não aceita isso. Ele quer, na verdade, um decreto governamental que proíba os consumidores brasileiros de exercerem livremente suas preferências no mercado. Melhor ainda: ele quer que os brasileiros sejam obrigados a comprar apenas os produtos seus e de seus companheiros.

Se você acha que eu estou mentindo ou exagerando, continue lendo o show de horrores que virá a seguir.

Valor: O sr. tem algum caso concreto de empresa que vai fazer isso? (Parar a produção por excesso de estoques).

Steinbruch: Até duas semanas atrás ninguém falava nisso. Se pegar os dados de 31 de julho, vocês não verão. É algo que está acontecendo agora. Há 350 mil toneladas de aço estocadas em Santa Catarina. As empresas vão ser obrigadas à exportar, o que é um esforço muito grande com uma moeda tão valorizada. Vai ter de baixar o preço no mercado interno para competir com o importado, o que é uma competição desleal, mas só vai ter o efeito disso no ano que vem. Qualquer medida que o governo tomasse agora só serviria para 2011, então o governo está atrasado. A economia vai bem, a demanda está forte, mas as empresas brasileiras estão com dificuldade de aproveitar essa bonança.

É até difícil escolher por onde começar. Tentemos pela ordem. Se há 350 mil toneladas de aço paradas em Santa Catarina, restam-lhe 3 opções:

1) Vender tudo no mercado interno — é só baixar o preço que ele vai encontrar o tanto de compradores que ele quiser. Só que, como ele se acostumou com preços altos para seus produtos — tudo estimulado pela expansão do crédito orquestrada pelo Banco Central —, praticar uma redução é algo inconcebível.

2) Exportar a preços vigentes no mercado internacional, algo que para sua tristeza ele não pode controlar.

3) Estocar para vender quando o preço lhe for mais propício.

Depois dessa lamúria, Steinbruch prossegue dizendo que ter de baixar preços para competir com a concorrência dos importados é "uma competição desleal". Como todo grande empresário cartorialista, ele parece ter se acostumado à crença de que vender a preços constantemente altos é um direito inalienável.

Ato contínuo, ele solta o veredicto: o governo tem de agir e tem de agir rápido! Aliás, já está atrasado! As empresas brasileiras não estão conseguindo aproveitar a atual bonança, pois os malditos chineses estão acabando com a festa, atrevendo-se a vender aqui produtos baratos e voluntariamente desejados pelos consumidores brasileiros. Que alguém trate logo de abolir o mercado e seu sistema de preços insensível às volúpias do grande empresariado.

Valor: Mas como convencer as pessoas de que é preciso fazer algo num período de crescimento forte, redução do desemprego e aumento de salários?

Steinbruch: Só perceberemos depois que as empresas começarem a parar mesmo. Aí veremos que alguma coisa furou no modelo, e furou por um descuido nosso, porque ninguém pensou nisso e muita gente não percebeu ainda. Vamos bater num muro a 200 km por hora. Cerca de 95% dos óculos vendidos no país são importados, sabia? Escovas e pentes têm a mesma situação. Não se fabrica mais aqui. Ou incentivamos mais ainda o mercado interno, com financiamento, isenção de imposto, para ter efeito rápido, ou restringimos ao máximo as importações.

Enquanto o resto do mundo se preocupa com nanotecnologia, biotecnologia, tecnologia da informação e robótica, nosso empresariado ainda está preocupado com a produção de pentes e escovas! De acordo com Steinbruch, se o país parar de produzir pentes, ficaremos pobres!

Consequentemente, para impedir a derrocada da portentosa indústria nacional de pentes e escovas, o governo deve abrir as torneiras, dar financiamento barato para as empresas voltarem a produzir tão demandados e insubstituíveis objetos (só falta encontrar algum índio pra fazer escambo), e, só pra garantir, dar uma fechadinha básica nas importações. É assim que um país enriquece.

Se nos aprofundarmos um pouco mais, veremos que tal raciocínio tacanho seria contra a substituição das máquinas de escrever pelos computadores, das velas pelas lâmpadas incandescentes e das carroças pelos automóveis. Steinbruch, se possível, proibiria a importação de laptops, pois isso seria ruim para as representantes da Olivetti no Brasil.

Valor: O novo governo, seja qual for, vai fazer algo próximo disso?

Steinbruch: Isso certamente vai ter de ser feito a partir de 2011. Porque enquanto o Brasil estiver bem e os outros países estiverem mal, isso vai se perpetuar. A empresa estrangeira não tem para quem vender, então manda para cá. O que desorganiza a cadeia é que quem está importando não são os clientes finais da indústria brasileira, mas o intermediário. Se você conversa com os industriais, eles vão te dizer que estão com produção toda vendida até o fim do ano. Só que os clientes não estão retirando a mercadoria. Porque entrou uma opção alternativa, o importado, que não estava previsto. Nem por quem produz, nem por quem compra.

Maldito mercado! Interpondo-se às expectativas sossegadas dos cartorialistas! Ou em 2011 o governo acaba completamente com as importações ou voltaremos à idade da pedra — só que, dessa vez, com escovas e pentes chineses.

Observe que o raciocínio tortuoso de Steinbruch leva a uma conclusão óbvia: quanto mais produtos estrangeiros forem vendidos aqui dentro, quanto maiores as opções e quanto mais baratas forem, pior para os brasileiros. Ou seja: estamos pobres porque somos ricos. Vamos empobrecer porque enriquecemos. Somos miseráveis pois vivemos na fartura. Um país só pode ser rico quando seu mercado interno é dominado por apenas um tipo de produto vendido ao maior preço possível.

Por que é inconcebível para Steinbruch a hipótese de os produtores nacionais simplesmente reduzirem seus preços? Por que o empresariado não aproveita essa maré favorável às importações e compra bens de capital que lhes permita otimizar seu processo produtivo, aumentando assim a produtividade? Isso possibilitaria uma redução de preços e um concomitante aumento dos lucros. Porém, é mais fácil simplesmente pedir para o governo barrar as importações. O que vale é o bem-estar deles e não o dos consumidores.

Valor: Mas a maior parte do que importamos é maquinário e bem intermediário, que complementa a produção. Essa importação não é benéfica ao país?

Steinbruch: A importação benéfica para o país é difícil de se diferenciar. É aquela que complementa além do limite de produzir. Se há demanda para 105 e produzimos 100, assim os cinco vêm de fora, para equilibrar a inflação. Hoje, com a oferta que temos no mundo, o risco grande que temos não é de inflação, mas de deflação. O Banco Central está errado quando diz que há risco de inflação. O que veremos agora é deflação. Porque a ociosidade do mundo, em termos produtivos, dificulta e muito qualquer processo inflacionário de demanda, que seria nosso caso, então não existe risco de inflação no Brasil. O nível de esforço que os países maduros estão fazendo para conseguir gerar demanda, com bilhões e bilhões de gastos para incentivar a economia é justificável para reanimar a atividade. Aqui fazemos o contrário, estamos castigando o sucesso do ciclo positivo que nós desenvolvemos — mercado interno, emprego, renda familiar —, que é quebrado pela importação, favorecida pela moeda valorizada. Estamos surpresos.

Antes de tudo, observe que Steinbruch não respondeu à pergunta que lhe foi feita. O que ele realmente quer — e disso ele não abre mão — é um maior rigor nas importações, de modo que seja importado rigorosamente apenas aquilo que vai complementar a produção. Ou seja, se a indústria nacional de pentes está produzindo em sua capacidade máxima, mas a demanda por pentes continua insaciável, então nesse caso — e apenas nesse caso —, Steinbruch permite que os chineses vendam seus pentes aqui dentro. Porém, tão logo essa demanda tenha sido saciada, as importações devem voltar a ser restringidas, para que a indústria nacional volte a ser soberana na venda de pentes mais caros.

Quanto à balela sobre risco de deflação, isso apenas mostra como os grandes empresários são contra uma moeda forte — como um padrão-ouro, por exemplo, que é inerentemente deflacionário (no sentido de provocar uma constante redução nos preços). É muito mais fácil viver em uma economia cuja oferta monetária esteja em constante aumento, pois assim os lucros contábeis são mais fáceis e a produção pode ser de menor qualidade.

Valor: Com o quê?

Steinbruch: Uma situação previsível de tranquilidade no segundo semestre mudou para uma surpresa de empresas grandes estarem parando por férias ou reduzindo pessoas por um desequilíbrio entre oferta e demanda por conta do importado. Para um país como o Brasil, que tem matéria-prima, capacidade produtiva, capacidade de ter duas safras agrícolas e petróleo, não vejo onde está o benefício da importação, a não ser que seja para equilibrar preços, para evitar inflação. O Brasil teria que, de alguma forma, se fechar.

Uma situação previsível de tranquilidade foi perturbada pela repentina mudança nas preferências dos consumidores. Empresário que se assusta e se surpreende com o fato de que os consumidores preferem produtos mais baratos me parece estar no ramo errado. Essa é a essência do empreendedorismo: saber antecipar as mudanças no comportamento dos consumidores. Como explicou Israel Kirzner, os empreendedores têm de estar sempre alerta às tendências de mercado. Aqueles que não se adaptarem a isso, certamente perderão fatias de mercado — e os que são poderosos o suficiente, certamente recorrerão ao governo para tentar mudar isso.

Observe, ademais, o totalitarismo nas duas últimas frases de Steinbruch: não há benefício para os brasileiros nas importações. Esta deve ser usada apenas pontualmente com o intuito de controlar o aumento de preços. Fora isso, as importações devem ser proibidas e o país deve se fechar. (Lembra-se que eu falei lá em cima que eu não estava exagerando?)

Valor: Como assim?

Steinbruch: Fazer um pouco o que a China fez. Vocês falaram de máquinas, por exemplo. O certo é que o Brasil pudesse desenvolver, por conta do crescimento contínuo da economia, tecnologia própria, inclusive para máquinas e equipamentos, para avançarmos tecnologicamente. Hoje, importamos equipamento chinês. Por quê? Porque cresceram por 15, 20 anos e tiveram condição de testar equipamento e tecnologia, corrigir, melhorar. Começaram copiando, depois melhorando e hoje eles têm tecnologia própria. O Brasil tem de fazer a mesma coisa.

Esse é um raciocínio delicioso. De acordo com Steinbruch, se o país se fechar, isso milagrosamente fará com que todo o intelecto nacional repentinamente se exacerbe e exiba seu pleno potencial, fazendo com que, do nada, haja um salto tecnológico no país. Para ele, a inteligência, a tecnologia e o capital são coisas que estão ali, adormecidas, apenas esperando uma oportunidade — no caso, um fechamento do mercado — para que possam finalmente despertar e se exibir em sua totalidade.

E ele aparentemente falou isso com um grande ar de seriedade. É como se toda a tecnologia, todo o capital e todo o intelecto prático fossem apenas um adorno que automaticamente entraria em cena tão logo a concorrência estrangeira fosse suprimida; é como se a ausência desses elementos hoje observada não fosse de maneira alguma um obstáculo à conquista do padrão chinês de desenvolvimento. Basta fechar o mercado e as mil flores irão florescer. Haverá, finalmente, o nosso Grande Salto Para a Frente.

Valor: Fechar a economia, então?

Steinbruch: A economia tem que se fechar um pouco para poder propiciar esse salto.

Eu nunca exagero no que falo.

Valor: Mas durante esse processo, não experimentaremos um período de inflação mais alta?

Steinbruch: Você tem que incentivar o bem mais barato fabricado aqui. Nós não temos porque fazer mais caro que lá fora.

Ora, mas o bem mais barato é exatamente o que vem lá de fora! Não era exatamente disso que ele estava reclamando? Como um fechamento do mercado vai permitir que mais bens, melhores e mais baratos sejam produzidos aqui dentro? Para responder isso, ele precisa antes explicar como vai solucionar aquele problema que mencionei duas respostas acima.

Valor: E o caso da Petrobras na exploração do pré-sal que dá prioridade ao fornecedor nacional, mas há máquinas e peças que só existem no exterior?

Steinbruch: E por que não têm máquina aqui? Não é por falta de capacidade nossa, seja tecnológica, gerencial ou financeira, então não é por isso. Temos que nos educar no sentido de colocar desafios maiores para o Brasil. Nós podemos tudo. Temos que dar um trato diferente ao capital que vai para investimento e ao que vai para custeio. O investimento no Brasil é muito caro, temos um custo que não é comparável com o exterior. Essa discussão do BNDES é totalmente secundária e inoportuna.

A Petrobras, que não é boba, concorda comigo e discorda de Steinbruch. Na hora de buscar capital e tecnologia de ponta, ela corre pro exterior. Apenas ficar com esse papo cafona de que não há falta de capacidade tecnológica, gerencial ou financeira no Brasil, e que "temos que nos educar no sentido de colocar desafios maiores para o Brasil. Nós podemos tudo.", não é o suficiente para sanar estes problemas. O problema vem bem mais de longe, e não será solucionado apenas com romantismo.

Valor: Por quê?

Steinbruch: Porque temos que fazer todo o esforço possível e imaginável para favorecer o investimento. Então, o banco de desenvolvimento tem de dar condições para as empresas. Para micro, pequena, média empresa e também para as grandes e gigantes. Temos que ir para fora. Um país que quer liderar tem que ter empresas fortes e isso só ocorre se o governo apostar junto. Foi o que aconteceu em todos os países do mundo. Se for copiar o que aconteceu com Inglaterra, Estados Unidos, é o mesmo modelo. Temos que copiar e depois melhorar. Nós temos que privilegiar o BNDES e outros, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O presidente Lula estava certo quando estimulou o BB e a CEF à fazerem mais, à estarem presentes num momento de crise, à não cortarem o crédito. Foi um momento muito importante.

Esta posição em prol do "crédito fácil que gera crescimento" é muito difícil de ser atacada no atual momento da economia brasileira, em que tudo parece estar indo às mil maravilhas. Da mesma forma, era impossível criticar o Fed durante o período da bonança imobiliária americana, onde tudo aparentemente também era uma maravilha. Alan Greenspan, o então presidente do Fed, era saudado como um gênio monetário, capaz de gerar riqueza por meio da simples impressão de dólares. Deu no que deu. E hoje, o que vou falar no parágrafo seguinte já é amplamente aceito nos EUA (exceto pelos keynesianos); já é amplamente entendido como a causa da expansão artificial e da consequente recessão americana. Aqui no Brasil, como a coisa ainda vai demorar um pouco pra acontecer, tal raciocínio parecerá estranho. Mas economia é assim mesmo: é a arte de entender o que não se vê.

Um aparente "crescimento" econômico trazido por uma expansão do crédito — no caso, os financiamentos subsidiados do BNDES e a redução dos juros feita pelo BACEN —, não chega sequer a ser um crescimento econômico. Tampouco há um genuíno aumento da produção econômica. Inflação e crédito fácil jamais podem aumentar a disponibilidade de bens em uma economia; jamais podem aumentar a produção total. A única coisa que ambos fazem é provocar uma realocação de recursos, favorecendo aqueles que recebem esse dinheiro antes de todo o resto da população, e prejudicando aqueles que recebem esse dinheiro por último.

Durante esse período de realocação dos fatores de produção dentro da economia — período esse que é confundido com crescimento econômico genuíno —, as pessoas erroneamente creem que estão vivendo um período de bonança, quando na verdade estão vivendo um período de desperdício de recursos. Bens de capital estão sendo empregados em projetos que serão insustentáveis no longo prazo.

Esse processo é camuflado pelo fato de que alguns membros da sociedade realmente estão enriquecendo. Porém tal enriquecimento foi trazido apenas e exclusivamente pela criação de dinheiro. E sempre em detrimento daqueles que serão os últimos a receber esse dinheiro recém-criado.

"Ah, mas o PIB cresce!" Não obstante todas as falhas com o cálculo do PIB, é suficiente apenas dizer que, como o PIB mensura os gastos da economia, é óbvio que uma quantidade maior de dinheiro fará com que o valor nominal desses gastos sejam maiores. E mesmo sabendo que o PIB é "corrigido pela inflação de preços", sabemos que o aumento dos preços é sempre menor do que o aumento ocorrido na oferta monetária. Consequentemente, um aumento da oferta monetária de fato causa um aumento do PIB real, mas está-se apenas mensurando gastos, e não produção e poupança, que é o que realmente gera riqueza.

Valor: Como o sr. vê as críticas ao BNDES?

Steinbruch: Não precisamos de um BNDES, mas de três bancos como o BNDES para atender a demanda por investimentos e a formação de empresas globais.

Quanto mais crédito fácil, melhor é para aqueles que recebem esse dinheiro primeiro. Nesse caso, o senhor Steinbruch está sendo bastante coerente. Ele está defendendo aquilo que é bom exclusivamente para ele.

Valor: Além de fortalecer o BNDES, que medidas podem fomentar os investimentos?

Steinbruch: A mais imediata seria diminuir a taxa de juros, para desvalorizar a moeda.

O brasileiro não pode ter uma moeda forte, com um bom poder aquisitivo, que lhe permita comprar mais coisas de fora. Não. O ideal é que o brasileiro tenha uma moeda que ninguém aceita lá fora, valendo menos que capim. A moeda ideal é aquela suficiente para comprar apenas os produtos produzidos pelo senhor Steinbruch e por seu círculo de amigos fiespianos. O resto é desnecessário.

Valor: Mas já passamos por processo de redução de juros e mesmo assim a moeda continuou se valorizando...

Steinbruch: Se derreteu a moeda cortando juros, imagina elevando, como fazemos agora. Nossa taxa precisa ser um ou dois pontos percentuais acima da inflação.

As noções econômicas de Steinbruch são completamente invertidas. Para ele, uma moeda "derretida" é aquela moeda forte, com poder de compra no mercado internacional. Já uma moeda literalmente derretida, sem poder de compra algum lá fora, é para ele uma moeda robusta, geradora de prosperidade. Aparentemente, enquanto o dólar não estiver na casa dos 15 reais, Steinbruch não vai sossegar.

Valor: Então não passa só pelos juros, certo?

Steinbruch: Não, podemos também controlar importação. Tanto do ponto de vista quantitativo quanto qualitativo. Há muitos bens, como lâmpadas, que chegam custando um centavo de dólar. Precisamos ter gente treinada, investimento em pessoal para que possam controlar e desenvolver sistemas. Os países maduros têm isso, porque eles também foram alvos. Os Estados Unidos têm uma bíblia para você poder entrar lá e um pessoal profissional para controlar o que entra. Agora, o alvo somos nós e nós não temos essa experiência, então vem tudo para cá.

O modelo de prosperidade de Steinbruch deve ser a Coréia do Norte. Lá não há lâmpadas sendo vendidas a um centavo de dólar. Lá as importações são bem controladas. Lá há investimentos e gente treinada para controlar e desenvolver sistemas (nucleares). Lá certamente há "uma bíblia para você poder entrar lá e um pessoal profissional para controlar o que entra".

Enquanto isso, nós, coitados, somos bombardeados por uma oferta de produtos chineses baratos, algo que não pode acontecer. No Brasil de Steinbruch, haveria um exército de funcionários seus em todos os portos e aeroportos, inspecionando direitinho o que entra e ditando a nós, brasileiros, o que podemos consumir ou não.

Valor: A Usiminas entrou com um pedido de antidumping contra a importação de chapa grossa de aço. Acha que a abertura de processos antidumping pode ser uma saída?

Steinbruch: Tem que fazer. A gente vai deixar de ser um país produtor industrial para ser um importador? É um castigo que não podemos pagar.

Castigo é poder comprar produtos baratos de fora. Benção é ser obrigado a comprar apenas os produtos feitos por Steinbruch e sua claque.

Valor: Então devem partir das empresas as medidas de controle?

Steinbruch: Tem que ser algo coordenado com o governo.

Esse coordenação entre governo e empresariado foi um arranjo de muito sucesso na Itália e na Alemanha da década de 1930.

Valor: Mas o governo atual ou o futuro vai fazer isso?

Steinbruch: Tem que fazer. O Brasil vai ter que adotar uma política dura porque hoje em dia é muito mais importante para nós a produção e o emprego [indústria] que a fazenda [campo]. O problema para nós é muito mais dar garantia à produção e ao emprego que a questão econômica e financeira, que já está equacionada. A prioridade agora é o Ministério do Desenvolvimento, tanto com incentivo para exportar quanto para evitar importação desordenada. Cada porto tem que ter um controle e isso precisa ser integrado.

Aqui Steinbruch é explícito. Ele defende uma burocracia responsável por fazer planejamento econômico, em que a decisão sobre o que será produzido, em qual quantidade e para quem será vendido fica a cargo de burocratas, e não dos consumidores. Nada de "importação desordenada". Cada porto deverá ter um agente contratado por Steinbruch, inspecionado absolutamente tudo o que entra no país, e dando seu selo de aprovação. (E aposto que você achou que eu estava exagerando nas minhas três respostas acima).

Valor: O que mais preocupa o empresariado?

Steinbruch: Preocupa tudo. Está faltando mão de obra, estamos colocando escola dentro do canteiro de obra, fazendo o que podemos para formar gente, algo que é um limitador do crescimento brasileiro.

Agora Steinbruch passou a concordar comigo e, consequentemente, a se contradizer. Como um país com esse nível de educação vai repentinamente se modernizar via fechamento dos portos? Apenas essa frase já está em contradição com metade das suas ideias acima expostas.

Valor: O que acaba por aumentar os salários. Isso é um empecilho?

Steinbruch: Aumentar salário para o consumo de produção nacional é razoável. Duro é aumentar salário para o cara consumir bem importado, isso é uma distorção. Estamos em condições de avançar e agregar outros 50 milhões de consumidores na economia. É um país fantástico, mas ainda temos muito o que fazer. Enquanto lá fora estão fazendo de tudo, o possível e o impossível para ressuscitar a economia, aqui não precisamos disso.

Aumento salarial bom mesmo é só aquele que é gasto integralmente na compra de produtos com o selo Steinbruch. Se o aumento salarial for gasto no consumo da produção nacional, isso será apenas "razoável". Mas duro mesmo é o sujeito se atrever a gastar seu salário comprando o que ele quer, principalmente coisas importadas. Aí já é demais. "Isso é uma distorção".

São pensamentos totalitários como esses do senhor Steinbruch que fazem com que o capitalismo tenha uma má fama, sendo visto como um sistema manipulado, no qual empresários e governo fazem conluio para benefício mútuo em detrimento de toda a população, principalmente a de menor renda, que se torna obrigada a comprar produtos nacionais mais caros.

Como bem disse Benito Mussolini,
"O fascismo deveria ser mais apropriadamente chamado de corporativismo, pois trata-se de uma fusão entre o poder do estado e o poder das grandes empresas".


Apenas o livre mercado pode colocar essa gente no seu devido lugar.
 
 
Texto retirado do site Instituto Ludwig von Mises Brasil: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=759
 
O texto também pode ser encontrado no blog LIBERTATUM: http://libertatum.blogspot.com/2010/08/um-vermelho-e-preto-com-benjamin.html

O roubo de dados da base da Receita

Por Nivaldo Cordeiro

O editorial do Estadão (O crime continuado do PT) de hoje é daquelas peças para se emoldurar e não mais esquecer. Ele tem por tema o roubo dos dados de pessoas importantes da base da Receita Federal. Nem vou discutir aqui a exorbitância estatal de se fazer declaração de rendimentos e de fluxo patrimonial, que é uma outra história, para outro artigo. Na verdade, estamos em pleno vigor de um Estado policialesco, na medida em que as autoridades curvam-se aos interesses menores dos petralhas que tomaram o poder. Nas palavras do editorialista:


"Foi preciso uma decisão judicial, tomada na terça-feira, para que o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, pudesse exercer o direito elementar de acesso ao inquérito instaurado na Corregedoria-Geral da Receita para apurar a devassa nas suas declarações de renda - cópias das quais foram parar em mãos de pessoas ligadas à campanha da candidata petista Dilma Rousseff. E só assim o País ficou sabendo, já tardiamente, que o sigilo fiscal de outros contribuintes também foi quebrado na mesma ocasião, com a mesma sórdida intenção de atingir o candidato tucano ao Planalto, José Serra".

Mais grave ainda que hoje veio a público que dados fiscais da família Klein e da apresentadora Ana Maria Braga também foram violados. No caso desta última é difícil saber a motivação, mas no caso dos Klein, envolvidos recentemente em negociações milionárias com um conhecido apoiador do PT, seus dados podem ter sido valiosos como instrumento de espionagem empresarial. A privatização do Estado ficou assim estampada da pior forma.

Isso só reforça a convicção de que a eventual vitória de Dilma Rousseff dará à gangue do PT e seus aliados a senha do "pode tudo", acima e além da lei, sobretudo naquilo que julgarem necessário para a manutenção de seu poder. A destruição das oposições será consumada e o país caminhará perigosamente para uma ordem totalitária. Insistir nesse ponto é essencial enquanto ainda é tempo para fazer frente ao perigo pelo instrumento eleitoral. Depois das comportas fechadas para o monopólio do poder pelo PT não haverá mais oportunidade de corrigir os rumos de maneira pacífica.

Os paralelos históricos estão aí para serem vistos e devemos olhar muito bem a experiência de Hugo Chávez na Venezuela. Estamos assistindo à destruição daquele país e o seu mergulho no totalitarismo populista mais deletério. O Brasil caminha para repetir essa experiência. O jornal O Estado de São Paulo tornou-se voz solitária a avisar os brasileiros dos grandes perigos. Ainda temos essa voz. É preciso ouvi-la com atenção.

Texto retirado do site Midia Sem Mascara: http://www.midiasemmascara.org/artigos/governo-do-pt/11375-o-roubo-de-dados-da-base-da-receita.html
 
Texto também encontrado no blog do Nivaldo Cordeiro: http://www.nivaldocordeiro.net/oroubodedadosdareceita

Guerrilheiros Virtuais

Por Carlos Vereza

Mais três sigilos da receita federal foram violados pelos bucaneiros do PT, que, como sempre,negam, como negaram o mensalaõ, os assassinatos de Celso Daniel, Toninho de Campinas, e, agora, a extranha morte do escritor Ives Hublet.

Eles não têm limites: a sordidez deformou-lhes o carater, o próprio perispírito, "deíficaram-se",cinicos, como o Capo que lhes dá a linha de atuação!

Como ficou claro para mim, espirita, que nem sempre a voz do povo é a voz de Deus; que o norte e o nordeste, são, por circuntâncias históricas, o campo fértil dos reacionários!

A Bahia, por exemplo, foi o único estado que atirou contra a Coluna Prestes, que, entre outras causas, lutava por eleições limpas...E o que vemos agora? Exatamente o foco explorado pelo Grande Guia, são essas regiões, mantidas através dos séculos em estado de miséria, sem noção de cidadania, que anestesiadas pelas inúmeras bolsas,poderão levar à presidência do país. a nova burguesia sindical!

Esta corja não acredita em Deus, não acredita na lei matemática de causa e efeito.Megalômanos, egos inflados pela sede de poder, não sabem que são finitos na matéria e que terão de prestar contas aos senhores do Carma!

Não duvidem: eles serão capazes de tudo!Das mais abjetas ações terroristas à calunia, difamação, quebras de sigilos, "guerrilheiros virtuais", como se autodefinem, enfim, o mais puro fascismo travestido de "esquerda!"

Aguardem novos golpes baixos! O repertório é inesgotável!

Que José Serra, denuncie à nação o verdadeiro significado do cataclisma chamado Lula da Silva!

Estamos Juntos!
 
Texto retirado do blog "Nas veredas do Vereza": http://carlosverezablog.blogspot.com/2010/08/guerrilheiros-virtuais.html#comments

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

As notícias que sabemos e as que não

Por Mr X

Lembram do acidente aéreo em Katyn, que matou toda a cúpula do governo polonês, justamente no aniversário do massacre soviético? Pois agora certas notícias indicam que os russos não estariam colaborando com as investigações -- ao contrário, estariam atrasando tudo e talvez tentando ocultar certos fatos.

O que aconteceu afinal? Não sabemos e talvez nunca saibamos. Como dizia Churchill, a Rússia é uma charada envolta em mistério dentro de um enigma.

Isso me faz pensar sobre todos os eventos sobre os quais nada sabemos. Não é preciso ser um louco ou um teórico da conspiração para desconfiar das notícias que saem no jornal. É natural que estas atendam a certos interesses, e que os jornalistas são em sua grande maioria bocós que nada mais fazem do que reproduzir parcialmente os eventos sob a ótica da moda, que hoje é o progressismo politicamente correto. É ingenuidade acreditar em tudo o que se lê no jornal.

Ao mesmo tempo, os sites de teorias da conspiração tampouco são confiáveis, e portanto ficamos num limbo, sem poder acreditar no que lemos na Grande Mídia mas tampouco sem ter respostas alternativas verificáveis. Corremos o risco de querer usar um tin foil hat e passar a acreditar em teorias conspiratórias sobre planos para destruir a humanidade com o "vírus da gripe suína", que na realidade sumiu das notícias e matou menos do que uma gripe comum.

Lembram do terrorista líbio acusado do ataque de Lockerbie, solto pelas autoridades por "piedade", já que estava com câncer e "morreria em três meses"? Já faz mais de um ano, e ele não só ainda está vivo como os médicos garantem que deve viver mais de uma década (se o Mossad não o pegar); é possível que nem mesmo tenha câncer. A explicação agora é que teria havido um acordo do governo britânico e da British Petroleum com a Líbia para a exploração de petróleo no país árabe, e uma das condições dos líbios era a liberdade do seu "herói". Conspiração ou realidade?

As teorias da conspiração surgem quando temos pouca informação a respeito de certos assuntos, ou quando a informação oficial contradiz os fatos visíveis. Por exemplo, há muitas teorias de conspiração sobre Obama -- mas qual a razão? Obama jamais revelou grande parte da documentação sobre sua vida, dando margem a todo tipo de especulação. Quem chega a questionar alguns desses mistérios é acusado de "birther" ou paranóico, mas quem gerou o mistério foi o próprio Obama e seus amigos ao não divulgar a informação. A mídia chama de loucos ou ignorantes os 20% de americanos que acreditam que Obama seja muçulmano (apenas 34% acreditam que seja cristão, na sua posse eram 43%). Mas comparem o que ele fala sobre o Islã e o que ele fala sobre o Cristianismo, e vejam se parece um cristão falando.

No Brasil, a promíscua relação entre PT, Farc, Cuba e demais comunistas do continente latinoamericano também dá margem a supostas "teorias da conspiração", mas na verdade os fatos indicam que realmente há uma grande coordenação da esquerda a nível continental, e a presença de Zelaya no mais recente encontro do Foro de São Paulo é apenas a última prova. Quando é que uma conspiração torna-se verdade, quando sai no jornal?

Voltando ao acidente na Polônia, o que sabemos é que a causa oficial é de falha do piloto causada pela neblina. A transcrição oficial do diálogo dos pilotos parece confirmar o problema. No entanto, um avião repleto de jornalistas teria pousado no mesmo aeroporto apenas 40 minutos antes sem problemas. Um estranho vídeo amador supostamente realizado minutos após o acidente parece mostrar uma execução de sobreviventes. Para falar a verdade, parece-me fake. Achei o vídeo confuso e não consegui ver nada claramente, mas os tiros podem ser ouvidos. Há rumores de que o autor do vídeo teria sido assassinado a facadas dias depois.

O vídeo é fake ou real? Foi mesmo assassinado seu autor? O que realmente aconteceu no dia 10 de abril de 2010?

Não sabemos. Nunca saberemos. Chamem os agentes Mulder e Scully. Ou pelo menos a Scully.

Texto retirado do Blog do Mr X: http://blogdomrx.blogspot.com/2010/08/as-noticias-que-sabemos-e-as-que-nao.html

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

CineCufa e as FARC

Por Mr MacColin

Que surpresa a minha ao visitar o CCBB* hoje, e descobrir que tinha chegado pontualmente para a abertura do CineCufa 2010! A fila já estava se formando para a primeira sessão e pude perceber que os espectadores eram "meio" underground, no estilo funkeiro intelectual leninista. Desatualizado como sou, acerca dos assuntos da minha classe social adversária - a classe pobre* - procurei a programação do evento a fim de descobrir o metiê desta tal de Cufa. Qual a minha surpresa quando descubro que Cufa é a CUT dos favelados (Central Única das Favelas). Isso mesmo, eles se autodenominam favelados mas nos impõem o título de comunidade ao invés de favela.

Assimilada a informação implícita no termo politicamente correto COMUNIDADE*, iniciei minha leitura do pequeno livro-programação. Nem bem cheguei no terceiro texto de apresentação do evento e deparo-me com o maior disparate imaginável: a absolvição de guerrilheiros das FARC impresso com todas as letras. O texto faz referência a uma novela boliviana que foi produzida pela ONG Shine-a-Light, a qual é defensora dos desfavorecidos. Transcreverei todo o trecho por ser deveras absurdo.

"A novela é produzida pela Ong (sic) Shine-a-Light, coordenado por Kurt Shaw, uma instituição internacional que atende em diferentes países da América Latina a diversos grupos mais desfavorecidos, como os indígenas, crianças de periferias, EX-GUERRILHEIROS COLOMBIANOS, entre tantos outros."

Acessando o site desta ONG, pude ver o resumão sobre a "conjuntura colombiana" feito pelos altruistas bem feitores shinalightianos. Eles consideram, desavergonhadamente, que existem cinco tipos de "actores violentos" na Colômbia, quais sejam, o Exército Colombiano, as FARC, o ELN, os traficantes de drogas e "as autodefensas (guerrilhas de direita)". E vão mais além quando afirmam que o governo colombiano tem interesse na manutenção da guerra por que "o governo norte-americano dá muito dinheiro enquanto o conflito durar".

Caros leitores, este ainda não é o fim do buraco. Como dizem e eu volto a afirmar, eu vou morrer e não terei visto de tudo. Por enquanto, fico estupefato pela audácia de alguns favelados, patrocinados pelo nosso dinheiro, imprimirem tal afronta ao povo honesto da Colômbia e àqueles que lutam pela pacificação de seu país. Mas em breve, isto pode não mais me assustar, pois há de aparecer algo ainda mais cabeludo. E todos sabemos que o tio Karl, e os sobrinhos Fidel e Guevara eram bem cabeludos...


*
CCBB do Rio - Centro Cultural do Banco do Brasil
COMUNIDADE = favelados + favela - eu = fui expulso da comunidade, devo ser um selvagem ou um apátrida.
CLASSE POBRE de educação, de caráter, de boas intenções, mas nem sempre de dinheiro.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A TV do trabalhador, a liberdade de imprensa e outras notícias

Por Mr MacColin

Na última segunda-feira foi lançado o mais novo canal de televisão brasileiro, a TVT (TV do Trabalhador). A nova emissora foi outorgada ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, e se diz ser uma emissora educativa. No lançamento, Lula declarou que a imprensa nacional tem "plena liberdade de publicar o que bem entender", no entanto não citou os itens do PNDH-3 que preveem o "controle social" das notícias. Provavelmente, ele quis dizer que no presente momento ainda há liberdade de publicação do que bem se entender.

Afirmou também, o ainda-presidente, que o objetivo da TVT é "informar o povo com mais isenção" e completou dizendo que o governo quer é "informar o povo com mais isenção do que até agora ele está sendo informado". Com esta declaração Lula deixa claro qual é a função do PNDH-3: obrigar a imprensa a ter mais isenção, coisa que com liberdade de expressão não existe...

Outro participante do lançamento a discursar foi Artur Henrique, presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Disse ele que a criação da TVT é uma vitória sobre o preconceito e desejou que se vencesse mais um preconceito, o de eleger uma mulher para presidente, no caso, Dilma Roussef. O presidente da CUT (entidade ligada ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista e ao PT) esqueceu de citar as palavras do diretor de comunicação do Sindicato, Valter Sanches: "Queremos ser um canal de amplificação da voz dos movimentos sociais". Isto seria a cereja sobre o túmulo da imprensa nacional. Esqueceu-se também que os movimentos sociais defendidos pelo sindicato são os mesmos defendidos pela CUT e pelo PT, e que por consequência, deixa de ser um sindicato isento. Como pode um canal isento ser ligado aos interesses do trabalhadores petistas?

E afinal de contas, o que o Lula quer dizer com isenção no jornalismo? Isenção de quê, de opinião?

Outro acontecimento ainda sobre o mesmo assunto (liberdade de imprensa) foi a conclusão do Congresso Brasileiro de Jornais (CBJ) na última sexta-feira. Neste congresso, foi proposta a criação de um conselho de autorregulamentação para os veículos associados à ANJ (Associação Nacional de Jornais). Poucos foram os audazes que se postaram contra a traição investida contra si mesmos, e quando o fizeram foi para dizer que seria dificil redigir um código de ética que abranja tamanha diversidade de jornais (140 jornais). O que não ousaram dizer é que o conselho seria o adiantamento da derrota perante o PNDH-3, seria como hastear a bandeira branca e assumir a possibilidade de controle social sobre os meios de comunicação.

De minha parte fica a impressão de que a imprensa nacional crê firmemente que a criação de um conselhozinho será dissuasão suficiente para esmorecer os esforços totalitaristas do PT. Fico surpreso ante os últimos suspiros de liberdade de informação neste país.

Por último, deixo duas notícias rapidinhas, que se não fossem preocupantes, teriam o mesmo teor humorístico das "pegadinhas" de algum malandro.

1) Dilma faltou o debate realizado na noite de segunda-feira (dia 23) na TV Canção Nova por "problemas de agenda", segundo seus acessores. O candidato José Serra, a acusou de ter medo de enfrentar um público católico e ter que responder sobre a defesa do aborto , de sua ligação com grupos armados (como VAL-Palmares) e com o narcotráfico. Já Plinio Arruda Sampaio descobriu que Dilma tinha acabado de "tuitar" durante o debate, dizendo que estava assistindo um show do Pato Fu. Pausa para risos.

2) Michel Temer declarou ser a favor de um referendo para aprovação de revisão da Constituição. Afirmou também que isto seria a maior prova de democracia direta. Não disse no entanto, que o plebiscito fosse feito para votar, uma a uma, as mudanças na Constituição. Segundo ele, caberá ao Congresso decidir quais serão as mudanças. Como pode dizer então que isto é democracia direta? Pausa para ir ao banheiro (vomitar).

Fonte de consulta:

http://g1.globo.com/politica/noticia/2010/08/imprensa-tem-liberdade-de-publicar-o-que-bem-entender-diz-lula.html

http://www.cut.org.br/

http://www.tvt.org.br/portal/conteudo_site.php?id_con=1

http://www.pt-sp.org.br/noticia.asp?p=Secretarias%20do%20PT&acao=verNoticia&id=1463

http://www.valoronline.com.br/?online/empresas/11/6446781/autorregulamentacao-de-jornais-volta-a-ser-foco-de-debate-no-cbj&scrollX=0&scrollY=170&tamFonte=

http://cbj.anj.org.br/

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,serra-ausencia-de-dilma-em-debate-e-manipulacao,599504,0.htm

http://oglobo.globo.com/economia/mat/2010/08/24/temer-defende-referendo-sobre-revisao-constitucional-917463893.asp

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Já imaginou a zona que o PT faria se no governo do FHC...

O texto que posto aqui foi extraído dos comentários do artigo intitulado Zézinho miliciano: jornalista mercenário. A autoria do texto abaixo é de Luiz Gonzaga.

Já imaginou a zona que o PT faria se no governo do FHC...A epidemia de dengue fosse incontrolável como agora?


E a febre aftosa?

E a febre amarela?

Se faltasse gás?

Se os lucros dos bancos fossem tão vultosos como agora?

Se houvesse tantos acidentes aéreos?

Se houvesse o caos aéreo?

Se o FHC se rebaixasse para o ditador Chaves e para Cocaleiro Morales?

Se o FHC entregasse de mão beijada para o facínora do Fidel Castro um bilhão de reais do dinheiro pago pelos contribuintes? Isso pra dar uma mãozinha para aquele país, enquanto no nosso não tem dinheiro pra melhorar saúde, educação, moradia, etc, etc, etc.....

Se a mulher de FHC pedisse e obtivesse cidadania estrangeira só para manipular contas bancárias no país escolhido de forma secreta e protegida?

Se o FHC comprasse um avião tão luxuoso?

Se todos os "amigos" do FHC fossem corruptos?

Se o FHC "perdoasse" a dívida de tantos "amiguinhos"?

Se o FHC tivesse um filhinho tão espertinho?

Se as despesas do palácio aumentassem tanto?

Se alguma ministra de FHC nos mandasse relaxar e gozar?

Se a primeira dama não fizesse porra nenhuma mas tivesse cartão de crédito ilimitado?

Se o FHC aparelhasse o estado com milhares de empregos para os "companheiro"?

Se algum aspone do presidente nos mandasse tomar no ... quando caísse algum avião?

Se o FHC declarasse sempre que não sabia de nada?

Se o FHC fosse amiguinho do presidente mais corrupto que o senado já teve?

Se o leite contivesse soda cáustica?

Se algum ministro do FHC declarasse que soda cáustica no leite não faz nenhum mal?

O que o PT diria? Onde anda o PT?
Afinal... Quem sabe faz a hora, não espera acontecer...
Petista é como pardal:
"Tem em todo lugar, não serve pra nada, é feio, não canta e ainda caga no país inteiro".

EU NÃO VOTEI NO "CARA",
JAMAIS VOTAREI NA "COROA".

Texto retirado do blog Nas Veredas do Vereza:
http://carlosverezablog.blogspot.com/2010/08/zezinho-miliciano-jornalista-mercenario.html#comments

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

"Responsabilidade social", ecofarsas e doutrinação ideológica

Por Edson Camargo

Chego atrasado na aula. Sento-me, e, ante a fala da professora Susie Pontarolli, em poucos segundos sou levado a ser brutalmente honesto comigo mesmo e com meus colegas e me manifesto, não sem antes pensar: "há um só lado da questão sendo apresentado, e é direito assegurado na Constituição o ensino imparcial, com o máximo de perspectivas acerca do assunto sendo apresentados em sala de aula". O que era, para mim, para lá de previsível, dado o próprio nome da disciplina numa pós-graduação voltada a Business Education: "Responsabilidade Social e Imagem Corporativa".

Sim, previsível porque o pressuposto, a base de toda essa conversa de "Responsabilidade Social" é que a existência e a atuação das empresas não se legitimam pelo simples fato de elas gerarem renda e empregos, prestarem serviços, oferecerem opções de produtos e pagarem altos impostos ao governo. Para os entusiastas da "responsabilidade social", tudo isso não é o suficiente: a empresa deve se enquadrar nas exigências de ONG's que não geram nada disso, e aí, estão com os bolsos cheios de dinheiro, apontando o dedo e dando lições de moral para um empresariado cada vez mais acuado psicologicamente, que para não ser tachado de politicamente incorreto, acaba por cair na chantagem psicológica desses auto-proclamados descobridores e detentores da fórmula para um "outro mundo possível", no entender deles, "mais justo" e "sustentável".

Voltemos à aula da ativista Susie Pontarolli. Sim, ativista, pois quando expus à turma que eram óbvios os fatores que levaram o Instituto Ethos a ser considerado pelas Nações Unidas e outras dessas "lideranças globais" (que nunca receberam votos de nenhum cidadão do planeta) como um "caso de sucesso" e ter "um alto índice de respeito", ela disse: "me inclua nessa". E quem é "essa"? Bem, o Instituto Ethos foi idelizado por ninguém menos que o militante socialista e cumpincha do PT Oded Grajew. Sim, Grajew, a mesma figura nefanda que fundou o maior encontro global de entusiastas dos governos de Hugo Chávez, Fidel Castro, maconheiros, eco-fascistas, abortistas, gayzistas e congêneres: o Fórum Social Mundial.

Para quem não sabe, o Fórum Social Mundial é financiado por duas das mais influentes fundações multimilionárias junto à ONU e grupos globalistas: as fundações Ford e Rockefeller. Portanto, infere-se o elementar: o prestígio de Grajew se dá pelo fato de que quem lhe atribui relevância recebe grana, influência e meios para ação das mesmas fontes, pois os vínculos entre tais fundações, ONU e outros componentes da máfia globalista estão muito bem documentados. Ainda assim, se você falar, nessa bolha de desinformação chamada Brasil, que há uma rede global a fim de redesenhar as estruturas institucionais e políticas do planeta de acordo com suas fixações ideológicas, logo vem um bobalhão desinformado te dizer: "ah, isso é 'teoria da conspiração". E as aulas das milhares de Susies Pontarollis espalhadas mundo a fora serão tidas como isentas, imparciais e equilibradas.

Tão "equilibrada" era sua aula que, se não fosse eu lembrar de fatos como a Petição do Oregon, na qual mais de 17 mil cientistas manifestaram-se contrários ao alarmismo eco-fascista, e de declarações de cientistas como Claude Allegre e Paul Crutzen, todas as previsões que ela apresentava, mostrando dados da ONG WWF, seriam encaradas como incontestáveis. Falei, mesmo não dominando por completo o assunto, da mera impossibilidade metodológica para se fazer cálculos como fez o Clube de Roma na década de 70, cujos relatórios apontavam para as duas décadas seguintes o esgotamento total de vários recursos naturais do planeta. Eu disse que eles quebraram a cara, e que os globalistas fizeram um novo reagendamento. Termo que ela mesma repetiu, com cara de "como-é-que-esse-cara-sabe?": "sim, reagendamento". Prossegui falando dos estudos de Pascal Bernardin e do atual presidente da República Tcheca, Václav Klaus, incisivos ao afirmar a sanha totalitária e comunista dos "verdes". Esqueci-me, infelizmente, de citar Mikhail Gorbachev, fundador da Cruz Verde internacional, que confessou ser a ecologia a nova estratégia socialista, com todas as letras. Quando o assunto foi o alicerce epistemológico das teses dos climatólogos e dos alarmistas, instaurou-se a confusão. Como a maior parte dos alunos nem sequer sabe (e o pior, nem quer saber) o que é epistemologia, afirmei que, sem esse debate prévio, a aula estaria reduzida à mera propaganda de um dos lados de uma questão polêmica.

Susie Pontarolli teve de recuar, dizendo que apresentava apenas uma perspectiva do assunto. "Vamos ver, de acordo com esse enfoque, a WWF blá blá blá..." Mas logo retornava a afirmar como verdade cabal todos aqueles dados. Não sem papagaiar um dos clichês mais engraçados vindos das bocas "verdes": que, por dia, mais de 100 espécies de animais são extintas, na maior parte, espécies nunca catalogadas. Aí eu perguntei: - professora como é que se contabiliza o que não se conhece?Alguns riram, e após citar o absurdo, ela logo buscou alicerce na lógica mais basilar: "o fato é que os recursos são finitos". Polido, segurei um "ah, não brinca!"

No restante da aula, loas a Betinho, a WWF e à tese da tal "pegada ecológica", que a própria professora assumiu que não entendeu a fundo, videozinho com depoimento e mais elogios rasgados a Grajew e ao Instituto Ethos, fora dar por inquestionável a credibilidade da ONU. Na apostila, só aquele consenso entre impostores como Leonardo Boff, James Lovelock, Fritjof Capra, etc.

Nada de contrapontos, nada de críticas, e quando apresentei algo nesse sentido, "fiquei travando a aula" como me disse um colega no intervalo. Mas propaganda não é aula, nunca foi. E dentro da sala de aula, é ilegal.


Texto retirado do site http://www.midiasemmascara.org/: http://www.midiasemmascara.org/artigos/educacao/7614-qresponsabilidade-socialq-ecofarsas-e-doutrinacao-ideologica.html

O que há por trás do golpe no TCU?

Por Klauber Cristofen Pires

Em um breve interregno vem a lume por amplíssima maioria e alarde uma lei chamada de "ficha-limpa", seguida depois por uma lei de diretrizes orçamentárias cuja principal característica é marcada pela blindagem de empresas públicas e de obras quanto à aplicação da lei de licitações e principalmente, da fiscalização do TCU. Paradoxo? Apenas aparentemente...

Já comentei sobre esta empulhação que é a lei da ficha-limpa, cujo resultado já estão aí para todos verem: uma espécie de dumping eleitoral: o que separa hoje um candidato "limpo" de um"sujo" é a sua capacidade de denunciar e de se safar de denúncias e de condenações. Absolutamente ninguém do mensalão foi "fichado". No fim das contas, como tenho lido, esta lei não terá vida longa, eis que vem sendo questionada quanto à sua constitucionalidade, com o que concordo plenamente (Embora eu não concorde com um sistema processual extremamente lento, em que abundam as fórmulas de exceção e procrastinação, e por que não dizer, sim, corrupto).

Passo então a comentar sobre as mudanças polêmicas concretizadas por meio da lei de Diretrizes Orçamentárias.

Não discordo que a nossa prolixa legislação de licitações constitua um verdadeiro estorvo para a boa administração pública. Pelo contrário, e explico isto logo adiante. Todavia, aponto o oportunismo de se legislar casuisticamente para os casos de interesse eleitoral do Sr Lula e de seu partido, e aí é de se apontar o desvio de finalidade atentatório do princípio constitucional da moralidade pública e potencialmente danoso ao patrimônio público, sendo daí duplamente decorrente a possibilidade de impetração de uma Ação Popular por expressa autorização do art. 5º, LXXIII - "qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;"

Qual o caso com a lei de licitações? Trata-se de uma longa história...

Qualquer licitação pública é necessariamente caracterizada pelo rigor formal. Isto porque os atos devem ser praticados segundo o rito, no momento certo, e de acordo com os requisitos previstos na legislação e no edital. Aqui estou falando de qualquer lei de licitações em qualquer lugar do mundo, segundo as características inerentes a ela. Por exemplo, se no envelope da proposta de uma concorrência vier anexado, mesmo que por engano, algum documento de identificação da empresa candidata, aquela proposta estará irremediavelmente desclassificada, e se a comissão houver por aceitá-la, todo o procedimento licitatório tornar-se-á nulo. Outro exemplo: se um dos envelopes tiver sido aberto antes da abertura do certame, todo o ato de abertura dos envelopes estará viciado, devendo ser anulado e marcada outra data, em que os candidatos apresentarão novas propostas.

Em regra estes eventos são extremamente tensos. Nos certames presenciais, os candidatos fiscalizam-se uns aos outros para buscar falhas nas propostas dos demais. Qualquer mínimo erro pode causar a anulação de um procedimento que levou meses de preparação.

Assim sendo, um procedimento já por si deveras complexo e formal deveria ver respeitada a sua incolumidade quanto à sua finalidade precípua. Entretanto, com o progressivo agigantamento do estado, à legislação licitatória foram sendo enxertadas várias outras políticas de estado, entre as quais as fiscais, trabalhistas, previdenciárias, sociais e de intervenção no domínio econômico, de tal forma que o procedimento licitatório tornou-se um imbróglio mais que temerário para os administradores, comissões e pregoeiros.

Por primeiro, a Lei nº 8.6666/93 instituiu a exigência inconstitucional de regularidade fiscal, no que foi seguida depois pela ainda mais inconstitucional exigência de inscrição no SICAF como requisito de participação em licitações (mais tarde o TCU houve por decidir pela extinção da obrigatoriedade de cadastramento no SICAF, embora mantida a obrigatoriedade de apresentação das respectivas Certidões Negativas de Débito da Receita Federal e Dívida Ativa (hoje integradas), FGTS, INSS, balanço, e os tributos estaduais e municipais).

Em 1995, foi promulgada a Lei 9032/1995, que modificou a redação do §2º do art. 71 da Lei 8.666/93, para responsabilizar solidariamente a Administração Pública por débitos previdenciários das empresas com quem mantém contratos, nos seguintes termos: "A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos". Tal gravame legal tornava especialmente severa a aplicação do art. 41 da Lei 8212/91, o qual responsabilizava pessoalmente os administradores pelas multas decorrentes da sua inobservância, em franca contramão ao princípio de Direito Administrativo da impessoalidade, da responsabilidade objetiva do estado e da ação regressiva, que felizmente veio a ser revogada pelo art. 79, I, da Lei 11.941/2009.

Com Lei Nº 9.854/1999, as empresas passaram a ser obrigadas a declarar junto com as suas propostas que não empregam menores, salvo da condição de aprendiz. Posteriormente, veio ao mundo jurídico a bizarra e também inconstitucional Lei Complementar nº 123/2006, que estabeleceu privilégios para micros e pequenas empresas, com certames exclusivos e regras de prioridade de desempate em pregões. Aqui registro a inconformidade emocionada de diversos participantes que me ligavam por ocasião dos certames em que atuei como pregoeiro para protestar por terem sido preteridos por microempresas quando haviam se consagrado como vencedores nos lances. Trata-se de uma situação muito humilhante, constrangedora e injusta.

Como se a licitação pública já não estivesse com as bruxas soltas o suficiente, veio o Tribunal Superior do Trabalho, e mesmo contra expressa previsão contida no §1º do art. 71 da Lei 8.666/93, a isentar a Administração pública dos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais de suas empresas contratadas, estabeleceu por meio do Enunciado 331[i] (Resolução 96/2000) que qualquer pessoa que contratar uma empresa para fazer uma obra, ou para lhe prestar serviços tais como o de vigilância, limpeza e conservação, há de se tornar responsável subsidiária pelos créditos trabalhistas dos empregados destas empresas, de acordo com a seguinte redação: "IV - O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993). (Alterado pela Res. 96/2000, DJ 18.09.2000)".

A disposição acima entornou o caldo, de tal forma que hoje circula uma instrução normativa editada pelo Ministério do Planejamento no sentido de obrigarem os fiscais de contratos a reterem estas parcelas em contas separadas, para então efetuarem diretamente o pagamento aos empregados das empresas de obras e de terceirização contratadas. Em outras palavras, o estado transferiu os setores financeiros, de RH e de contabilidade das empresas para dentro de suas próprias repartições. Na prática, contratar tornou-se um procedimento quase inviável e de todo modo, um risco extremo para os servidores públicos envolvidos. Afinal, quem há de adivinhar o que venha sair de um julgamento pela justiça trabalhista?

Por tudo isto, é sustentável a tese de que muitos projetos têm sido atrasados por puro desinteresse dos servidores públicos em efetivá-los, temerosos de serem responsabilizados. Quando não, tantas exigências burocráticas acarretam em escala geométrica o abarrotamento dos processos licitatórios com impugnações e recursos administrativos e judiciais.

Com a explicação acima, fica mais claro que o governo Lula buscou livrar-se de tantas amarras, muitas das quais ajudou a dar os nós, especialmente para tocar as obras que lhe interessam e livrar as empresas públicas sobre as quais pesam suspeitas contundentes de malversações de recursos públicos da fiscalização do TCU. Dois coelhos para uma só tacada.

Assim como fiz a comparação lá no primeiro parágrafo, a lei da ficha limpa veio para dar um jeitinho de se subtrair ao caótico sistema processual penal, e é nisto que sou contra, eis que ninguém pode ser considerado culpado senão em trânsito em julgado de última instância, segundo o art 5º da nossa Constituição. Se temos algo errado aqui, vamos consertar, que é o moroso processo judicial favorecedor da impunidade. Pois, exatamente o mesmo se passa agora com a lei de licitações. Se mais parece uma obra surrealista, que o governo conclame o Congresso e ambos trabalhem por uma legislação que torne as licitações céleres, justas e desburocratizadas.

Por fim, outro fato também precisa ser comentado. Em toda a minha vida como servidor público, sempre deparei-me com colegas de profissão com ares de sabichões, muitos deles com um botão da estrela vermelha pregados em seus paletós, a receitarem as maravilhas do planejamento como solução para tudo. Pois, até hoje o governo federal não possui um sistema de planejamento integrado com um sistema de previsão orçamentária satisfatórios. Para uma licitação ter sucesso, a fase mais complicada e que demanda mais pesquisa é justamente o da explicitação do objeto e o da previsão orçamentária, tarefas que ficaram para os últimos minutos do segundo tempo, para usar uma linguagem reconhecível pelo Supremo Apedeuta. Não surpreende, portanto, que, atrasada a fase de execução, tenha buscado cortar caminho por amputar a lei de licitações e as prerrogativas do Controle Externo.

Texto retirado do site http://www.libertatum.blogspot.com/

Que sirva de exemplo, Mano!

Por Mr MacColin

É findada mais uma Copa do Mundo e o que nos resta dos espólios é a manutenção do título de maior campeão estatístico da competição. Fechando atrás de si as portas do limbo do esquecimento estão as vuvuzelas silenciadas, o polvo aposentado (ou degustado) e o vilão do embate “Globo versus Dunga” derrotado e demitido. Mas a vitoriosa emissora televisiva não está satisfeita com o resultado do confronto.

Como quem bate em cachorro morto, a Globo ainda sustenta os ataques contra o ex-treinador da seleção brasileira com a mesma disposição inicial. Não satisfeita com a demissão pela CBF, a emissora usa todo aparato midiático de doutrinação esportiva para incutir nas mentes torcedoras o elevado grau de vileza do ex-treinador. Em qualquer programa esportivo, tanto dos canais pagos como do canal aberto, são vistas críticas das mais variadas, incluídas a força até em reportagens que não teem relação alguma com a Copa. O que querem concluir com este ataque maciço a quem não pode se defender?

As conclusões possíveis são diferentes segundo o referencial considerado. Para o telespectador, a conclusão deve ser de que Dunga foi extremamente rude por não deixar a Globo entrar na concentração para entrevistar os jogadores e filmar as táticas treinadas para cada jogo. Dunga também foi rude por não ter escalado os jogadores que os comentaristas da emissora escolheram; foi mal educado por não ter fingido que não viu a hostilidade dos entrevistadores globais; foi um bronco por ter ficado irritado com as mesmas perguntas imbecis de sempre; e por fim, foi um tremendo grosseiro por não ter revelado os segredos táticos de cada partida.

Já para os próximos treinadores da seleção brasileira, fica a conclusão de que a voz da Globo é a voz do povo, e tudo o que ela quiser deverá ser atendido prontamente. Caso negativo, caberá ao futuro ex-técnico arcar com a difamação e humilhação a serem propagadas diariamente na TV, inclusive em programas de culinária. O treinador rebelde será responsabilizado por qualquer ato falho dos juízes, pela falta de caráter de alguns jogadores, pela falta de boas opções para a escalação, pela agressividade de seus oponentes, e quem sabe até pelas gafes de moda que vier a cometer.

O novo técnico parece ter compreendido o recado global e já escalou a “seleção dos sonhos” do povo, recheada de craques promissores. Prometem muito para o futuro: contratos milionários, separações milionárias, festas milionárias, carros milionários, envolvimento com times poderosos, com drogas, com prostitutas, com crianças, com travestis, dribles fantásticos, dribles que não levam a lugar algum, e tantas outras coisas que não se via há tanto tempo. E para demonstrar submissão a quem realmente manda, os novos jogadores escalados enviaram uma camisa autografada por todos para o representante do senso crítico nacional, Alex Escobar.

Enquanto isso, o ex-técnico sentenciado ao apedrejamento midiático, segue sendo punido a título de exemplo aos outros técnicos. Em breve deverá ser alijado também no limbo do esquecimento junto com o polvo e as vuvuzelas, transformado de ex-craque em ex-croque.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Serra: a oposição fraca

Por Mr MacColin

Como ainda há muito o que dizer sobre a candidatura de José Serra, vou complementar o último post relacionando os trechos do texto das propostas de governo deste candidato que se configuram em ataques tímidos ao PT. Como disse no artigo anterior, o mais decepcionante das propostas de José Serra não é seu esquerdismo mal disfarçado, nem suas incoerências políticas, nem sua falta de objetividade e clareza, mas a ausência de combatividade, garra, audácia e tantos outros atributos correlacionados. Nos trechos a seguir fica exposta esta falta de fibra do candidato:

Sobre as conquistas dos últimos 25 anos:


“Não foram conquistas de um só homem ou de um só Governo, muito menos de um único partido. Todas são resultado de 25 anos de estabilidade democrática, luta e trabalho.”

Sobre o apoio do PT ao MST, CUT, etc:

“O governo deve servir ao povo, não a partidos e a corporações que não representam o interesse público. Um governo deve sempre procurar unir a nação. De mim, ninguém deve esperar que estimule disputas de pobres contra ricos, ou de ricos contra pobres.”

Sobre sua decisão de não defender a pátria dos ataques comunistas:

“Ninguém deve esperar que joguemos o governo contra a oposição, porque não o faremos. Jamais rotularemos os adversários como inimigos da pátria ou do povo. Em meio século de militância política nunca fiz isso. E não vou fazer.”

Sobre o orgulho de Lula por ser iletrado e presidente:

“No país com que sonho para os meus netos, o melhor caminho para o sucesso e a prosperidade será a matrícula numa boa escola, e não a carteirinha de um partido político.”

“Venho de uma família pobre. Vim de baixo. Sempre falei pouco disso, e nunca com o objetivo de legitimar meus atos ou de inflar o mérito eventual dos meus progressos pessoais ou de minhas ações como político.”

Sobre o apoio do PT à Cuba:

“Para mim, direitos humanos não são negociáveis. Não cultivemos ilusões: democracias não têm gente encarcerada ou condenada à forca por pensar diferente de quem está no governo. Democracias não têm operários morrendo por greve de fome quando discordam do regime.”

Sobre a grande máquina dominada pelo PT, pelo clientelismo e pelo corporativismo:

“O Brasil não tem dono. O Brasil pertence aos brasileiros que trabalham; aos brasileiros que estudam; aos brasileiros que querem subir na vida; aos brasileiros que acreditam no esforço; aos brasileiros que não se deixam corromper; aos brasileiros que não toleram os malfeitos; aos brasileiros que não dispõem de uma “boquinha”; aos brasileiros que exigem ética na vida pública porque são decentes; aos brasileiros que não contam com um partido ou com alguma maracutaia para subir na vida.”

“Acredito que a oposição deve ser considerada como competidora, adversária, e não como inimiga da pátria. E, num regime democrático, jamais deve ser intimidada e sofrer tentativa de aniquilação pelo uso maciço do aparelho e das finanças do Estado.”

“Acredito no Congresso Nacional como a principal arena do debate e do entendimento político, da negociação responsável sobre as novas leis, e não como arena de mensalões, compra de votos e de silêncios.”

“Eu acredito nos servidores públicos e nos técnicos e trabalhadores de empresas estatais, que são vítimas do loteamento político, de chefias nomeadas por partidos ou frações de partidos, por motivos pouco confessáveis, males esses que chegaram até às agências reguladoras.”

“Vamos valorizar o talento, a honestidade e o patriotismo em vez de indagar a filiação partidária.”

Sobre a Confecom (censura a imprensa) e a hostilidade anti-direita:

“Acredito na liberdade de imprensa, que não deve ser intimidada, pressionada pelo governo, ou patrulhada por partidos e movimentos organizados que só representam a si próprios, financiados pelo aparelho estatal. Não aceito patrulha de idéias -- nem azul, nem vermelha.”

Sobre os sindicatos:

“Organizações pelegas e sustentadas com dinheiro público devem ser vistas como de fato são: anomalias.”

Sobre “O” cara:

“O tempo dos chefes de governo que acreditavam personificar o Estado ficou pra trás há mais de 300 anos. Luis XIV achava que o estado era ele. Nas democracias e no Brasil, não há lugar para luíses assim.”

Sobre o apoio de Lula aos irmãos Castro, à Chavez, à Lugo, à Morales, etc.:

“Não devemos elogiar continuamente ditadores em todos os cantos do planeta, só porque são aliados eventuais do partido de governo. Não concordo com a repressão violenta das idéias, a tortura, o encarceramento por ideologia, o esmagamento de quem pensa diferente.”

Sobre os ataques de Lula ao TCU e à Justiça:

“E prezo as instituições que controlam o Poder Executivo, como os Tribunais de Contas e o Ministério Público, que nunca vão ser aprimoradas por ataques sistemáticos de governos que, na verdade, não querem ser controlados.”

Sobre a militância petista:

“Não tenho esquemas, não tenho máquinas oficiais, não tenho patotas corporativas, não tenho padrinhos, não tenho esquadrões de militantes pagos com dinheiro público.”

Sobre a experiência de Dilma:

“Não comecei ontem e não caí de pára-quedas. Apresentei-me ao povo brasileiro, fui votado, exerci cargos, me submeti ao julgamento da população, fui aprovado e votado de novo.”

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Propostas de José Serra: oposição de araque

Por Mr MacColin

Decepcionante é o resumo das minhas impressões sobre as propostas do candidato José Serra. Pode-se dizer que para um economista, com a experiência política tão ampla como a do candidato, era de se esperar um estudo objetivo, bem fundado teoricamente e, minimamente, fruto de uma análise das contas públicas nacionais. Mas não. O texto das propostas é constituído por dois discursos de José Serra, carregados de sentimentos, biografia e críticas mornas ao governo petista (todas indiretas e sem o endereço certo). O primeiro discurso transcrito foi originalmente realizado no Encontro Nacional dos Partidos PSDB, DEM e PPS, em 10 de abril de 2010. O segundo foi realizado na Convenção Nacional do PSDB, em Salvador, em 12 de junho de 2010.

Assim como o post sobre as propostas de desgoverno de Dilma Roussef, colocarei aqui os principais pontos do plano de governo de José Serra e sua declaração patrimonial ao TSE (devido à falta de objetividade do texto original, separei os trechos por assunto para facilitar a leitura):

Gastos públicos:


  • Temos de afastar-nos de três recordes internacionais que em nada nos ajudam a satisfazer nossas necessidades e preencher nossas esperanças: o Brasil hoje tem uma taxa de investimento governamental das menores do mundo, a maior taxa de juros reais do mundo e a maior carga tributária de todo o mundo em desenvolvimento.


  • Na economia, meu compromisso é fazer o Brasil crescer mais e mais rapidamente. Vamos abrir um grande canteiro de obras pelo Brasil inteiro, como fizemos em São Paulo. Estradas, portos, aeroportos, trens urbanos, metrôs, as mais variadas carências na infra-estrutura serão enfrentadas sem os empecilhos das ideologias que nos impedem de dotar o Brasil das do capital social básico necessário. É a falta de infra-estrutura que cria gargalos para o crescimento futuro e ameaça acelerar a inflação no presente.


  • Vamos gerar mais empregos. Atividades produtivas e obras públicas que priorizam nossa gente e materiais feitos aqui significam postos de trabalho e renovação do ciclo de criação de riqueza, em vez de facilitarmos a solução problemas sociais no estrangeiro. Vamos estimular a produção e o trabalho.


  • Lembro que os investimentos governamentais no Brasil, como proporção do PIB, ainda são dos mais baixos do mundo em desenvolvimento. Isso compromete ou encarece a produção, as exportações e o comércio.

Crítica ao socialismo:


  • O governo deve servir ao povo, não a partidos e a corporações que não representam o interesse público. Um governo deve sempre procurar unir a nação. De mim, ninguém deve esperar que estimule disputas de pobres contra ricos, ou de ricos contra pobres. Eu quero todos, lado a lado, na solidariedade necessária à construção de um país que seja realmente de todos.

Direitos humanos, FFAA e Segurança Pública:


  • Tenho visto gente criticar o Estado Mínimo, o Estado Omisso. Concordo. Por isso mesmo, se tem área em que o Estado não tem o direito de ser mínimo, de se omitir, é a segurança pública.


  • O Brasil está cada vez maior e mais forte. É uma voz ouvida com respeito e atenção. Vamos usar essa força para defender a autodeterminação dos povos e os direitos humanos, sem vacilações. Eu fui perseguido em dois golpes de estado, tive dois exílios simultâneos, do Brasil e do Chile. Sou sobrevivente do Estádio Nacional de Santiago, onde muitos morreram. Por algum motivo, Deus permitiu que eu saísse de lá com vida. Para mim, direitos humanos não são negociáveis. Não cultivemos ilusões: democracias não têm gente encarcerada ou condenada à forca por pensar diferente de quem está no governo. Democracias não têm operários morrendo por greve de fome quando discordam do regime.


  • Nossa presença no mundo exige que não descuidemos de nossas Forças Armadas e da defesa de nossas fronteiras. O mundo contemporâneo é desafiador. A existência de Forças Armadas treinadas, disciplinadas, respeitadoras da Constituição e das leis foi uma conquista da Nova República. Precisamos mantê-las bem equipadas, para que cumpram suas funções, na dissuasão de ameaças sem ter de recorrer diretamente ao uso da força e na contribuição ao desenvolvimento tecnológico do país.

Bolsa Família e educação:


  • Mas faço questão de explicitar três compromissos com a Educação. O primeiro é dar prioridade à qualidade do ensino, que exige reforçar o aprendizado na sala de aula, começando por colocar dois professores por sala da primeira série do Ensino Fundamental. O segundo, é criar mais de 1 milhão de novas vagas em novas escolas técnicas, com cursos de um ano e meio de duração, de nível médio, por todo o Brasil. O terceiro é multiplicar os cursos de qualificação, mais curtos, para trabalhadores desempregados. Vejam o que fizemos em São Paulo. Vamos fazer muito mais em todos os estados do Brasil. E reforçaremos o Bolsa Família, dando uma ajuda de custo para os jovens cujas famílias dependem desse programa, para que possam se manter enquanto fazem os cursos profissionalizantes.


  • Quando ministro da Saúde, fiz o Bolsa Alimentação e meu colega de ministério, Paulo Renato, fez o Bolsa Escola. Eles foram reunidos pelo Bolsa Família, estiveram na origem deste programa. Nós vamos ampliar e melhorar o Bolsa Família. Mas vamos além. Vamos ampliar a rede de proteção social para cerca de 27 milhões de brasileiros que estão na base da pirâmide.

Não sou a favor do pensamento econômico de José Serra, de linha tão Keynesiana, mas frente à total falta de opção destas eleições à presidência, fico por escolher o “menos pior”. E como todos são de esquerda, considero até o momento o candidato Serra como menos à esquerda (nunca uma opção de direita) e por isso a melhor arma contra a ameaça comunista de Dilma. No entanto, não é o apoio a políticas econômicas expansionistas que mais me decepciona no texto de José Serra. É, antes de tudo, a falta de coragem para denunciar os erros de Lula e do PT com maior afinco. Uma vez usado o argumento contra as falcatruas e armações petistas, este deveria ser corroborado por provas -que são inúmeras e irrefutáveis- e não apenas por referências brandas e genéricas, inteligíveis apenas para quem já conhece o assunto. O medo do candidato de confrontar os supostos 80% de apoio ao Lula serve apenas para enfraquecer suas críticas e propostas de governo. Afinal, quem será convencido por indignações públicas e denúncias sem denunciados? Talvez, já sabendo desta crítica, o candidato tenta justificar sua falta de fibra, afirmando que não irá discutir o governo anterior, e nem “jogará o governo contra a oposição”. Por fim, é este morde-e-assopra, que confere ao texto de Serra a incoerência dos fracos, minha maior decepção no conjunto de propostas vazias do tucano.

Segue abaixo a Declaração de Bens do candidato José Serra:

1. IMÓVEL NO LOTEAMENTO DA FAZENDA CAMPO VERDE, IBIÚNA - SP, CASA DE VERANEIO, SITUADA NO CLUBE ANGICO.
R$61.069,81

2. PARTE DE UMA ÁREA DE 14.365 M², LOCALIZADA EM ATIBAINHA, MUNICÍPIO DE PIRACAIA - SP
R$44.414,25

3. 3 SALAS COMERCIAIS DO ED. PREMIUN TOWER ALTAMURA, SITO NA RUA ARTHUR DE AZEVEDO, Nº 1767, SÃO PAULO-SP
R$240.000,00

4. CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, POUPANÇA 111.590-9
R$3.558,88

5. CAIXA ECONÔMICA FEDERAL - FIC PERSONAL RFLP, CONTA 001.00045300.9
R$414.466,39

6. BANESPA / SANTANDER SA, CORRETORA DE CÂMBIO E TÍTULOS, FUNDOS DE INVESTIMENTO MASTER 01-20699-9
R$ 240.679,83

7. SANTANDER SEGUROS SA - PLANO DE PREVIDÊNCIA VGBL
R$329.313,82

8. BANCO ITAÚ SA - CDB - FIXA - 6755-01164-7
R$38.259,34

9. NOSSA CAIXA / BANCO DO BRASIL - MIX MULTIMERCADOS - 4545-4
R$49.492,55

TOTAL: R$1.421.254,87

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Brasil Orwelliano: o Guia Alimentar para a População Brasileira

Por Klauber Cristofen Pires

Sempre que tenho me pronunciado sobre as intervenções sobre a vida privada protagonizadas pelo estado, amiúde recebo comentários inconformados - e quantas vezes insultosos - de pessoas que não se dão ao trabalho de separar alhos de bugalhos ou que, sabendo do que falo, fazem-se de sonsas.

Eu detesto cigarro! Todavia, não posso deixar de proteger a liberdade de alguém fumar em propriedade de quem autorize o uso, mesmo que eu me abstenha de frequentar justamente tal ambiente por causa de sua atmosfera plúmbea. A modo contrário, se alguém pegar carona no meu carro e estiver fumando, pedir-lhe-ei gentilmente que apague o seu cigarro. Tenho a mais absoluta convicção de que não seria grosseiro por isto. Isto é justo e é radicalmente diferente de uma lei que proíba todos de fumarem em locais que - olhem aí o flagrante de desapropriação - alegam-se "públicos", mas que na verdade são privados. Consegue o leitor perceber aonde quero chegar ou será que preciso me antecipar à sonsez alheia?

Não sou contra o uso do cinto de segurança. Entretanto, há uma diferença brutal entre eu decidir utilizar o cinto e ser obrigado a mantê-lo sobre mim sob pena de multa e até de perda da licença. Coisas como o cinto de segurança, a deformação progressiva, o freio ABS e o "air-bag" foram inventados pela iniciativa privada, não por estados e burocratas. Os cintos de segurança não têm absolutamente nada a ver com a prevenção de acidentes ou com a segurança no trânsito. A lei que obriga ao uso do cinto ampara-se em uma estatística que manda às favas os casos de pessoas que se salvaram de acidentes justamente por não terem feito uso desse dispositivo. Uma pergunta aos sonsos: uma pessoa em tal caso, isto é, que se salvasse pelo não-uso, deveria ser em seguida morta ou pelo menos multada como castigo por ter sobrevivido?

Ahhh, os sonsos! Sempre procuram nos colocar palavras à boca! Sempre tergiversam, buscando argumentos sobre fatos outros que não os abordados!

Certa vez, em um supermercado, fui abordado por uma jovem que pretendia me colher a opinião para a sua pesquisa, que começou por me perguntar se eu era adepto de uma "alimentação saudável". Perceba, leitor, o uso enxertado da prepotência na forma de uma pergunta que se faz parecer inocente, ainda mais quando operada por uma moça simpática. Ora, eu posso ser um consumidor da carne vermelha, ou um não consumidor dela; posso ser vegetariano ou macrobiótico, ou kosher. Sempre que eu afirmar estas coisas, estou sendo honesto e objetivo. Agora veja, perguntar-me se sou adepto de uma "alimentação saudável": no instante mesmo que alguém pergunta isto, já está de antemão se arrostando ao direito de determinar ao seu intelocutor o que tem definido por "saudável", e aqui digo mais: tal definição, além de subjetiva, é absolutamente precária, justamente por restar sobre a decisão de quem a define. Qem cai nesta armadilha vai brincar de "siga o rei" pro resto da vida!

Se eu sou adepto de uma alimentação saudável? Claro que sim, desde que estipulada em meus próprios termos. Que exista a ciência, que existam os médicos e nutricionistas, nada disto me obsta: posso consultá-los quando eu quiser, e seguir as suas prescrições quando eu quiser. Claro, não tenho a quem recorrer para responsabilizar-me pelo meu estado de saúde, a não ser a mim mesmo! Porém, quer saber? É assim mesmo que eu pretendo levar a minha vida! E reitero: não é porque eu pago à força por um plano de saúde vagabundo e corrupto que meu corpo reste sob a custódia do estado. Ele é minha propriedade!

O estado pode estipular um "Guia Alimentar para a População Brasileira" cientificamente infalível, por mais que eu duvide disso. E oh, como duvido! Sim, para os incrédulos, este documento existe, segundo o disposto na RESOLUÇÃO-RDC No- 24, DE 15 DE JUNHO DE 2010, em seu art. 4º, II e XXII:

II - ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL deve ser entendida, conforme o Guia Alimentar para a População Brasileira, como o padrão alimentar adequado às necessidades biológicas e sociais dos indivíduos de acordo com as fases do curso da vida. (grifos meus)

XXII - GUIAS ALIMENTARES PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA são os documentos oficiais do Ministério da Saúde que contêm diretrizes alimentares para a população brasileira.

Ôpa, espere aí? Eu disse "cientificamente infalível"? Ora, então alguém me explique o que vêm a ser as "necessidades sociais"! Será que deu para notar aí a arapuca?

Eu adoro pão - pão de trigo - mas o governo entende que deve misturar à farinha de trigo um determinado percentual de fécula de mandioca para atender às ...necesidades sociais dos plantadores de mandioca ou da indústria nacional, ou da balança de pagamentos. Que tal? Ou ainda: que dizer de misturar uma determinada quantidade de cevada ao café? Ou milho? Ou beber cerveja sem álcool, que mais parece Karo diluído em água?

Veja, leitor: meu pai odeia de morte comer peixe! Que tal se, em um país extremamente interventivo, como está a caminho o nosso, ele fosse obrigado a ingerir uma determinada quantidade de peixe periodicamente, digamos, para cumprir as metas de ingestão de Ômega 3 estipulada pelo governo? E se ele se negasse a obedecer? Poderemos pensar em consequências tais como restrições ao acesso do sistema público de saúde ou mesmo o assédio moral no trabalho? Só para o amigo leitor não pensar que exagero, nos países escandinavos a coisa rola meio assim, especialmente quanto ao consumo de bebidas alcóolicas; lá, segundo depoimento de amigos, a aquisição de bebidas segue um rito de registro e conforme as quantidades adquiridas ou conforme a frequência, uma notificação do serviço social pderá chegar á sua casa.

Caros leitores, no extremo, o que isto significa? Que vamos comer o que o governo nos ordenar, e tal decisão pode obedecer aos mais variados crítérios políticos, claro, sempre endossados por algum pretexto científico. No Brasil, tais ingerências, a princípio, seguirão os conhecimentos nutricionais, que ao longo do tempo se submeterão a interesses administrativos e enfim, descarrilharão ladeira abaixo sob o peso das contigências de uma economia fechada e disfuncional. Em Cuba, o povo é feito de gambá: praticamente a totalidade das proteínas fornecidas constituem-se de ovos, e isto quando os cidadãos (ou direi "os reclusos") não forem obrigados a assinar as suas libretas sem recebê-los; na Coréia do Norte, as autoridades já chegaram a orientar a população a comer grama!

Para quem duvida que as tais diretrizes contidas no tal Guia Alimentar para a População Brasileira se limitam a um trabalho meramente informativo, tome conhecimento de que recentemente foi realizado o seminário Indicadores e Monitoramento da Realização do Direito Humano à Alimentação Adequada no Brasil, em Brasília (atente para a extravagância orwelliana do nome). Segundo uma das integrantes, a Dra Sandra Chaves, pesquisadora do Departamento de Nutrição da Universidade Federal da Bahia (Ufba), "projetos governamentais que visam à garantia de alimentação são eficazes, no entanto precisam estar aliados a ações educativas" (...) “Ambos contribuem, em alguma medida, na promoção do acesso ao direito à alimentação, mas precisam de ações no campo da educação alimentar e nutricional”.

Concluindo: como eu havia dito em outros artigos anteriores, tais regulações aparecem inocentes, meramente formais, meramente informacionais, mas ficam lá, à espera de fatos novos que lhes promovam a esperada eficácia, quando então todas as saídas estão fechadas para a reação popular. Assim começa com o consumo de cigarros e bebidas, ao que seguem as determinações para a alimentação saudável, para posteriormente serem implementadas as "atitudes saudáveis", tais como participar de exercícios físicos regulares e usar camisinha até que, enfim, passam às "leituras saudáveis", que todos aplaudirão pensando se tratar de censura à pornografia, mas que proibirá o acesso a toda e qualquer leitura que o estado considere inadequada - inclusive os alertas deste articulista. Tudo como previram Mises, Hayek, Orwell e tantos outros.
 
Artigo retirado do blog LIBERTATUM : libertatum.blogspot.com